Muitos se perguntam… Qual a maior necessidade do Steelers para esse Draft? Sabemos obviamente que ela está na defesa, mas onde valeria o investimento de 1ª ou 2ª rodada? Secundária? Linebackers? Vamos analisar aqui como está a situação de nossa secundária para a temporada 2017 e ver se realmente vale a pena Draftar novos defensive backs nas primeiras rodadas.

Retrospectiva geral

Base D: 

 FS Mike Mitchell – SS Sean Davis

 OCB Artie Burns – NCB Will Gay – OCB Ross Cockrell

Contratos:

  • Mitchell: 2019/UFA – 5y/$25M
  • Davis: 2020/UFA – 4y/$4M
  • Cockrell: 2017/RFA
  • Burns: 2021/UFA – 4y/$9.5M
  • Gay: 2019/UFA – 3y/$7.5M
  • Golson: 2019/UFA – 4y/$4M
  • Golden: 2019/UFA – 3y/$3.9M
  • Thomas: 2017/UFA
  • Dangerfield: 2018/EFA – 1y/540k

 Legenda: UFA – free agent irrestrito / RFA – free agent restrito

Draft

Após 17 anos sem selecionar um cornerback no 1º round e muito apelo dos torcedores e analistas, a franquia decidiu escolher dois defensive backs com as primeiras escolhas do Draft de 2016: o CB Artie Burns (Miami) e o S Sean Davis (Maryland), respectivamente. Apesar de um ano repleto de altos e baixos, os jovens conseguiram terminar o ano na equipe titular e não há perspectiva de mudança nessa realidade. Além dos novatos, a secundária titular é composta por Ross Cockrell, William Gay e Mike Mitchell.

Embora não seja uma unidade extraordinária, com jogadores de renome na NFL, ela se mostrou sólida ao longo da última temporada e promissora para os próximos anos. Dessa forma, um novo investimento de escolhas de 1º ou 2º dia no Draft parece improvável, inclusive por conta da urgência de melhora do pass-rush da equipe com a seleção de um outside linebacker (como fã, não é a secundária que queria, mas como avaliador, é sem duvida uma unidade solida).

Ross Cockrell não é Patrick Peterson, Richard Sherman ou Marcus Peters, mas silenciosamente teve uma ótima temporada. O jogador, que esteve em sua 2ª temporada com os Steelers, após ser cortado pelos Bills na pré-temporada de 2015, atuou nas 16 partidas da temporada regular mais as 3 dos playoffs, sendo titular em todas. Cockrell foi muito exigido, regularmente cobrindo os principais recebedores de outras equipes e, na maior parte do tempo, tendo sucesso. Um exemplo de seu grande desenvolvimento no 2º ano na Pensilvânia foi a atuação na Semana 2 (vs. CIN), em que foi pedido para cobrir o WR AJ Green – que vinha de uma atuação de 180 jardas e 1 TD – e apagou a estrela dos Bengals, limitando sua produção a somente 2 recepções para 38 jardas. Vale lembrar que Ross é free agent restrito e ainda não fechou um novo contrato com Pittsburgh para 2017, mas deve assinar logo.

Seu novo companheiro foi o calouro Artie Burns, que apesar de ainda muito inconsistente e cru como jogador de futebol americano, mostrou alguns flashes de seu potencial e a possibilidade de, em alguns anos, se transformar em um bom CB1, passando o posto de CB2 para Cockrell. No slot, tivemos o (quase) sempre confiável veterano Will Gay e em sua sombra teremos em 2017, Senquez Golson, escolha de 2º round no Draft de 2015 que ainda não conseguiu estrear pelos Steelers por conta de lesões. A presença de Golson no roster da equipe possibilita certa negligência com a posição de cornerback nos primeiros rounds, pois como o GM Kevin Colbert já afirmou em 2016, Golson seria uma espécie de escolha de 2º round extra no Draft, visto que ainda não atuou. Sigo a linha de nosso general manager e ainda acrescento: Golson é mais que uma escolha de 2ª rodada extra. Em uma das posições de mais difícil adaptação ao jogo profissional, o ex-aluno da universidade de Ole Miss já tem dois anos de experiência no playbook da equipe, o que daria muita vantagem em relação a qualquer novato que viesse a ser escolhido no draft de 2017. Caso venha a bater Will Gay na competição pela vaga no slot no training camp, o salto em profundidade e confiança que a unidade ganharia para o início da nova temporada seria imenso.

Por fim, a dupla de safeties se mostrou um dos grandes pilares da defesa no fim da temporada. A emergência de Sean Davis como um tackler confiável e jogador inteligente (terminou a temporada com 70 tackles, 1.5 sacks, 5 PDs e 1 INT) fez sua escolha no 2º round parecer mais um acerto de Colbert e da diretoria no caminho de transformar a defesa que era considerada “velha e frágil” em uma “jovem e física”. Mike Mitchell é o free safety da equipe e apesar de muito criticado por grande parte da torcida, ainda é um jogador acima da média, anotando cerca de 228 tackles, 4 INTs e 4 fumbles forçados nos últimos 3 anos e atuando nas 48 partidas de temporada regular da equipe nesse período. Mitchell tem 29 anos e ainda 2 anos em seu contrato atual, mas já começa a demonstrar sinais de declínio, portanto, se a franquia pensa em adicionar alguém para a secundária, o ideal seria focar em um futuro substituto para o veterano e também com valor de special teams no 3º dia do draft.

Vejo a perspectiva de que a secundária é o maior problema da defesa e que precisa imediatamente de reforços como uma estigmatização da unidade, por conta dos péssimos desempenhos em 2013, 2014 e 2015. A diretoria reconheceu os erros nas contratações de jogadores como Antwon Blake (cruzes!), na escolha de Shamarko Thomas, na decadência de veteranos como Cortez Allen e decidiu investir pesado no setor como não fazia há anos. O resultado? Ainda precisamos de tempo para afirmar qualquer coisa, mas uma coisa é certa: o futuro é promissor.

É claro que ainda falta algum tempo para o Draft e nesse processo vocês ainda verão muitas interações, avaliações e entrevistas com jogadores de secundária, porém, não se iludam pois é bem provável (e sensato!) que a franquia não selecione prospectos da unidade (pelo menos) até o último dia do Draft.

#HereWeGo