Nesta semana Louisville esteve de folga na NCAA, e, após estas cinco partidas, a equipe do Kentucky alcançou quatro vitórias e teve uma derrota previsível para Clemson. Apesar disso, a coisa que mais chama atenção no início desta temporada é um jogador. Para ser mais específico o quarterback Lamar Jackson.

Nesta temporada ele tem sido a maior esperança de sua universidade na briga pela ACC, e quem sabe caminhar mais longe, rumo aos playoffs. Muitos especialistas o colocam como o melhor jogador do campeonato até aqui, superando inclusive o favorito Deshaun Watson e o excelente quarterback de Ohio State, J.T Barrett.

Jackson está em sua segunda temporada no College, por isso não ser apontado nos mock draft’s como um first rounder em 2017. Ele só pode participar do draft da NFL três anos após sua saída do high school, portanto, em 2018, ele é figurinha carimbada.

Muitos comentaristas e colunistas o compararam a Cam Newton em seus tempos de Blinn e Auburn, mas os mais pés no chão, o encaixam no patamar de Michael Vick. Estas comparações são devidas as suas habilidades com os pés e seus passes seguros de média distância. Em contrapartida, existem algumas críticas em relação a sua força física, que ainda deixa a desejar.

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Lamar Jackson pré-Lousiville

Este excelente prospecto tem dezenove anos e é natural de Pompano Beach, sul do Estado da Flórida. Disputou o high school em Boynton Beach Community High School. Suas estatísticas são muito boas correndo e irregulares passando. Em duas temporadas atingiu 2263 jardas com um aproveitamento de passe em 47%. Ele conseguiu 31 touchdowns e 9 intercepções. Com as pernas, ganhou 1624 jardas, e incríveis 22 TDs durante suas carregadas.

Foi recrutado por Petrino, headcoach de Louisville, como um talento de quatro estrelas. Foi sondado por 15 programas, mas o que mais mostraram interesse e tentaram a disputa foram Nebraska, Florida e Mississippi State.

Desempenho no college

Jackson chegou a Louisville com a missão de repor a saída do QB e grande estrela do programa até ali, Teddy Bridgewater, para a NFL. Com a insegurança passada pela incompetência do QB Kyle Bolin, já chegou e logo assumiu a posição de QB titular.

Em 17 jogos disputados pelos Cardinals, conseguiu através dos passes 3465 jardas em 236 tentativas. Seus lançamentos deram origem a 26 TDs e 12 interceptações. Seu aproveitamento nos passes obteve uma melhora, porém ainda está abaixo da média para um prospecto de seu nível (ele acertou apenas 56,6%). Com seu jogo corrido já conquistou 1648 jardas, em 255 tentativas, com 25 TDs.

Suas atuações de gala o tem colocado com o principal favorito ao Heisman. Dos dez especialistas da ESPN convidados a opinar sobre a premiação, nove o colocaram no topo e como vencedor do prêmio. Além de arrebatar os corações da equipe da ESPN, ele tem simplesmente destruído as defesas da ACC. Suas atuações mais surpreendentes foram encarando Flórida State e Charlotte.

Jackson tem sido dominante, e seu talento e evolução da temporada passada para cá são evidentes. Se sua curva de desenvolvimento continuar nesta progressão, o vejo como principal QB este ano, e o vejo entrando na NFL em 2018, um ano antes da média, e preenchendo a principal escolha do draft deste ano.

 

Seu estilo de jogo

Vejo que pelo seu biótipo, o comparo mais a Michael Vick. Não o considero o atleta que Cam Newton foi no College. Lamar Jackson precisa ganhar mais corpo para encarar as linhas defensivas da NFL, que ano a ano tem se tornados mais fortes e rápidas. É preciso massa muscular para jogadores como ele, que utilizam as corridas e o contato com a defesa adversária.

Passando a bola, Jackson é um bom valor. Gosto de sua dinâmica e mecânica de passe. Possui muito talento para expandir seu desempenho, mas o que mais preocupa neste quesito é o aproveitamento dos passes e lançamentos longos. Ele muitas vezes faz escolhas ruins e não consegue medir o tempo certo das rotas. Muitas vezes escolhe mal, mesmo a linha ofensiva de Louisville sendo regular e dando tempo para as coisas acontecerem.

A NFL é aérea, e a para ser um quarterback de elite na liga, deve-se possuir um aproveitamento em média acima de 65%. Lamar Jackson melhorou seu aproveitamento do high scholl para o college, indo de 54,7% em 2015, para 59,4% este ano. Este problema também era comum em Michael Vick, que, por Virginia Tech, obteve um aproveitamento médio de passe de 56,6%.

Em relação aos passes longos, é uma falha dele ou incerteza mesmo. James Quick e Jamari Staples, são bons alvos para este tipo de bola. É algo que ele precisa se atentar, pois a NFL exige braço. A função de recebedores em profundidade tem ganhado muito destaque.

Seu desempenho no pocket me agrada, apesar de discordar de algumas leituras. O vejo tranquilo. Esta qualidade tem sido comum nos últimos prospectos da posição de QB que vão para a NFL. Ele também sabe sair muito bem dos pass rushers, através dos dribles e da paciência.

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Correndo este garoto é incrível. Calma para quebrar os tackles, dribles e perseverança. Ele não tem medo do contato, isso me assusta um pouco. Em uma liga tão focada em destruir os QBs como a NFL, isso pode custar partidas e fumbles, mas é a característica e a equipe que draftá-lo terá que responder pelas escolhas de Jackson.

Com uma linha segura e consistente, este rapaz pode ganhar jogos sozinhos. Bobby Petrino o escolheu para Louisville devido sua boa experiência com Bridgewater em 2013 e 2014. Com um esquema já focado para dar esta liberdade ao QB, Lamar Jackson chegou no lugar certo. A malícia e tranquilidade de Petrino com esta característica de jogo podem desenvolvê-lo eficientemente.

Ele tem apenas 19 anos. É jovem e talentoso. Em 2018, tenho certeza que teremos um jogador mais equilibrado e pronto. Ele ganhará corpo e uma compreensão mais racional do jogo.

Ele pode ser um first pick em 2018?

Pensando no hoje, não. Ele precisa se tornar um passador mais seguro e produtivo. Jackson não terá os espaços necessários para ganhar os jogos como ele tem hoje. As linhas defensivas do college são no geral deficitárias, mas, por exemplo, se pegar linhas agressivas como de Denver, ou cheia de blitzes como o Steelers, será esmagado em suas tentativas de corrida.

Com um passe melhor, ele pode ser mais útil e suas corridas podem ser focadas em situações específicas. QBs bom com os pés atualmente, tem tido uma melhora forte com as mãos, vide Russell Wilson. Se ele não aprender isso, ele poderá ser um novo Kaepernick.

Pensando em talentos no geral, vejo nomes mais qualificados que ele. Podemos citar por exemplo, o excelente pass rusher Arden Key ou Derwin James de Florida State. Pensando em quarterbacks, vejo Josh Rosen mais talentoso que Jackson e Jake Browning mais preparado.

Lamar Jackson é um excelente jogador, porém, só o tempo dirá, se estou falando de um first pick, ou não. Ele precisa melhorar muito para ser um franchise QB. Mas analisando hoje, ele está jogando muito. Sua superioridade frente as defesas adversárias é nítida e muitas vezes escandalosas. Essa “doutrinação”, como diria Rômulo Mendonça, pode ganhar muitos jogos para Louisville, e, quem sabe, ele seja a chave para os playoffs da equipe do Kentucky.