Com 8 semanas de temporada regular já no retrovisor, podemos refletir sobre várias situações, atuações, desapontamentos, surpresas e outras infinidades. Hoje gostaria de trazer a situação do da reconstrução do Chicago Bears para este texto. O motivo? Este autor acreditava que, mesmo de maneira mais discreta, o Bears pudesse estar numa situação mais confortável, ou melhor e mais correto, menos constrangedora.

Talvez muito do que o time esteja sofrendo hoje, venha das falhas cometidas pelo front office desde 2012, começando pela demissão do então head coach Lovie Smith, que começou sua era em 2004 com a equipe e teve 81 vitórias e 63 derrotas e uma ida ao Super Bowl. Dali pra frente parece que a coisa desandou. O time (conhecido historicamente por suas grandes defesas) trouxe um cara com mentalidade ofensiva para tentar fazer com que o quarteto Jay Cutler (QB), Alshon Jeffery (WR) e Brandon Marshall (WR) e Matt Forte (RB) dominasse as defesas adversárias. Esse cara de mentalidade ofensiva era Marc Trestman, que estava a 5 temporadas com o Montreal Alouettes da Canadian Football League. Uma grande aposta, que afundou ainda mais o time. Em apenas duas temporadas, o HC conseguiu um 8-8 e em 2014 um pífio 5-11.

Lovie Smith (2004-2012) e Marc Trestman (2013-2014)
Lovie Smith (2004-2012) e Marc Trestman (2013-2014)

Também foi após a temporada 2012 que um dos ícones da história recente do time, o linebacker Brian Urlacher se aposentou. 2013 era um ano novo, o inicio de um novo capítulo, nova comissão técnica, primeira temporada sem seu líder da defesa, confiança total no polêmico contrato de Jay Cutler, sendo no momento um dos quarterbacks mais bem pagos da liga.

Após duas temporadas ruins, Marc Trestman se foi, aliás, ele também já se foi do Baltimore Ravens: como coordenador ofensivo do time de Maryland, Trestman também não convenceu e foi mandado embora algumas semanas atrás. Enfim, em 2015 o Bears trouxe o bom John Fox, que havia passado as últimas 4 temporadas com o Denver Broncos. Nesse período o treinador conseguiu uma classificação esquisita para os playoffs em 2011, no mesmo ano que teve uma extraordinária vitória contra o Steelers na prorrogação do Wild Card, com Tim Tebow de signal-caller. A partir de 2012, já com a chegada de Peyton Manning, o coach e o time conseguiram um duplo 13-3 e um 12-4, sendo que em 2013, após quebrar diversos recordes de ataque, o time chegou ao Super Bowl, sendo trucidado pelo Seattle Seahawks.

John Fox
John Fox

Pois bem, a filosofia era curta e grossa… reconstruir, reconstruir e reconstruir. Nesses dois anos o time já não conta mais o WR Brandon Marshall, que teve um ótimo 2015 com o Jets e com o RB Matt Forte, que se transferiu para o mesmo Jets na última offseason.

Mas quando essa reconstrução do Bears vai começar a dar resultado?

Em 2015 o time trouxe na sétima escolha geral do draft o WR Kevin White, o melhor WR disponível naquele momento. O time precisava repor a saída de Marshall e fez uma boa escolha, o problema tem sido as conseqüências, ou eventos a partir de então. White não conseguiu ficar em campo. Perdeu toda a temporada de calouro com uma contusão, e após apenas 4 jogos da temporada 2016 e com atuações abaixo do esperado, o jogador voltou a se lesionar, ficando de fora do restante da temporada. Você escolhe um cara para desenvolver e virar um dos grandes receivers da liga, e dos 32 jogos possíveis ele joga 4. É um baita peso negativo para essa reconstrução. No fim das contas, o time ainda conseguiu um bom Draft em 2015, conseguindo utilizar jogadores de escolhas baixas, como o running back  Jeremy Langford (4ª rodada) e o safety Adrian Amos (5ª rodada).  Na temporada passada o time conseguiu ter a 14ª melhor defesa no geral, sendo a 4ª contra o jogo aéreo, porém contra o jogo corrido o time amargou a 22ª posição e em 2016 foi tentar arrumar a casa.

Na última offseason, John Fox trouxe sua cria de Denver, o inside linebacker Danny Trevathan, que liderou o Broncos em tackles na última temporada e o outside linebacker Sam Acho, que teve uma ótima temporada de calouro com o Cardinals, mas caiu de desempenho nos três anos seguintes. No Draft o time buscou na primeira rodada o bom OLB Leonard Floyd, além de reforçar a proteção a Jay Cutler, com o G Cody Whitehair. Até o momento, defensivamente o time ocupa a 9ª colocação na liga em jardas cedidas, com um pouco mais de estabilidade no jogo aéreo (11º) e jogo corrido (12º).

Pois bem, agora olhamos a semana 8 e o Bears tem uma campanha 2-6, vindo de uma ótima e maiúscula vitória sobre o rival de divisão Minnesota Vikings, porém ainda com muitos problemas. Uma das razões que podemos colocar aqui são as lesões. Um time em reconstrução ainda não tem um elenco consolidado, e com o Bears não é diferente. O time não consegue suprir as lesões de uma maneira que consiga ser competitivo e vem sofrendo com isso. O Bears também tem uma das defesas mais jovens de toda a liga, são muitos jogadores abaixo dos 25 anos e que ainda estão crus, e em desenvolvimento. Ou seja, em talento, o futuro defensivo parece ser promissor, mas de alguma maneira o time precisa se manter saudável e melhor o ataque.

4-cutler

Falando em ataque, acho que podemos falar que a era Jay Cutler definitivamente já era. Chicago precisa superar isso. É verdade que o QB já é o maior da história da franquia, porém, por mais antigo que o time seja, ele nunca foi famoso por Franchise Quarterbacks. Na temporada de 1985 o time bateu o New England Patriots no Super Bowl sendo liderado pela discutivelmente melhor defesa que o mundo da NFL já viu jogar, e o QB era o bem razoável Jim McMahon, que passou por 6 times na NFL. Em 2006, na derrota para o Indianapolis Colts de Peyton Manning no Super Bowl, o QB era o glorioso Rex Grossman, que jogou em três times em sua relativamente curta passagem (2003 a 2011) pela NFL. O jogador tem mais interceptações do que touchdowns na carreira e já jogou um Super Bowl. Pensem nisso.

Jim McMahon (esq) e Rex Grossman (dir)
Jim McMahon (esq) e Rex Grossman (dir)

Enfim, por pior que muitos achem que Jay Cutler seja, e eu entendo, ele não é tão terrível assim, porém sua era em Chicago deve chegar ao fim após essa temporada. O time precisa sim ir atrás de um novo QB no próximo Draft ou Free Agency em 2017, mas acima de tudo, o time precisa manter sua essência em construir belas defesas.

Vamos ver até quando vai a luta do Bears… se vencer todos os jogos, o time terminará com uma campanha 10-6 e chances reais de playoffs,mas sendo bem realista, a cabeça do time está mais na offseason de 2017 do que na tentativa de ressurgir das cinzas. Apesar da bela vitória no último Monday Nitgh Football, o Bears ainda é o 3º pior time da NFL, a frente de San Francisco 49ers e Cleveland Browns.

Por mais que exista uma ponta de surpresa em ver o Bears tão mal em 2016, acredito que o time tem talento para num futuro próximo poder sonhar mais alto. Precisa de boa administração, parar de insistir no que não está dando certo e recuperar sua essência. Bons drafts são essenciais para a manutenção do elenco e competitividade futura, e o front office não tem mais margens para drafts ruins. A torcida merece ver o time novamente jogando na pós-temporada e sendo uma das grandes forças do norte da NFC.

Para finalizar, se você acredita em sucesso através de histórico, John Fox já levou o Carolina Panthers (2003) e Denver Broncos (2013) ao Super Bowl. Chicago Bears é seu terceiro time e o treinador está apenas em seu segundo ano, ainda nessa filosofia de total reconstrução. O lado ruim estatístico/histórico aqui, é que o head coach perdeu ambas as participações em Super Bowls… Será que ele consegue levar o Bears à finalíssima? Bom, o fato é o seguinte, ele não está em Chicago apenas para colocar o Bears novamente nos playoffs, e também não está lá para montar um time para um novo treinador. A reconstrução uma hora precisará render bons frutos e a torcida já está cansada de esperar. Fox precisa fazer esses frutos virarem realidade num curto prazo.