A tecnologia tem ajudado o jogo evoluir de maneira notável quando comparamos o período de vinte anos, por exemplo, com câmeras, microfones e todo o tipo de aparato que auxilie o alcance da precisão em cada lance. No entanto, nada disso ajuda quando se trata dos choques ocorridos a cada snap.

De acordo com estudos recentes, essas colisões provocam doenças como CTE, que pode ser traduzido como trauma encefálico crônico. O CTE é uma patologia degenerativa encontrada em pessoas que sofrem muitas pancadas na cabeça e era encontrada a princípio em praticantes de boxe, porém hoje em dia há casos detectados em diversos esportes, como hóquei, rugby e futebol americano.

O maior problema é justamente a prevenção do problema, que é perceptível apenas a longo prazo, anos depois da prática dessas atividades. Segundo estudos da Universidade de Boston, 87 dos 92 praticantes do esporte da bola oval que aceitaram doar o cérebro para pesquisas tiveram o trauma detectado.

A doença em si possui alguns estágios, sendo que o primeiro envolve uma redução no nível de atenção, tonturas e dores de cabeça. Em fases um pouco mais avançadas, causa perda de memória, comportamento estranho (um exemplo relatado está no link que você pode conferir aqui) e em situações agudas, provoca diminuição dos movimentos musculares, demência e depressão. Dois casos notáveis não relacionados diretamente com as investigações são os do safety ex-Chicago Bears Dave Duerson e o antigo linebacker e Hall of Famer Junior Seau. Ambos cometeram suicídio, foram submetidos a autópsias e tiveram o CTE confirmado.

Ex-linebacker do San Diego Chargers e New England Patriots Junior Seau
Ex-linebacker do San Diego Chargers e New England Patriots Junior Seau

Tratamentos alternativos surgiram como forma de remediar e até reparar os danos causados pelos impactos a cada snap. Um dos mais recentes e mais comentados é o desenvolvido a base de maconha medicinal. Jake Plummer, ex-QB dos Arizona Cardinals, Denver Broncos e Tampa Bay Buccaneers, se submete às doses controladas por um laboratório no Colorado e afirma que o medicamento realmente funciona, a ponto de outros jogadores aposentados apoiarem a atitude de Jake.

O movimento em prol da flexibilização da NFL perante o uso de maconha como remédio para proteger e até reparar danos no cérebro só aumenta a cada dia. Mães fazem a aplicação do novo remédio para tratar crises de epilepsia nos filhos, que são reduzidas de maneira notável, facilitando, desta forma o desenvolvimento social e cognitivo.

O fato é que o esporte, por mais divertido que seja, se torna a cada temporada mais temido pelos pais no momento de escolher em qual esporte matricular os filhos nas escolas. Há debates com opiniões que variam entre o limite de o futebol americano ser uma profissão e ser uma atividade de risco. A liga com certeza deveria ser mais receptiva para as novas alternativas que proporcionem um bem estar aos atletas e evite que casos como os citados no texto se repitam.

Ex-safety do Chicago Bears Dave Duerson
Ex-safety do Chicago Bears Dave Duerson