Pittsburgh Steelers é um dos times que mais vem sofrendo com as lesões nas últimas temporadas. Podemos tirar até a própria experiência em 2015, quando tivemos lesões de Ben Roethlisberger, Le’Veon Bell, Antonio Brown, DeAngelo Williams, Ryan Shazier, Senquez Golson, Shaun Suisham e dentre outras situações isoladas que não envolve lesão como Martavis Bryant, suspenso também no início do último calendário da NFL e fora de todo o ano de 2016.

A temporada regular desse ano está para começar e já estamos com alguns (vários) problemas. Senquez Golson, jogador recheado de expectativa para atuar na nossa secundária, se machucou no training camp e teve que passar por uma cirurgia no pé. A última notícia informa que em duas semanas ele deve tirar a bota de proteção na região machucada e pode voltar até antes do previsto.

Bud Dupree, primeira escolha do Draft do ano passado, veio de uma offseason forte e também já se machucou. Steelers, inclusive, o colocou no IR, contrariando a expectativa de por o Senquez Golson. Nesse caso, vale salientar que a regra na NFL para os jogadores que vão para o injury reserve mudou neste ano. Antes, o time precisava designar o jogador que iria para o IR/retorno (nome genérico) e só poderia por um. Em 2015, por exemplo, colocamos o Maurkice Pouncey e ele não voltou a temporada toda. Hoje, não precisa mais informar que atleta é esse.

Basta por no IR e apenas um pode voltar ao longo da temporada regular. Então, caso o time optasse por colocar Dupree e Golson, só um voltaria para o ano. Cameron Heyward sofreu uma lesão no tornozelo na semana 3 da preseason contra o Saints. Seu status para o jogo de segunda contra o Washington Redskins ainda é incerto. Seu reserva imediato. Ricardo Matthews, saiu sentindo o pescoço contra o Carolina Panthers, no jogo seguinte da pré­temporada. Outro que é uma incógnita.

Se não bastasse só esses dois jogadores para a DL, o rookie Javon Hargrave, que foi declarado titular na posição de DT, sentiu o quadril no treino da segunda ­feira e é mais uma interrogação no elenco do Steelers. Isso porque não citei o OLB Anthony Chickillo (pé), OT Jerald Hawkins (ombro, fora da temporada), OT Marcus Gilbert (cotovelo), TE Ladarius Green (tornozelo) e o FB Roosevelt Nix, que não participou basicamente de toda a pré-­temporada.

Tanta lesão para introduzir o texto que chega dar uma cansada, né? Sim, eu sei. Mas é para dar exatamente a noção do quanto Steelers sofrendo com essa variável do jogo. Essa BOA geração do Steelers pode ficar marcada na história da franquia como uma que não teve uma temporada inteira juntos.

E mesmo assim ainda ficamos competitivos…

Como um time que perde seu principal QB por alguns jogos, o HB dito como um dos melhores da liga e o melhor WR no jogo mais importante da temporada, como foi no Divisional Games contra o Broncos e ainda quase consegue cometer o CRIME em Denver? Lembrando que Roethlisberger participou daquela partida ultra baleado da lesão contra o Bengals no Wild Card.

Temos exemplos de bons times que sofreram com lesões em 2015 e se acabaram na temporada, casos de Baltimore Ravens e Dallas Cowboys. Qual a diferença deles para o Steelers? O que o Steelers tem que os outros NÃO tem?

É algo simples: Next man up. Confia no pessoal da casa para suprir os titulares. Isso é uma filosofia do Steelers implantada por Chuck Noll ainda na década de 70 e que ainda se mantém muito atual. Para ele, o time não tinha 11 titulares de ataque e 11 titulares de defesa. O time tinha 53 jogadores para vencer as partidas. Se só os titulares importassem, então reduzam a quantidade para 33 atletas. Isso é algo que Chuck Noll constantemente dizia para seus assistentes e valorizava os seus jogadores.

Tony Dungy (esquerda) e Chuck Noll (centro)

Um desses assistentes na época era o grande Tony Dungy, que ficou no Steelers entre 1981 e 1988, trabalhando como defensive backs coach e coordenador da defesa. Essa foi uma lição valiosa que ele levou para sua carreira de HC, que começou em 1996 no Tampa Bay Buccaneers.

Fazendo o trabalho semelhante ao de Noll, procurando valorizar seus atletas e compartilhando a visão do next man up com seus assistentes, tinha um rapaz novo e franzino que ouvia atentamente o que Dungy falava nos encontros. Quem era ele? Sim, Mike Tomlin, que trabalhou com o ex-­HC do Colts só em 2001 em Tampa mas que foi o suficiente para firmar esse pensamento na sua cabeça.

Mike Tomlin em 2001

Alguns anos depois, em 2007, o ainda desconhecido Mike Tomlin desembarcava em Pittsburgh para ser o terceiro HC da franquia nos últimos 45 anos (Bill Cowher treinou a equipe entre 1992 e 2006). Claramente já vimos aqui que a escolha do treinador não foi algo “por acaso”. É um cara identificado com os valores da franquia e daria continuidade na mentalidade vencedora que faz com que o Steelers seja a equipe mais vitoriosa da NFL.

Next man up” parece até algo clichê, mas os times ainda parecem desdenhar muito. O talento está mais perto do que você imagina e aqui temos um caso de sucesso, sem maiores problemas, com uma mentalidade inserida desde a década de 70.