“O mais elétrico, animador mas perigoso prospecto da classe” dizem ser um Manziel 2.0, aos amantes das estatísticas existe um futuro na NFL, aos amantes de medição física e extra-campo não terá sucesso. Tantas situações em suas costas a análise tem que ser ampla e para abrir nossa cobertura no blog sobre o draft trazemos o último ganhador do Heisman Trophy.

Sabe aquelas frases como “o que vale é dentro de campo”…para o processo do draft não é bem assim, antes do jogo em si de cada prospecto precisamos ver o extra-campo, alguns ainda desinteressam por isso mas um torcedor do Browns após o episódio com o Manziel ligou esse alerta pro resto da sua vida antes de ver algum jogador vindo da NCAA. Já no seu primeiro episódio uma controversa ao fim de 2013 seu ano pós vinda do High School, após terminar a temporada como titular de Texas Tech pediu transferência para Oklahoma…motivos? Ele disse que não havia comunicação com o HC Kliff Kingsbury (e incrível que Mayfield funcionou em seu ataque) até a quinta partida vs Kansas ele tava 5-0 com números de o porquê foi o primeiro true freshman a ganhar titularidade direto no programa da universidade. É bom pensar que motivos estiveram acima de falta de maturidade ainda mais ganhando uma chance num ataque com potencial que era o de Oklahoma.

Não estamos aqui para apenas resumir sua carreira é muita letra apenas para isso, o extra-campo dele contínua e o episódio de Arkansas é ponto chave nesse quesito: no início do ano passado ele foi preso por se embriagar e perturbar a paz, episódio que vai fazer os scouts da liga aprofundarem mais o caso até abril, parece que foi um episódio único e não rotineiro, em situações assim existe 2 lados da moeda o extremista e o conservador : se você for extremo vai falar que psicologicamente é duvidoso e não dá para o Browns continuar sofrendo com esse problema em posições chaves no time mas também pode acalmar com Stafford e Eli na faculdade não usavam o profissionalismo como rotina mas a NFL os mudaram, mas sim é o único episódio dele envolvendo prisão. No episódio ele tentou fugir da prisão e resistiu a ela, após o ocorrido ele pediu desculpas e disse que foi o maior erro de sua vida, como punição teve 35 horas de trabalho comunitário compridas. Também poderá participar do NFL Combine por sua prisão ser de menos potencial.

Ainda tem os episódios de OSU e Kansas que para mim não tem polêmica para ser contra o jogador. No de OSU enfiou uma bandeira dos Sooners no meio do gramado do Ohio Stadium após vitória num tipo “Diego pisoteando o escudo do São Paulo” versão NFL. Já o de Kansas foi logo na última temporada e onde atiçou a midia, uma série de acontecimentos durante o jogo o tiraram a paz: Mayfield tentou apertar a mão do linebacker Joe Dineen Jr que recusou seu cumprimento, Mayfield debochou do jogador batendo palmas e dando as costas. Momentos depois, ele encarou capacete com capacete outro capitão de Kansas o defensive end Dorance Armstrong Jr. Ainda teve a famosa puxada de virilha em direção aos jogadores de Kansas pós um passe para TD, e seu áudio vazado citando que Kansas deveria desistir da vitória e se focar no basquete. Episódio de ensino para ele, as câmeras sempre estarão nele, se ele quer ganhar no psicológico terá que ser inteligente, ele mostrou que caiu fácil no jogo dos adversários mas também é um jogador elétrico que respondeu dentro de campo, houve desculpas de todos os lados, do Mayfield ele se preocupou em ser um exemplo feio para crianças, do outro lado o não cumprimento não era um ataque ao jogador mas algo já estratégico dos jogadores de Kansas para apenas ganhar no “psicológico do jogo”. Ele perdeu o posto de capitão mas sua liderança fez com que recuperasse, também teve o jogo seguinte dos episódios ele começou na reserva vs West Virgínia entrou no decorrer do jogo (num jogo complicado) para ter 3 TDs lançados para 281yds.

 

Falando agora do dentro de campo a NFL tradicionalmente é hesitante com QBs de até 6’2 (Mayfield parece estar listado 6’1), a liga também desinteressa em sua maioria de QBs vindo de uma spread offense e sim tem que haver cuidado, exemplos bons e ruins de jogadores vindo deste sistema estão espalhados, a noção de spread “espalhar” ataca mesmo o scout do Mayfield, muito passe ido para wide open, juntando as defesas não confiáveis da BIG 12 o sistema sempre criava WRs bem abertos e com uma separação que poucas vezes você verá na NFL para o Mayfield trabalhar. Exemplos de sucesso e decepção se espalham por esse sistema, Watson e Newton parecem ter se adequado ao pro-style, já Manziel e RGIII tiveram problemas para se evoluir, a NFL se adaptou à maioria das características vinda da spread offense, o sistema traz uma diminuição de passes em janelas mais fechadas, traz um atletismo maior que na liga pode trazer lesões (RGIII não aguentou).

Pelo tamanho Wilson é objeto de que pode não importar, ele veio pra NFL medindo 5’11, dizem do Football QI sendo a diferença dele pro Mayfield, Wilson veio de um pro-style em Wisconsin ok mas os dois estiveram 5 anos na universidade não vieram brevemente isso ajuda e com esse tempo aumentado Mayfield nos últimos tempos começou a executar conceitos de pro-style (leituras de cima pra baixo, progressões, estabilidade para lançar no pocket…), a capacidade dele de estender as jogadas fazem ele ser perigoso dentro e fora do pocket, aliado a sua capacidade de cravar os pés sempre que vai lançar mesmo fora do pocket, oque faz com que melhore sua precisão nos scrambles, coisa que muitos QB não aprendem e momento onde muitos rookies são interceptados

“Seu jogo não funcionará na NFL” você então é preguiçoso para analisar, hoje em dia temos exemplos de ataques que se ajustaram de acordo com o jogo de cada QB para o ajudarem (Watson, Dak, Goff, Wentz…) Cada franquia fez ajustes necessárias para ajudar esses que listei, Mayfield é um típico systemQB, a franquia que o escolher irá precisar ajustar seu ataque para o confortar: existem modelos que podem ser espelhos para usarem com ele seu atletismo serve para executar bem o sistema que o Tyrod Taylor joga em Buffalo, HCs como Kyle Shanahan em San Francisco ou John Morton em New York (Jets) tem noções certas para suas características ataques desses times podem ser usados de espelho, no jogo aéreo Brees também é baixo, o ajuste para ele poderia ser parecido com o que o Sean Payton faz em New Orleans.

Como em qualquer análise que tentamos fazer queremos arrancar principalmente três coisas do QB : precisão, decisão de tomada e toughness e é isso que vai ser uma boa base para o analisar e usar em outros QBs da classe entre outras coisas também…

Mayfield tem os melhores números da classe envolvendo Q4 e jogos onde ele está atrás do placar:


Se você já ouviu que o Mayfield não tem um braço potente, eu sou contra é apenas 1 lance entre muitos mas ele tem força sim (força no braço algo bem discutido na balança com seu tamanho mas que parece não ter efeito)

RPO o famoso “run-pass option” altamente usado pelo Eagles durante toda a temporada, numa definição para o jogada melhor desenvolvida há pouco tempo é a chamada para uma jogada de corrida com opção de passe com a OL dando campo para o QB fazer antes ou depois do snap dependendo de como estiver o alinhamento ou como está a cobertura dos LBs…Mayfield se mostrou muito bem nessas decisões rápidas e para bom sucesso dessa jogada a leitura da primeira linha da defesa tem que ser bem feita, difícil foi eu ver o Mayfield errar um RPO durante 2017.


Essa jogada nos remete ao Wilson e o porquê de algumas comparações, mobilidade para abrir visão para o alvo, estar na mesma linha do seu alvo e não ter a cobertura o cobrindo, o uso do fora do pocket é algo que eu amo mas essa característica tem que ser conservadora, na NFL você achará defesas querendo essa improvisação, uma hora pode dar errado.


Baker é muito bom com os olhos, aqui ele move o LB para a esquerda fazendo com que finalizasse a jogada nesse lado procurando o WR ali em cima ou correr mas apenas o enganou, abriu terreno para o alvo certo que já havia conseguido a separação do seu marcado e agora tinha campo aberto para ganhar jardas, essa é uma característica que no próximo nível de jogo vai se dar muito bem.


A improvisação está nele e a falta de pensamento para finalizar a jogada fora do “êmbolo” foi nítido nessa jogada, igualzinho a gente vê na NFL com o Wilson o pocket fechado e a tentativa de mater a jogada viva trás perda de jardas com o sack, ele correu pra uma rota sem saída procurando achar abertura na lateral direita e ter chances de correr ainda…


Como eu disse há uma grande negativo para QBs que gostam de deixar as jogadas vivas e vão tentar continuar as progressões pra fora do pocket esperando alguma abertura de jogada, ele vai precisar e muito ter noção de quando você precisa jogar a bola pra fora ou ainda tem campo seguro para tentar algo


O seu desejo de querer deixar a jogada viva tem o seu lado bom, ao longo disso ele aprendeu e se evoluiu bastante na movimentação no bolso, ele parece confortável under pressure, para aqueles que falam dele sempre estar com bolso limpo olhem ele sob pressão

2015: 117.4 (1st in the nation)
2016: 119.2 (1st)

2017: 111.6 (1st)


Dizem que na BIG12 você só precisa ter leitura inicial para fazer o passe, Mayfield não tem jogo de leituras simples ele faz progressões acima de uma inicial e boas mas trouxemos esse lance pra citar um problema, algumas vezes a progressão de leitura é demorada e isso resulta em cobertura já fazendo seu papel.


Aprendizado com dor se o QB é móvel vai precisar aprender a deslizar e não entrar inteiro no hit, isso no próximo nível é chamada para lesão

“Mental toughness” eu procuro liderança, o espírito de querer mudar a franquia, ser um herói a ser lembrado, seu saldo em OU foi dos melhores em questão de liderança, um amante do jogo, de vencer, saiu respeitado da universidade, puxava a energia para um elenco inteiro. Esse quesito vai ser sim procurado pelos scouts da liga.

Um ponto não muito falado no jogo de Baker Mayfield é a capacidade de playaction do prospecto, os movimentos de handoff e fake handoff para um bootlag por exemplo são muito perfeitos, os melhores que eu já vi no college desde RG3 (e ainda melhores que os dele), a defesa demora muito mais para ler a jogada devido a perfeição do movimento, isso é um ponto não muito falado por se tratar de um detalhe porém “on field” faz uma grande diferença, principalmente se tivermos um jogo corrido competente para colocar medo na defesa adversaria.

Chegando aos finalmentes, com 5 anos de aprendizado no College, seja dentro ou fora de campo Mayfield se classifica um potencial QB para Frist Overral Pick do draft de 2018, e com tudo que nos mostrou nos dois ultimos anos liderando OA a dois playoffs dentro e fora de campo Mayfield mostra que está muito mais para Russel Wilson que para Johnny Manziel e, que o time que pega ele terá um jogador com plena capacidade de virar a franquia de cabeça pra baixo e assumir o cargo de Franchise Quarterback.

Mayfield só foi o primeiro, QB é a nossa obsessão e ainda temos outros 3 nomes que poderão estar em nossas vidas no futuro Rosen, Allen e Darnold para analisar. É só o início do nosso estudo, temos tempo até abril teremos overdose de tanta informação.