NFL Draft: Análise QBs, os melhores (ou menos piores) QBs do próximo draft

Olá, amigos torcedores peles vermelhas! Acho que a esta altura todos sabem que a temporada de 2018 subiu no telhado, certo? Ninguém espera mais nada de Josh Johnson e companhia (embora, claro, vamos torcer/sofrer como sempre).

Logo, alguns torcedores começam a voltar suas atenções para a offseason e a preparação para a próxima temporada. E com a incerteza sobre a volta de Alex Smith, não acho tão pequena assim a possibilidade de irmos atrás de um QB no próximo Draft.

Mesmo que seja consenso que a qualidade da classe na posição seja pra lá de duvidosa. E sendo QB a posição mais importante no jogo, decidi começar a análise do próximo Draft por aqui.

OBS: não acho nada impossível que hajam mudanças grandes na comissão técnica e no front office. Caso isso ocorra, pretendo escrever comentando as opções de reposição para cada caso.

NFL Draft: Análise QBs

Há alguns nomes badalados que ficaram de fora dessa lista, mesmo tendo cotação alta por alguns analistas, como Daniel Jones (Duke) ou Ryan Finley (NC State). Se não está na lista, é porque não vi nada demais nele. Simples assim.

Quando produzi o texto, apenas Jarred Stidham havia se declarado para o draft. Os demais integrantes dessa lista não haviam anunciado nada oficialmente, de modo que resolvi incluí-los. Portanto, é possível que no momento que você esteja lendo esse texto, ele já esteja desatualizado.

Procurei incluir também, após a avaliação de cada prospecto, um pequeno tape (e fiz questão que fosse de 2018). Isso para que vocês possam analisar o jogador por si mesmos e possamos ter boas discussões. Espero que aproveitem.

PS: Comentem qual posição vocês gostariam que eu fizesse na próxima análise.


QUARTERBACKS

  1. Justin Herbert (Oregon)

Altura: 6’6” (1,98m)

Peso: 225 lb (102kg)

Stats: 28 TDs, 8 Interceptações, 59,6% passes completados

Comentários: Embora todos os indícios sugiram que Herbert deva voltar pro senior year no college, nenhuma decisão oficial foi anunciada ainda. Então, precisamos incluí-lo nessa lista. Herbert é indiscutivelmente o melhor QB da classe.

O único em condições de ser draftado no top 5, não sendo absurdo ser 1st overall pick. Consegue fazer progressões corretas e com o pocket limpo, seu ball placement é muito bom (mesmo em profundidade). Sob pressão, consegue ser eficiente quando mira em alvos próximos.

Tem boa mecânica de passe e protege bem a bola quando parte pro scramble. Isso quer dizer que é um prospecto perfeito? Longe disso. Se for comparar com a classe passada, eu o colocaria atrás de Baker Mayfield e Josh Rosen (à frente de Sam Darnold).

O prospecto de Oregon teve alguns problemas com fumbles em dropbacks. Sob pressão, compreensivelmente, sua precisão despenca. Principalmente quando lança em profundidade e às vezes se apavora um pouco em certas situações. Também precisa melhorar o trabalho de pés. Praticamente não teve snaps under center.

Tape do jogo Oregon x Portland St:
https://www.youtube.com/watch?v=p4xnbolFqMY&list=PLx5FAC_5gVtP7K8Eq5cGhd_dgqVnPnnii&index=2

 

  1. Dwayne Haskins (Ohio State)

Altura: 6’3” (1,90m)

Peso: 220 lb (100kg)

Stats: 47 TDs, 8 interceptações, 70.2% de passes completos

Comentários: Com o provável retorno de Herbert pro senior year no college, Haskins tem tudo pra ser o primeiro QB escolhido da classe. Haskins, porém, teve apenas UMA temporada como titular, e a NFL não gosta muito de QBs com pouca experiência na NCAA (na minha opinião, deveria voltar).

Ainda não há nenhum anúncio oficial, mas certamente a recém anunciada aposentadoria de Urban Meyer deve ter um peso sobre sua decisão. Por um lado, Meyer é inegavelmente competente e sabe desenvolver seus prospectos. Por outro lado, Haskins parece não ter o melhor dos relacionamentos com o futuro ex-técnico.

Tecnicamente, a palavra que define o jogador é inconsistência. O que, diga-se, é compreensível (e até esperado) de um jogador com apenas 13 jogos como titular. Há momentos em que demonstra talento puro, como a calma em momentos de pressão no pocket (seu rápido release é fundamental nesse momento). Ao mesmo tempo que erra passes fáceis em momentos importantes (passe desviado na linha de 2 jardas contra TCU).

Haskins também não tem medo de arriscar passes em janelas pequenas, beirando a irresponsabilidade em certos momentos. Por um lado, é desejável esta coragem (ninguém quer ficar com um novo Alex Smith), por outro lado, em excesso, podemos acabar com um James Winston (comparação técnica, não de caráter). Assim como quase todos os prospectos saindo do college, quase não teve snaps under center.

Não vejo nenhum exagero em escolher Haskins a partir da 10ª escolha (principalmente se Herbert não se declarar). Ele dificilmente passará da 20ª.

Tape do jogo Ohio St x TCU:
https://www.youtube.com/watch?v=xnyIOltHfyk&list=PLx5FAC_5gVtOADoyv-MMsiVHA9pZlD7Ls

 

  1. Will Grier (West Virginia)

Altura: 6’2” (1,88m)

Peso: 221 lb (100kg)

Stats: 38 TDs, 8 interceptações, 67% de passes completos

Comentários: Grier tem uma boa força no braço, consegue colocar a bola com alguma precisão quando consegue plantar os 2 pés antes de lançar. Gosta de passes rápidos e curtos (bom release), mas quando tenta uma bola mais longa, ela fica muito tempo no ar, o que favorece o risco de interceptação.

De longe, seu maior problema é entender o que está acontecendo na jogada. Contra Iowa St nesse ano, houve uma jogada que ele identifica corretamente uma blitz vindo da direita. Ele então desloca o RB pra direita, fortalecendo a proteção. Estando o RB no blind side, Grier o esquece completamente, se apavora com a pressão e toma o sack. Praticamente não faz leituras.

Quando o recebedor principal da jogada não consegue separação, acaba segurando demais a bola e tomando o sack (foram 24 somente nesse ano).  Sua visão limitada da jogada faz com que ignore recebedores livres com frequência. Uma escolha a partir da 50ª estaria ok para ele.

Tape do jogo West Virginia x Tennesse:
https://www.youtube.com/watch?v=_TbvORuKqxA

 

  1. Drew Lock (Missouri)

Altura: 6’3” (1,90m)

Peso: 226 lb (102kg)

Stats: 25 TDs, 8 interceptações, 63.2% de passes completos

Comentários: Lock é o típico caso que devido à ter um braço forte numa classe fraca, será escolhido muito antes do que deveria (provavelmente no primeiro round). Lembra um pouco o caso de Josh Allen ano passado, mas Lock é ainda mais cru.

Além de não ter o braço tão forte, tem uma mecânica ainda pior que do ex-QB de Wyoming. Muita dificuldade de fazer passes fugindo do pocket, mira pior e aparentemente nem tenta fazer qualquer progressão.

Mira no alvo primário da jogada e fica esperando separação. Insiders costumam frisar que Lock tem o atleticismo comparável à Jay Cutler e uma personalidade mais quieta. Não é um líder vocal no vestiário (costuma ser comparado com Eli Manning nisso).

Tape do jogo Missouri x Alabama:
https://www.youtube.com/watch?v=M5s5n0Bbaag&index=2&list=PLx5FAC_5gVtM9XKux7SVU26h1_IjYNt-P

NFL Draft 2019: Análise QBs
Alguns dos prospectos da posição de Quarteback para o NFL Draft de 2019
  1. Brett Rypien (Boise State)

Altura: 6’2” (1,88m)

Peso: 200 lb (91kg)

Stats: 30 TDs, 7 interceptações, 67% de passes completos

Comentários: O sobrinho de Mark Rypien teve uma boa evolução nesse ano e está sendo cotado por alguns analistas para o começo do dia 2. Por mais que tenhamos uma certa vontade de continuar o legado do tio, 2º round ainda é exagero para ele (3º round seria uma boa aposta).

Quando tem tempo no pocket (e quando lembra de não ficar sempre parado), Rypien consegue passes de qualidade para distâncias curtas e intermediárias. Mas não tem o braço mais forte do mundo. Quando precisa lançar aquela bola mais profunda, a tendência é que ela fique mais tempo no ar do que o necessário, o que aumenta a chance de ser interceptado.

Mesmo nas bolas curtas e intermediárias, onde costuma se sair melhor, ainda há uma certa inconsistência. Bolas atrás do recebedor em rotas laterais, por exemplo, não são incomuns. Outro problema é que não vimos Rypien ser muito pressionado. Não sabemos como lidaria em situações que poderiam ser mais perigosas.

Tape do jogo Boise State x Oklahoma St:
https://www.youtube.com/watch?v=rpo1h9PsPbk&index=1&list=PLx5FAC_5gVtMAPwllhUQBunt07XXLlwS9

 

  1. Gardner Minshew (Washington State)

Altura: 6’2” (1,88m)

Peso: 220 lb (99kg)

Stats: 36 TDs, 9 interceptações, 70.6% passes completos (quase 4500 jardas em 12 jogos)

Comentários:Os números impressionam, mas precisam ser colocados dentro de um contexto. Gardner vem de um esquema Air Raid que facilita bastante suas estatísticas. Sabe quem era seu antecessor, como pupilo de Mike Leach? Luke Faulk (que tinha números parecidos, escolhido na 6ª rodada e que nem chegou a integrar os 53 do roster do Titans no começo da temporada).

Tem um bom braço, boa mecânica mas costuma se apavorar demais sob pressão. O que o faz tomar decisões questionáveis. Com o pocket limpo, consegue trabalhar bem a região intermediária, logo atrás do setor dos ILB. Mas são apenas 12 jogos como titular. Pode até conseguir uma boa colocação no draft, mas o melhor seria aprimorar seu jogo mais um ano com Leach (mesmo que ano que vem a concorrência seja muito maior).

Tape do jogo Washington State x USC:
https://www.youtube.com/watch?v=YLn9_3ZjmiU

 

  1. Jarret Stidham (Auburn)

Altura: 6’2” (1,88m)

Peso: 210 lb (95kg)

Stats: 13 TDs, 5 interceptações, 60.1% de passes completos

Comentários: Fiquei muito dividido em colocar ou não o Stidham aqui. Porque, por um lado, o que ele mostrou até agora foi mais do que a maior parte dos outros jogadores já mostraram. Por outro lado, todas essas qualidades foram em anos anteriores. Stidham involuiu, e pela qualidade do futebol apresentado nesse ano, deveria estar em último lugar.

Discute-se até que ponto isso é culpa do esquema e de Guz Malzahn (HC de Auburn), ou apenas do próprio Stidham. O fato é, mesmo tendo despencado de desempenho e sem  voltar para o senior year, sugere que ele não acha que tem muito a ganhar continuando por lá. Até o ano passado, mostrou qualidades.

O potencial está lá, mas precisa do ambiente certo pra se desenvolver. Ironicamente, desta lista é quem mais deveria voltar pra mais um ano de college, apesar de um dos únicos que se declarou até agora. O que mais me irrita no jogo do prospecto de Auburn é a teimosia em insistir em tentar passes muito arriscados. Mesmo quando a jogada claramente não vai dar certo.

Pontos fracos

É frequente situações em que, já pressionado, insista num passe arriscado pra um jogador também marcado. Isso com o pocket completamente colapsado e Stidham correndo pela sua própria vida, todo desequilibrado . É como se aceitar um sack protegendo bem a bola fosse pior do que ser interceptado.

Outro ponto negativo é que gosta bastante de ir pro scramble (e o próprio esquema de Auburn usa bastante isso), mas pra isso, ele deveria proteger muito melhor a bola. Costuma correr com a bola afastada do corpo, não se preocupa em trocar a bola de mãos pra afastá-la de algum defensor que esteja próximo. Qualquer escolha antes do 3º dia do draft é reach pra ele.

Tape do jogo Auburn x LSU:
https://www.youtube.com/watch?v=5gmzAbxkGcs&index=2&list=PLx5FAC_5gVtOjQSA10Cn3jF863F279eJq

 

  1. Clayton Thorson (NorthWestern)

Altura: 6’4” (1,93m)

Peso: 227 lb (103kg)

Stats: 15 TDs, 14 interceptações, 60.6% de passes completos

Comentários: Thorson e Stidham foram as 2 maiores decepções que tive nesse ano. Gostava de Thorson como prospecto até o ano passado, pois achava que ele fazia tudo certinho, mesmo que não fosse espetacular em nada.

Tinha boa mecânica, boa pontaria, bom realease, boa leitura. Não tinha pontos fortes, mas também não tinha pontos fracos. Achava que seu problema eram os companheiros que não ajudavam. Desde recebedores que não conseguiam separação e quando conseguiam dropavam, até OL medíocre que permitia que ele fosse pressionado toda hora.

Pontos fracos

Infelizmente, parece que se contaminou com a mediocridade do restante do elenco. Thorson involuiu em todos os aspectos. Manteve a regularidade: foi ruim em tudo. Se fosse julgar apenas por esse ano, Thorson nem merecia entrar nessa lista. Só coloquei pra dar uma satisfação, já que tinha avaliado ele tão bem até ano passado.

Como todos os anos, alguns analistas vão sugerir que seja draftado numa escolha alta, pelo físico. Thorson tem um dos melhores portes atléticos da posição na classe. Já mostrou que com tempo de pocket, consegue fazer bons lançamentos e tem boa mobilidade (embora tenha histórico de lesão no joelho).

E tudo bem que o restante dos companheiros não ajuda, mas o próprio Thorson caiu de produção, em diversos aspectos. Sua tomada de decisões (principalmente sob pressão) tornou-se bastante questionável. Talvez a lesão no joelho tenha influenciado, mas o fato é que sua mecânica mudou e com isso a precisão dos passes caiu.  Como não tem OL, fica quase impossível avaliar suas progressões, já que ele precisa basear seu jogo em passes rápidos e curtos.

Tape do jogo Northwestern x Purdue:
https://www.youtube.com/watch?v=9pVoFj0oy1s&index=1&list=PLx5FAC_5gVtMRyEXT32PzlPJJK8svQrDY

É isso desta vez, Abraços!

#HTTR
#EuSouRedskins

texto por Cristiano Ludvig (tt: @LudvigCristiano)
revisão por Diogo Miranda (tt: @diogoniiiii)

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“Hail to the Redskins, hail victory! Braves on the warpath, fight for old D.C.!”

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