Por Carol Vago

Colaboração Pedro Jorge Marinho

Em mais um erro num momento decisivo do jogo, o Colts deixa escapar mais uma vitória na temporada. Apesar de Jacoby Brissett ter conduzido bem o ataque durante o jogo, ele falhou novamente. Os erros não param de aparecer e fica ainda mais escancarado o quanto este time não tem um comando decente, capaz de chamar as jogadas mais simples para evitar erros em momentos importantes.

O JOGO

Diferente dos jogos anteriores, começamos atacando. Talvez uma tática para sair na frente e não ter que ficar atrás do placar de imediato. Mas não deu muito certo. Apesar de ter chegado ao meio campo, iríamos devolver a bola após um sack do Geno Atkins. Para piorar, o punt do Rigoberto Sanchez foi bloqueado por Jordan Willis, com a bola saindo na linha de 49 do nosso próprio campo. Mesmo com a boa posição de campo, Cincinnati não aproveitou e, após um passe incompleto na terceira descida, Randy Bullock tira o zero do placar. 0x3.

Com um desafio mal sucedido e duas faltas, um three and out rápido do ataque de Indiana. Apesar de uma boa posição de campo e, mesmo com um bom avanço de Joe Mixon num passe de Andy Dalton, um holding prejudicou o avanço do ataque do Bengals. Bullock iria chutar mais um field goal. Mas nosso #96 Henry Anderson acha um buraco na OL adversária e consegue bloquear o chute, salvando o Colts de um prejuízo de seis pontos.

Com duas boas corridas de Marlon Mack o Colts avança pelo campo, mas mais um holding da OL prejudica a campanha. Brissett até consegue nove jardas com Doyle, mas a sequência de dois passes incompletos finaliza a campanha ofensiva. Rigoberto vem para seu terceiro punt no jogo. Sorte nossa que Alex Erickson não consegue segurar a bola. Barkevious Mingo, bem posicionado, recupera a bola. Com três corridas seguidas de Frank Gore, estávamos na linha de 15. Com apenas quatro jardas em três jogadas, Adam Vinatieri entra para empatar o jogo. 3×3.

A campanha do Bengals foi finalizada rapidamente. Três passes incompletos do Dalton. Bola do Colts. Com um bom avanço de Quan Bray, Indianapolis começa na linha de 48 da defesa. Com um bom avanço de Gore e um passe de 17 jardas para Doyle, o Colts chegou à redzone novamente. Numa 3rd & 8, Brissett encontra Doyle num belo passe no canto esquerdo da endzone para o touchdown. 10×3 e 8:19 para o fim do primeiro tempo.

Com uma facilidade absurda, o Bengals encontra buracos na defesa. Com um passe curto e 67 jardas de avanço, Joe Mixon coloca Cincinnati em posição de empatar o jogo. Apesar de um false start, estando numa 3rd & 8, AJ Green faz o touchdown mais fácil da carreira, vencendo Pierre Desir numa rota slant. 10×10 em apenas 3:38 de campanha. Restando 4:36 para o intervalo, os times diminuíram o ritmo do ataque. Um punt para cada time. A bola retornou para Indianapolis com 1:13. Com um passe para Doyle e dois para Aiken, fomos avançando pelo campo na esperança de pontuar antes do intervalo. Mas o desafio perdido fez falta e tivemos que nos contentar com mais um field goal. 13×10 e intervalo.

O segundo tempo começou com uma bizarrice: Brandon LaFell soltou a bola antes de sair de campo, considerado fumble recuperado pelo #35 Desir. Pagano desafiou. A arbitragem revisou a jogada e viu que realmente LaFell soltou a bola antes de sair de campo, mas o pé fora de campo do Desir fez com a posse se mantivesse com o Bengals. Dalton conduziu bem o ataque do Bengals, variando corridas e passes no meio de campo e, beneficiado por uma falta desnecessária de Jabaal Sheard, o QB adversário finalizou com touchdown. Lançou o passe rapidamente antes do sack de Margus Hunt, a bola ficou pendurada e caiu nas mãos do rookie Josh Malone. Erro grave de leitura de Matthias Farley que foi cobrir o Brandon LaFell e erro gravíssimo de Vontae Davis que deixou o WR totalmente a vontade para receber a bola. 13×17.

Com bons passes e boas corridas, o Colts foi encontrando os espaços na defesa adversária. Brissett variou bem os recebedores. Jack Doyle fazia uma partida muito boa. Frank Gore mantinha boa média carregando a bola. Num screen pass, Brissett lança para Marlon Mack que entra na endzone. 20×17. O ataque do Bengals volta ao campo e rapidamente sai. Joe Mixon sofre fumble, recuperado por Jon Bostic. Vendo a oportunidade de colocar o jogo fora do alcance adversário o Colts, de forma inédita na temporada, decide utilizar mais o jogo corrido estando à frente no placar. Mas após um sack de Carlos Dunlap e campanha ficou prejudicada e Vinatieri anotou os últimos pontos do Colts na partida. 23×17.

Touchdown recebido de Marlon Mack

Sabendo que precisaria correr, o Bengals consegue 14 jardas na primeira jogada com Erickson. Nossa defesa conseguiu um sack com Antonio Morrison, mas um holding defensivo do Desir dá first down automático para o adversário. Após conseguir 12 jardas correndo, Dalton sofre sack do Bostic e, após um passe incompleto, sack de Tarell Basham. Punt e bola nossa.

Com 7:40 por jogar, um field goal praticamente asseguraria a vitória. Na primeira jogada, Gore avança quatro jardas. Às vezes penso o que passa na cabeça do Rob Chudzinski, mas tenho certeza que coisa boa não. Você tem seu RB fazendo seu melhor jogo na temporada, com boa média por carregada e o que você faz? PASSE!!!! “Times ruins encontram uma forma de perder” é a frase para o Indianapolis Colts nesta temporada. Jacoby Brissett tenta o passe para TY Hilton… Brissett não vê que Carlos Dunlap sobe para bloquear… Brissett manda as bolas nas mãos de Dunlap… Interceptação retornada para touchdown. 23×24.

Após os times trocarem punts, Indianapolis tem uma última chance com 2:42 no relógio. Brissett manda três passes consecutivos para Doyle, o primeiro bateu no chão, sendo incompleto. Os outros dois permitiram o avanço do Colts. Após o two-minute warning, numa 2nd & 6, Brissett sofre outro sack por segurar demais a bola. Mesmo com nove jardas de avanço num passe para Marlon Mack, a última jogada foi um passe incompleto na direção do Hilton. Fim de jogo e 2-6!

PONTOS POSITIVOS:

  • Henry Anderson lembrou o calouro de 2015. Conseguiu um sack e bloqueou um field goal. Está em excelente forma e tem tudo para crescer ainda mais nos próximos jogos;
  • Frank Gore teve sua melhor partida com 82 jardas em 16 carregadas. Foi prejudicado pela interceptação. Poderia facilmente chegar às 100 jardas;
  • Grande partida de Jack Doyle. Segurou tudo que lhe foi direcionado. Foram 121 jardas em 12 recepções. Seu bom desempenho tem que continuar pois é o desafogo do time;
  • O fumble forçado por Darius Butler;

PONTOS NEGATIVOS:

  • Apesar de estar seguro na partida, Jacoby Brissett cometeu mais um erro em um momento importante do jogo. O passe nas mãos de Carlos Dunlap foi um erro grave;
  • Mais culpa ainda tem a comissão técnica em chamar passe após um ganho de quatro jardas numa primeira descida no último quarto onde seu time está ganhando!!! É inacreditável;
  • Vontae Davis… Quem te viu em 2014 e te vê agora, hein? Josh Malone absolutamente confortável para receber a bola na endzone… Está difícil de defender o veterano CB.

AS ATUAÇÕES

Não tem sido fácil ser torcedor de Indianapolis… Perder não necessariamente é o problema (principal). O problema é quando você perde, não aprende com seus erros e comete os mesmo erros… Não apenas uma vez, já são 4 das 6 derrotas em que o time conseguiu deixar o placar escapar do controle.

Vamos começar então pelo ataque, por sua peça principal: o quarterback. Ah Jacoby, como é bom ver você jogar bem, pena que na hora “H” você tem errado e entregado o jogo ao adversário. O QB tinha um jogo bom, ainda que demorando para soltar a bolas as vezes. Mas como o raio sempre cai mais de uma vez em Indianapolis, mais uma interceptação decisiva, que dessa vez selou a derrota para o time azul e branco. Mais uma derrota na conta do ataque, mais uma derrota por não pontuar e entregar a bola ao adversário.

A linha ofensiva trabalhou consideravelmente bem, visto que o front seven do Bengals possui qualidade. Alguns dos sacks também tiveram como culpado nosso QB, pela demora nos passes. Ryan Kelly voltou e seu impacto no desempenho do setor é algo facilmente perceptível. Entretanto, a linha cometeu false start mais de uma vez no jogo… três faltas que, juntamente a 2 jogadas com pass interference ofensivo, tiveram grande impacto no desempenho da equipe em campo.

Mais um jogo sumido de TY Hilton: foram 15 jardas em duas recepções, muito pouco para nosso principal recebedor. Já Moncrief, Aiken e Rogers disputavam quem teria os drops mais bizarros do jogo. Péssimo jogo dos wide receivers de Indianapolis, que, juntos tiveram apenas 2 jardas recebidas a mais que nossos running backs. Mais uma semana com uma atuação digna de pena para Donte Moncrief, apenas um target e nenhuma recepção. O recebedor está em ano de fim de contrato e tudo indica que as péssimas atuações não o credenciem como jogador a renovar com o time. Além disso, até o momento em que os autores vos escrevem, não foi trocado com nenhum outro time. Parece que o interesse pelo recebedor tem se esvaído a cada dia.

Mas então, se os WRs não conseguem agarrar a bola e os RBs somaram 55 jardas recebidas, quem fez os números do Colts passarem das 230 jardas em passe? Isso mesmo, o TE Jack Doyle conquistou nada mais nada menos que 121 jardas no jogo em impressionantes 12 targets. Com uma média de 10.1 jardas por recepção, ou seja, um first down a cada bola em sua direção, Doyle teve de longe seu melhor jogo da temporada. Voltou a ser o alvo de segurança e mostrou que os jogos ruins anteriores estão no passado. Ainda anotou um dos 2 TDs da partida, junto a Marlon Mack.

Pela primeira vez na temporada o calouro teve mais snaps que o veterano. Marlon Mack enfim passou a ser mais envolvido no plano de jogo, correndo e recebendo passes curtos (um destes resultou em um TD de 24 jardas). Mack ainda precisa melhorar suas corridas pelo meio, aprender a se desvencilhar dos tackles e, acima de tudo, ler melhor a defesa para observar os espaços no campo. Enquanto isso, ainda que não tenha chegado as 100 jardas, Frank Gore parece um garoto correndo em campo. O jogo do RB fluiu bastante contra a defesa do Bengals, com média de 5.1 jardas por tentativa, ajudando o time a se mover em campo. Bom jogo dos corredores de Indianapolis.

Vamos então a defesa… Ah como essa defesa nos deixa esperançosos. Começando pelas trincheiras, vimos Henry Anderson voltar a brilhar. Para muitos o DE parecia o calouro cheio de energia de 2015. Além de anotar 7 tackles, 3 para perdas de jardas e um sack, o jogador ainda bloqueou um FG do time de Cincinnati. What a day, Henry Anderson!

Não só Anderson, mas toda a defesa contra o jogo corrido foi muito bem. O Colts cedeu apenas 58 jardas terrestres totais para Joe Mixon, Jeremy Hill e Giovanni Bernard. Foram apenas 2.8 jardas por tentativas que o Bengals conseguiu no jogo. Contratações certeiras, melhora substancial contra o jogo corrido. Ponto para Chris Ballard na montagem do time de Indianapolis. Também devemos destacar Mingo e Basham no jogo de domingo. O #92 do time de Indianapolis ganhou espaço com a lesão de John Simon e mostrou que pode ser sim bastante útil para a rotação. Quem parece ter “desencandado” foi Tarell Basham: o calouro anotou seu primeiro sack na carreira e mostrou ter potencial a ser aproveitado.

Apesar de não termos visto uma boa atuação de AJ Green, a principal arma de Cincinnati foi Joe Mixon recebendo passes. O RB computou 91 jardas recebidas em 3 recepções, ficando à frente de Green, LaFell, Malone e Ross, que são recebedores de ofício. Vale ainda dizer que Green foi restrito a 3 recepções em 8 targets, mostrando boa atuação da marcação. Destaque também para Darius Butler que forçou um fumble.

Mas como nem tudo são flores, Vontae Davis e nossos LBs parecem piorar a cada dia (se é que isso pode acontecer). Em mais uma tarde ruim, Vontae não parece ser o mesmo jogador de 2 anos atrás: bastante atrasado na marcação, teve sérios problemas para marcar os recebedores quanto precisava acompanha-los de perto. Falta velocidade e agilidade ao CB que joga sob o último ano de contrato. Os ILBs do Colts parecem não entrar em campo. Novamente passes curtos geraram avanços consideráveis e jardas após a recepção para o Bengals. Ainda que muito ajude parando o jogo corrido Jeremiah George também sofre tendo que marcar o miolo do campo. Ainda que Bostic tenha conseguido um sack, pouco ajuda na marcação de passe (como sempre).

Boas atuações individuais na defesa que, novamente, ajudou o time a ter chances de vitória. Ainda assim essas boas performances pontuais devem ser melhor exploradas para alcançar uma possível terceira vitória no ano. Mais uma vez o triunfo não aconteceu graças à incompetência ofensiva do time. Mack mostrou-se muito útil ao ataque, o jogo corrido fluiu bem, mas o jogo aéreo não tem sido consistente.

Temos defendido Brissett por algumas semanas, porém, depois da quantidade de erros que entregaram o jogo ao adversário temos que começar as críticas. Não digo que devemos voltar a usar Scott Tolzien, isso seria como um suicídio para nosso ataque. Rob Chudzinski e Brian Schottenheimer precisam trabalhar Jacoby Brissett se ainda querem ganhar algum jogo nessa temporada. Em coletiva, Chud disse ter trabalhado com o QB para se livrar da bola mais rápido, explorar passes curtos. Entretanto, pouco se viu o uso desses passes para alvos que não fossem Doyle e Mack. Não adianta pedir a seu QB que se livre rápido da bola se os recebedores não completaram ainda as rotas longas que o próprio técnico indica nas jogadas.

BÔNUS

Acho que não passamos uma semana sem reclamar das ideias malucas de Pagano. O mico da vez: um desafio completamente sem sentido. Pagano desafiou algo que não nos trouxe benefício algum. Ainda que Mingo tenha forçado o fumble em LaFell, Desir não tinha os dois pés dentro de campo quando recuperou a bola. Resultado: bola de Cincinnati e mais um episódio bizarro para Chuck e sua comissão.

Próximo domingo às 16h o Colts vai a Houston enfrentar o Texans. Que não seja uma derrota de lavada…

  • Vinicius Vinny

    “Não tem sido fácil ser torcedor de Indianapolis… Perder não necessariamente é o problema (principal). O problema é quando você perde, não aprende com seus erros e comete os mesmo erros… Não apenas uma vez, já são 4 das 6 derrotas em que o time conseguiu deixar o placar escapar do controle.”

    E é incrível como o staff tem culpa nisso. Chamadas horrorosas no último quarto são frequentes e preparo físico do time não tem ajudado tbm. Um desastre…

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