O Oakland Raiders, que faz campanha digna na temporada 2016, conseguindo a vaga para os playoffs desde a derrota no Super Bowl de 2002, vive certa tensão dentro dos gramados, com a perda do quarterback Derek Carr, por conta de uma fratura na fíbula, perto do início dos playoffs e, principalmente, fora dele, com o mistério envolvendo o futuro lar da equipe da Califórnia, que pode ir para o estado vizinho, Nevada.

A indecisão não é nova para os torcedores da Raider Nation, considerando o fato de essa discussão vir à tona a cada offseason, com lados bem definidos e um impasse no qual apenas os fãs do time que residem na cidade da Baía de São Francisco têm a perder, pois, na região, só há o rival 49ers como mais próximo de Oakland.

O drama em questão não é recente, já se arrasta desde o começo de 2016, desta vez fortalecido com o interesse demonstrado por Mark Davis, mandatário da equipe, em atrair o investimento de Sheldon Adelson, dono do cassino e resort Las Vegas Sands, um dos mais conhecidos da região, e de outros chefões de casas de apostas da cidade, para facilitar a construção de um estádio de US$ 2.3 bilhões, com cobertura e que pudesse servir como casa dos Raiders e do time da Universidade de Nevada em Las Vegas (UNLV), o que é bem visto por diversas pessoas influentes da região, como o ex-proprietário do UFC e ex-aluno da universidade, Lorenzo Fertitta e o presidente e ex-presidente da UNLV, Len Jessup e Donald Snyder, respectivamente.

Membros da diretoria do time de Oakland estiveram na cidade no início da temporada para procurar possíveis terrenos para a construção do estádio e, em março de 2016, quando perguntado sobre Vegas, Davis afirmou que “os Raiders gostaram do plano da cidade e é um projeto muito curioso e animador”.

Mark, aliás, não se cansa de elogiar os planos propostos pelo estado de Nevada e a cidade de Las Vegas para o time, de modo que deixa claro o descontentamento com a cidade onde os Raiders estão sediados atualmente, com o governo de Oakland tentando forçar a barra para a equipe ficar no Coliseu, estádio que é visto como obsoleto e fora dos padrões atuais da NFL, ao invés de apoiar os planos de erguer um novo estádio ou reformar de maneira grandiosa o atual campo do Silver & Black.

Outro ponto que Davis usa como argumento para a mudança, é a cobrança alta que a cidade da Califórnia faz pelo empréstimo do estádio e centro de treinamento, sendo que, para esta temporada, o preço pago pelo time foi de US$ 3.5 milhões com opção de renovação por duas temporadas, um aumento de US$ 925 mil em relação ao valor desembolsado pela franquia em 2015. A justificativa para o salto no aluguel se deve pelos custos por itens como segurança nos dias de jogos passarem a ser responsabilidade da equipe.

Alternativas além da opção de Las Vegas não faltam para a franquia escolher. Para se ter uma ideia, a mídia local especulou o possível compartilhamento do Levi’s Stadium entre San Francisco 49ers e Oakland Raiders, porém a negativa de Mark com a massiva exploração comercial exercida pelos Niners fizeram com que a possibilidade não se tornasse realidade.
Outra sugestão veio da cidade de Inglewood, há pouco mais de 600 km de Oakland, também no estado da Califórnia.

O atual Los Angeles Rams, que joga no Los Angeles Memorial Coliseum temporariamente, enquanto o estádio da equipe é construído, poderia contribuir para compartilhar o estádio com a franquia da Baía de São Francisco, já que a liga negou o pedido de mudança do time para Los Angeles, em janeiro deste ano, porém permitiu a eventual realocação para o futuro City of Champions Stadium, desde que respeite a prioridade de escolha do San Diego Chargers, outro time a procura de uma casa nova. Em outras palavras, caso os Chargers não cheguem a um acordo com os Rams em janeiro de 2017, os Raiders poderão negociar. A opção foi deixada em aberto pelo dirigente do time da baía californiana.

A proposta levantada pelo Hall of Famer Ronnie Lott e o ex-quarterback Rodney Peete com o prefeito da cidade, Libby Schaaf, em maio deste ano, previa a compra do terreno que abrange o Coliseu de Oakland e a Oracle Arena, casa do Golden State Warriors até 2019, quando se mudará para San Francisco e, com isso, construir um estádio exclusivo para futebol americano, o que o Coliseu atualmente não é, já que é dividido entre os Raiders e o Oakland Athletics. O projeto foi anunciado recentemente, com o custo de US$ 1 bilhão para a construção de um espaço para a equipe de Khalil Mack e companhia. Mesmo assim, Mark Davis reforçou o discurso de não querer permanecer na cidade, manifestando o desejo antigo de levar a franquia para Las Vegas.

Para que a mudança ocorra, porém, é necessário que haja uma votação entre os donos das equipes, na qual o sim seja votado por 24 dos 32 dirigentes. Alguns já se manifestaram a favor do projeto de Nevada, como o mandatário do New England Patriots, Robert Kraft, afirmando que a transferência de sede seria “uma ação positiva, já que lá (em Las Vegas) só teriam a concorrência do Vegas Golden Knights (que jogará na NHL a partir da temporada 2017-18), além disso, o mercado a ser explorado é grande”.

A insegurança de seguir adiante com o plano é o que provoca opiniões contrárias dentro da própria equipe, com dirigentes dos Raiders não apoiando a corrente liderada por Mark Davis. Outro fator positivo para a mudança seria o registro da marca Las Vegas Raiders, feito em agosto, permitindo o uso exclusivo por parte do time da cidade de Oakland, situação que ocorre quando uma pessoa física ou jurídica manifesta desejo de usar a marca registrada, como neste caso, já enfatizado pelo mandatário da franquia.

O fato é que o próprio Davis, porém, deseja fechar a trajetória do time em Oakland com um Super Bowl, antes de se mudar para “a cidade do pecado”, outro sonho pessoal. Para o primeiro objetivo ser alcançado, a boa gestão a frente do time desde 2011 deve se manter com os pés no chão, para o segundo, o poder de persuasão de modo que os outros dirigentes se convençam do plano será chave para a votação, prevista para ocorrer em março de 2017. Que a força esteja com você, Mark!

Perfil no Twitter com fãs da franquia que desejam a mudança de cidade.