Há cerca de uns 4 meses, escrevi um texto falando sobre Sam Bradford. Resumidamente, expliquei por a + b o porquê de eu considerá-lo uma das maiores enganações da história da NFL.

Na última semana, depois da grave lesão que o quarterback do Teddy Bridgewater, o Minnesota Vikings foi ao mercado atrás de uma opção para repor o atleta. Com Sanchez recém dispensado dos Broncos, muitos cogitaram a possibilidade dele ir para os atuais campeões da NFC North, porém, algo mais maluco do que isso aconteceu: Sam Bradford.

Em uma tacada de mestre do agente Tom Condon, o Vikes cedeu suas escolhas de 1ª e 4ª rodada do draft de 2017. O nosso ouvinte Hélio Paiva Neto publicou uma imagem em nosso grupo do Facebook que mostrou resumidamente a trajetória de Brad pela NFL.

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Em um acesso de raiva, comentei que ele era o David Luiz da NFL. O colunista Rafael Reis do portal Uol publicou na semana passada um belo texto sobre a carreira do zagueiro brasileiro, e mostrando como ele se tornou o segundo jogador tupiniquim que mais movimentou dinheiro em transações (algo em torno dos 115 milhões de euros).

Depois de algumas risadas, refleti e vi como ambos são realmente parecidos. Tiveram carreiras sólidas na base (Vitória-BA e Oklahoma, respectivamente), depois viram suas contas bancárias cada vez mais cheias no decorrer dos anos. Curiosamente, nenhum dos dois teve o sucesso esperado, durante o tempo esperado.

davidbradford copy

Apesar de descrente, não há como negar que tanto David Luiz como Sam Bradford tiveram seus momentos de sucesso. Enquanto um brilhava no Benfica e se consolidava como uma das maiores promessas do futebol mundial, o outro quebrava recordes em St. Louis e aparentemente era a solução dos problemas para o time. Novamente, a dupla teve um destino bem similar ao falhar nas projeções que lhes eram atribuídas.

Inegavelmente o time de Minnesota precisava de uma opção para suprir a carência de Teddy. Além de Mark Sanchez, mencionado anteriormente, existiam algumas outras saídas que provavelmente renderiam mais do que Sam pode, e coincidentemente, ambas estão no mesmo time.

Colin Kaepernick e Christian Ponder

Depois de duas ótimas temporadas em San Francisco, nosso querido Lula Molusco caiu de rendimento e nesta temporada se vê no banco de reservas enquanto Blaine Gabbert lança os passes para o 49ers. Vendo o estilo de jogo que o Vikes fez na temporada passada, aliado ao draft (que trouxe um bom Wide Receiver de fundo) e a algumas promessas que surgiram em 2015 (Diggs), o potente braço de Kaep e sua facilidade para resolver com as pernas seriam uma combinação curiosa. É claro que o jogo terrestre com AP permaneceria sendo a estratégia primária do ataque, mas um QB móvel, tal qual Bridgewater, e com um braço bom poderia significar uma boa combinação.

Ponder já foi o titular da equipe em 2011 e 2012. Sempre contestado, nunca teve uma campanha vitoriosa, tampouco chegou aos playoffs, porém, seu estilo de jogo é perfeito para o Vikings. Apesar de não ter um bom braço, Ponder é seguro em seus passes curtos (59,8% de passes completos na carreira) e sabe administrar o ataque para que a verdadeira estrela, Adrian Peterson, faça o trabalho pesado. Em vez de amargar a reserva de Tony Romo, por que não tentar voltar para a franquia que o revelou?

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Sinceramente, meu apreço por Sam Bradford acabou há muito tempo. Não consigo acreditar que não exista nenhuma opção melhor do que ele para ser titular de qualquer time na liga. Nick Foles, A.J. McCarron, Brian Hoyer são alguns outros nomes que poderiam “quebrar o galho” e com valores de contrato certamente mais baixos do que o de Brad. Infelizmente, quem sofre são os torcedores, que veem jogadores falastrões e sem talento arrancando cada vez mais dinheiro das franquias, se aproveitando de um mercado inflacionado e que paga cada vez mais por jogadores que rendem cada vez menos.