Há alguns meses dediquei uma coluna inteira para Lamar Jackson, e não tem como não voltar a mencioná-lo. Ainda mais após as conquistas do Heisman Trophy e Maxwell Award. Anteriormente, havia criticado algumas decisões dele no pocket e a precisão de seus passes. E não podemos esquecer da necessidade que mencionei, dele ganhar mais físico para estar apto a NFL em 2018. Mas Lamar Jackson mereceu o Heisman Trophy?

Neste ano de 2016, Jackson realmente me surpreendeu. A experiência adquirida durante as partidas, e o domínio total das habilidades de jogo, o transformaram em um excelente jogador de futebol americano, e um quarterback em ascensão.

Durante sua temporada de sophomore, ele alcançou em 12 partidas passando bolas 3390 jardas em 220 passes completados. Faço um destaque aqui para seus 30 touchdowns, e seu baixo número de interceptações, apenas 9. Este índice baixíssimo de interceptações, para um quarterback de College é extremamente importante e interessante. Isso também demonstrou, que o processo decisório de passe dele tem amadurecido e suas leituras tem sido mais correta. Mas ainda seu aproveitamento em passes continua baixo, com apenas 57,6%.

Agora aqui foi o fator decisivo para dar o Heisman para Jackson. Correndo com a bola, em 234 tentativas, foram incríveis 1538 jardas, com um índice de aproveitamento em jardas por carregadas de 6.6. Estas carregadas foram responsáveis por 21 touchdowns. Este último número o colocou em quarto na FBS como o jogador que fez mais TDs corridos.

Números impressionantes, inclusive superiores aos de Cam Newton em seu ano de Heisman em 2010. Para mostrar como foi incrível o que Jackson fez, em comparação com Tim Tebow, que teve uma brilhante carreira universitária, em seu ano de vencedor como melhor jogador do campeonato universitário, o quarterback de Louisville ganhou em todos os quesitos e perdeu apenas na quantidade de touchdowns corridos, nos quais o Tebow conseguiu 23.

As credenciais de Jackson são fortes e consistentes. Porém, seus concorrentes também foram muito bem. Jabrill Peppers foi o melhor defensor do campeonato, embora alguns avaliadores não concordem, e foi extremamente eficaz, mas não consegui repetir o feito de seu irmão de alma mater Charles Woodson, que ganhou o Heisman como defensor em 1998. A dupla de Oklahoma também fez algo interessante, Mayfield e Westbrook, e juntos foram responsáveis pelo forte e mortal ataque de Oklahoma. Além de Deshaun Watson, que não fez um ano tão extraordinário quanto 2015, mas teve um bom ano, que o colocou entre os grandes candidatos a first pick do Draft 2017.

De todos estes concorrentes, o que mais fez uma briga forte com Jackson, foi o também mencionado aqui, Jabrill Peppers. A versatilidade e o ímpeto, o construíram para esta briga e como um dos melhores prospectos do próximo Draft, e o um dos meus jogadores prediletos.

Sep 9, 2016; Syracuse, NY, USA; Louisville Cardinals quarterback Lamar Jackson (8) leaps over Syracuse Orange defensive back Cordell Hudson (20) during the second quarter at the Carrier Dome. Mandatory Credit: Rich Barnes-USA TODAY Sports ORG XMIT: USATSI-269760 ORIG FILE ID:  20160909_krj_ai8_102.JPG

Eu acho que tenho uma implicância com Lamar Jackson, assim como quase todos os quarterbacks que possuem como principal característica as habilidades correndo com a bola, mas não tem como não terminar este texto, respondendo que ele mereceu. O quarterback de Louisville foi o melhor jogador do campeonato universitário, e também foi fundamental para as ambições da universidade do estado do Kentucky.

Ele possui muitas qualidades, e você assistindo seu jogo e lendo o box score, você confirma isso. Mas a maior relevância dele foi a imposição de seu ritmo de jogo através da explosão. A intensidade que transformou defensores fortes e talentosos em medíocres. Intensidade esta que transformou Louisville. Bobby Petrino, o head coach de Louisville, não tinha uma equipe muita talentosa. O ataque tinha deficiências de proteções e a defesa precisava corrigir o pass rush que evoluiu durante a temporada. Mas Petrino analisando sua equipe, foi inteligente em dar toda a liberdade e segurança para que o camisa 8, pudesse fazer um ano tão impressionante.

Em 2017, com o aprimoramento físico e calibração de seu braço, Lamar Jackson pode repetir este ano e se tornar o melhor quarterback universitário. Os holofotes e os defensores dificultaram sua vida no próximo ano. Mas seu estilo explosivo o cercará, para esta luta. Já que mais uma vez, a equipe de Louisville não terá uma equipe tão forte, que a colocará entre as favoritas. Os principais objetivos dos Cardinals será a vontade de Jackson de manter o foco, ainda mais em um ano que o coloca como elegível para o próximo Draft.

Por minha percepção, o próximo ano de Lamar será mais light. O olho no Draft pode deixa-lo mais fixo no pocket, brecha esta que podem melhorar sua mecânica de passe. Haverá um aumento de interceptações, mas com preocupação em evitar o contato, pode ser uma boa para melhorar suas habilidades como quarterback. Acho também que ele voltará mais forte da preseason, tanto para dar mais força para arrancar com a bola como para dar mais confiança para encarar os gigantescos pass rushers da NFL.

Antes de 2017 começar, ainda temos mais uma oportunidade de assistir este jogador fantástico, pela disputa do Citrus Bowl contra LSU, no dia 31/12. 

Veja alguns vídeos de Lamar Jackson em ação tanto pelo High School quanto por Louisville.