O Redskins “deu a vida” por RGIII, e ele retribuiu com tudo que tinha.

Não sabe se vale a pena ler este texto sobre Redskins e RGIII? Então assista alguns lances incríveis do quarterback e depois volte para ler mais sobre tudo que aconteceu.

Em 9 de março de 2012 foram finalizadas as negociações da trade entre Washington Redskins e St. Louis Rams (hoje Los Angeles Rams) que mais tarde seria oficializada na abertura do calendário da NFL. Os Redskins subiram no draft em busca do QB de Baylor e ganhador do troféu Heisman de 2011, Robert Griffin III. Atrás de um Franchise QB, o time da capital deu a vida para a então promessa.

Abaixo temos os termos da troca e o saldo das escolhas.

Redskins recebe:

1º round de 2012 (Nº 2: QB Robert Griffin III)

Rams recebe:

1º round de 2012 (Nº 6: trocada com Dallas pra depois selecionar DT Michael Brookers)

2º round de 2012 (Nº 39: CB Janoris Jenkins)

1º round de 2013 (Nº 22: trocada com Falcons pra depois selecionar LB Alec Ogletree)

1º round de 2014 (Nº 2: OT Greg Robinson)

BREVE RESUMO DA CARREIRA:

2012-13: Temporada meteórica e lesão

Uma temporada que não podia ter sido melhor, logo na abertura fez 19 passes completos de 26 tentativas para 320 jardas além de 10 carregadas terrestre para outras 42 jardas na vitória por 42 a 32 contra New Orleans Saints. Esta performance lhe rendeu os prêmios de NFC Offensive Player of the Week (NFC OPW) e o NFL Rookie of the Week (NFL ROW). Ele ainda ganharia o NFC OPW da semana 11 contra o Philadelphia Eagles na vitória esmagadora de 31 a 6 e o NFL ROW mais 6 vezes tendo 7 no total.

Redskins

RGIII e, o então técnico do time na época Mike Shanahan

Além desses prêmios ele recebeu o National Football League Rookie of the Year Award de 2012.

Mas a temporada não foi totalmente de flores e alegria, pois tivemos algumas lesões.

A primeira foi uma concussão na 3ª semana contra o Falcons que o tirou do jogo no 3º quarto.

No entanto, ele já voltou a jogar já na semana seguinte.

Na week 14, contra os Ravens, a lesão chave: Haloti Nogara caiu sobre o joelho de RGIII – 150 kg em cima de um joelho(!) – que o fez sair do jogo para Kirk Cousins entrar e guiar o time ao empate e depois a vitória na prorrogação (Se você não viu esse jogo, assista no YouTube, vale a pena!). Neste dia, RGIII teve uma entorse grau 1 do ligamento colateral fibular que o deixou de fora do próximo jogo contra os Browns.

Após a conquista do título da divisão em 2012, veio os playoffs e a derrota amarga no wild card por 24-14 contra a equipe do Seahawks, onde RGIII jogou no sufoco e contra recomendações médicas, o que acarretou em uma nova e mais grave lesão em seu joelho. No fim da temporada foi escolhido para o Pro Bowl.

Redskins

Momento da lesão de RGIII no jogo contra o Seahawks

2013-14 e 2014-15: Declínio

Com certeza não tinha algo mais esperado pelos torcedores da Capital americana na temporada do que o retorno de RGIII!

Após uma campanha em que afirmou que estava “all in” para a semana 1, este retorno se deu em uma derrota para o Philadelphia Eagles por 33-27 contra o tecnico estreante Chip Kelly.

Griffin teve 329 jardas e 2 TDs mas também 2 interceptacões.

A temporada foi pífia, com recorde 3-13 e RGIII foi poupado nos últimos 3 jogos, já com alguns questionamentos sobre sua qualidade técnica como pocket passer, uma vez que devido a lesão do ano anterior, dizem que ele exigiu jogar de uma forma diferente da que fez sucesso, sem depender muito de suas pernas e sem se expor tanto ao contato.

Em 2014-15, já na semana 2, ele teve o tornozelo esquerdo deslocado no jogo contra os Jaguars e só voltou na semana 9. Mesmo com lesões, ele chegou a relembrar em alguns momentos os bons tempos de 2012. Porém, em muitos outros ele continuou demonstrando que não tem o que precisa para ser um pocket passer e infelizmente o Redskins terminou com mais uma campanha abaixo do esperado: 4-12.

2015-16: Kirk Cousins titular

Logo na pré-temporada, contra o Detroit Lions, ele sofreu uma concussão num fumble.

Oportunidade perfeita para Kirk Cousins ganhar a titularidade do time.

Após esta concussão e em razão dos termos de seu contrato com a equipe que não poderia arriscar que ele se machucasse, pois teriam um grande problema com o cap, RGIII se tornou o 3º QB reserva do elenco e não ficou ativo em nenhum jogo.

A temporada acabou, Cousins levou o time ao título da divisão e aos playoffs, e RGIII foi dispensado.

2016-17: Segunda chance, agora nos Browns

Logo na abertura da temporada contra os Eagles ele já foi pro IR com lesão no ombro, voltou na semana 14 e fez 5 jogos sem destaque. Acabou dispensado em 10 de março de 2017.

2017-18: Sem time até o momento.

RGIII foi dispensado do Cleveland Browns e até o momento em que o texto é escrito (final de julho de 2017) nenhum time da NFL se interessou pelo jogador.

ENTENDENDO O FRACASSO:

Sobre QBs Móveis que fazem Scramble e Read-Option com frequência:

Em 2012 na NFL, tivemos um renascimento dos QBs mais móveis (além do próprio RGIII) como Colin Kaepernick e Russell Wilson.

Por serem novidade, explodiram e foram sucesso nessa temporada. Mas com o passar do tempo as defesas foram tendo _tapes_ dos jogadores e prepararam esquemas para anular suas jogadas.

Assim os QBs desse tipo precisavam se reinventar, Wilson fez isso e continuou em alto nível da liga mas RGIII e Kaepernick não conseguiram e hoje estão desempregados.

Lesões:

Como citado anteriormente, RGIII teve diversas lesões e a maioria delas foi por conta do seu estilo de jogo que aumenta o contato e, consequentemente, o risco de lesões e que além de tornarem ele um jogador frágil com constante presença no departamento médico, também minaram sua confiança.

Tentativa de se tornar Pocket Passer:

Com tantas lesões e perdendo a confiança nas pernas por isso (fora que QBs móveis começaram a ser anulados pelas defesas), insistiu em trocar o seu estilo de jogo tentando se tornar um pocket passer, o que não deu certo, já que seu diferencial estava justamente na sua habilidade com as pernas, com sua mobilidade e corridas de QB.

Ademais, ele não tem uma boa leitura das defesas e segura a bola um segundo a mais do que o necessário para ser um bom pocket passar, de modo que as defesas acabam conseguindo lhe pressionar demais, atrapalhando seu jogo.

Arrogância:

Em 2015 diversos rumores a respeito de atritos com seus colegas de time, principalmente com a OL do time, a ponto de cogitarem na imprensa a possibilidade da OL ter feito corpo mole para não protegê-lo devidamente em um jogo.

O que alimenta estes rumores são a estranha comparação de desempenho da OL na pré-temporada de 2015-16 que tanto ajudou Cousins a fazer partidas razoáveis e boas mas com RGIII permitiu que ele sofresse sacks e uma concussão num fumble perdido contra os Detroit Lions.

Por outro lado, outros afirmam que o jogo da OL era o mesmo e que a diferença se dava devido à qualidade do Cousins em se livrar mais rápido da bola, buscando e confiando em suas primeiras leituras da defesa.

Resumindo:

O estilo de jogo perigoso de RGIII o tornou vulnerável a lesões. Com lesões ele perdeu a confiança nas pernas e o seu diferencial. Sem o diferencial ele passou a ser um QB comum, “bichado” e que não tendo como se reinventar. acabou fracassando na liga.

MOMENTO PARA PASSAR RAIVA:

Se o Redskins não tivesse efetuado a troca e não quisesse o RGIII, as picks perdidas desses anos poderiam ser usadas pra pegar seguintes jogadores de alto nível:

2012 com a pick de 1º round: LB Luke Kuechly, CB Stephon Gilmore, DT Dontari Poe, DT Fletcher Cox, LB Bruce Irvin, LB Melvin Ingram, LB Chandler Jones, OG David DeCastro, LB Dont’a Hightower, S Harrison Smith

2012 com a pick de 2º round: CB Janoris Jenkins, LB Bobby Wagner, LB Zach Brown (atualmente nosso), LB Lavonte Davis, OG Kelechi Osemele, CB Casey Hayward, WR TY Hilton

2013 com a pick de 1º round: CB Desmond Trufant, CB Xavier Rhodes, WR DeAndre Hopkins, C Travis Frederick, DT Kawann Short, RB Le’Veon Bell,

2014 com a pick de 1º round: DE Khalil Mack, WR Mike Evans, LB Anthony Barr, OT Taylor Lewan, WR Odell Beckham Jr, DT Aaron Donald, LB Ryan Shazier, OG Zack Martin, LB CJ Mosley, S Ha Ha Clinton-Dix, CB Jason Verrett

O LADO POSITIVO (SIM, TEVE) DE RGIII:

Apesar de tudo o que aconteceu, com todas as picks jogadas fora e o fracasso do jogador, a passagem dele por aqui serviu, além de aprendizado, como uma excelente jogada para o marketing do time, pois acordou a torcida na temporada de 2012/13 que estava sem playoffs há 5 anos na época.

No Brasil, RGIII teve um impacto considerável e a maior parte da torcida do Redskins aqui no Brasil, passou a  torcer para o time após ficarem encantados com o QB.

O saldo talvez não tenha sido positivo, mas RG3 faz parte da história do Redskins e sempre será lembrado pela excelente temporada de 2012!

 

Texto por: Fabrício Vera