O dia de natal ontem não foi tão feliz quanto gostaríamos. Torcemos o máximo que pudemos, e por pelo menos dois quartos nos deixaram sonhar com uma chance de conquistar a vaga na pós temporada. Mas contra fatos, não há argumentos: eles se saíram melhores ontem dentro do pote de mostarda e, por fim, o Pittsburgh Steelers garantiu o título da AFC North e sua vaga nos playoffs como seed 3.
Para quem não é torcedor e apenas aprecia o jogo, o que se viu, apesar dos pesares, foi um belo espetáculo, com viradas de placar muito boas, algo disputado e digno de um duelo ao nível da rivalidade entre Baltimore e Pittsburgh. Já para o torcedor dos Ravens, ver as mesmas falhas se repetindo ao longo do tempo e perceber que a conduta da defesa, a quinta melhor da NFL e que nos enchia de alegria, continuava ladeira abaixo e abrindo espaço para LeVeon Bell fazer seus estragos foi de amargar o panetone!
Passado o calor do jogo e com a cabeça mais fria, visto que a frustração já não incomoda tanto, é hora de analisar friamente a campanha dos Ravens até aqui e se perguntar: será que éramos realmente merecedores de conquistar o título da AFC North? Ou pelo menos de ir para a pós temporada, em vista da campanha realizada?
Obviamente, é inegável que melhoramos da temporada passada para esta. Se antes deixávamos a vitória escapar pelos nossos dedos no final dos jogos, essa ano fomos capazes de segurar o resultado em jogos importantes como o dos Eagles por exemplo. Entretanto, deixar os Jets levarem a melhor e não conseguir parar os Redskins em casa nos custou um preço bastante alto. Aliás, ninguém esperava que ganhássemos de New England, nem que Dallas e Oakland viessem tão fortes esse ano, mas a verdade é: nunca a agenda de jogos esteve tão fácil, e ainda assim passamos por dificuldade. Chegamos com 8-6 para o jogo de ontem, quando poderíamos estar com 10-4.
Fonte: wpxi.com
Saindo da agenda e olhando para dentro do time, temos uma OL que carece de disciplina. Quando uma big play era realizada, as situações eram: ou o passe era incompleto ou teria um holding e o time seria penalizado. Talvez tivéssemos mais vitória maiúsculas e não só contra os Dolphins, mas essa indisciplina – pra não dizer burrice, evocando o sábio Caetano Veloso – nos custou.
E dentro do jogo, os problemas que tanto nos preocuparam ficaram bem explícitos durante todo o jogo, com a OL cometendo faltar primárias e penalizando gravemente a campanha dos Ravens em busca do Touchdown. Soma-se isso à falta de proteção do quarterback que acontecia volta e meia e fica fácil entender a falta de capacidade em produzir campanhas mais longas.
Também ele tem sua responsabilidade. Um passe longo demais pra dentro da endzone onde dava para anotar um TD, a demora em fazer a leitura de jogo e, como sempre: a falta de capacidade de fazer leituras corretas em vários momentos. Desculpem, mas não dá para ficar tranquilo vendo alguém realizando passe curto em descidas muito longas contra um time que está determinado a parar o ataque adversário a qualquer jeito. Me disseram que esse é o quarterback que levou os Ravens ao Super Bowl XLVII, só que eu tenho duvidado disso de vez em quando.
E claro, algo que todos sabiam: fica complicado ganhar dos Steelers sem parar LeVeon Bell. O próprio Big Ben foi interceptado duas vezes nesse jogo, e mesmo assim Baltimore não foi capaz de segurar o adversário. Isso porque LeVeon Bell fez um generoso estrago me nossa linha defensiva, que não conseguiu para-lo como deveria. O primeiro drive dos Steelers deixou isso bem claro, quando ele praticamente conduziu quase toda a campanha, em que, quando o time de defesa de Baltimore se preparava para pressiona-lo mais uma vez, Big Ben resolveu lançar um passe longo pegando todos de surpresa, anotando os primeiros sete pontos do jogo.
No fim das contas, quatro das seis vezes em que o time alterou o marcador foi por conta de Justin Tucker, em parte por mérito da defesa dos Steelers, mas a consequência maior fica por conta dos passes incompletos dentro da red zone.E o próprio time ainda resolveu se sabotar com o holder falhando miseravelmente no primeiro chute, entregando a bola de graça para o adversário e deixando os Ravens na mão sem anotar os três pontos.
Claro, o time de Maryland tem méritos muito bons, que não vou lista-los agora pois eles merecem uma atenção especial e mais que merecida. O ponto aqui é: no fim das contas, Baltimore foi um time dentro da média, que se encarasse uma AFC South por exemplo, teria chances de mais reais de conseguir algo. Por esse aspecto, só posso dar os parabéns aos Steelers pela conquista da divisão, e torcer para um trabalho melhor dos Ravens ano que vem. A equipe evoluiu bem do ano passado até aqui, com trabalho duro dá pra pensar em voos maiores para a próxima temporada.