Na última semana, a Forbes revelou seus números anuais sobre os valores das franquias nos esportes. E para a surpresa de poucos, o Knicks se mantém no topo da NBA com o valor aproximado de $4,6 bilhões de dólares. Já é conhecido que cidades como Nova York ou Los Angeles são os destinos preferidos dos atletas em geral; e com isso, cidades menores acabam por perder atrativo e não conseguem atrair bons free agents.

Mas por que o New York Knicks não consegue mais ser uma franquia atrativa? Por que os Knicks não consegue se manter competitivos como anteriormente nos anos 90? Como uma das franquias mais populares da NBA está onde está?

Para entender um pouco dessa história, é necessário voltar no tempo. Mais precisamente até 2001, quando a equipe iniciou seu colapso. Após a derrota para os Spurs nas finais da NBA em 1999, conseguiu alcançar as finais de conferência em 2000 e as semi finais em 2001, mas a partir dai, foi só ladeira abaixo; mesmo se classificando para os playoffs em 2004 (no qual foi eliminado na primeira rodada).

DRAFTS FRACOS MESMO COM BOAS POSIÇÕES

Apesar de sempre figurar entre os times de loteria, o Knicks parece não fazer bom proveito de seus drafts. Desde 2000, a equive teve NOVE picks no top 10 e mesmo assim não “acertou” na escolha.

  • Nenê Hilario com a sétima escolha em 2002 (Amar’e Stoudemire foi a nona escolha): Nem chegou a jogar, pois já havia sido feito uma troca com os Nuggets
  • Mike Sweetney com a nona escolha de 2003 (David West foi a décima oitava escolha): Permaneceu durante dois anos, jogando 119 partidas e apenas 29 como titular. Foi trocado com o Chicago Bulls em 2005;
  • Channing Frye com a oitava escolha de 2005 (Andrew Bynum foi a décima escolha): Jogou duas temporadas nos Knicks, onde teve números razoáveis de média com 10.8 pontos e 5.6 rebotes. Trocado em 2007 com os Blazers por Zach Randolph;
  • Danilo Gallinari com a sexta escolha de 2008 (DeAndre Jordan foi trigésima quinta escolha): Trocado com os Nuggets no meio da temporada de 2010 naquela blockbuster trade por Carmelo Anthony. Nos dois anos e meio que passou em Nova York, fez bons números. Foram 13.7 pontos, 4.3 rebotes e 1.5 assistências de média;
  • Jordan Hill com a oitava escolha de 2009 (DeMar DeRozan foi a nona escolha): Um bust total em Nova York. Foi incluído na troca de três times que levou Tracy McGrady para os Knicks em 2010. Jogou apenas sua temporada de calouro pelo time azul-laranja com médias de 4 pontos por jogo em 24 partidas disputadas;
  • Kristaps Porziņģis com a quarta escolha de 2015: Finalmente o Knicks acertaria em um draft. Foram três temporadas com a equipe de Nova York, onde ele conseguiu ser All-Rookie first team em sua temporada de calouro e em 2018 foi eleito all-star. Suas médias eram de um franchise player em desenvolvimento, com 17.8 pontos, dois tocos, 7.1 rebores e 1.3 assistências. No entanto, passou o ano 2019 lesionado e foi trocado com os Mavs no meio da temporada do ano passado. A ideia erá abrir cap space para os grandes nomes que seriam free agents. Terminou sem Porziņģis e sem Durant/Zion/Kawhi/Irving.
  • Frank Ntilikina com a oitava escolha de 2017 (Donovan Mitchell foi a décima terceira e Bam Adebayo foi a décima quarta): Ainda é um knick, mas pensar que poderia ter sido Mitchell o escolhido dói no coração do torcedor novaiorquino. Ainda não conseguiu se firmar no elenco e é bem criticado pela torcida. Sua médias até o momento: 5.8 pontos, três assistências e 2.2 rebotes.
  • Kevin Knox com a sétima escolha de 2018 (Shai Gilgeous-Alexander na décima primeira escolha): Ok, aqui talvez ainda seja cedo para dizer. Knox se demonstra um bom jogador e ainda pode evoluir, mas vendo Shai sendo importante para OKC e conduzindo sua equipe as vitorias, fica difícil pensar que Knox foi a escolha correta. Sua temporada de calouro animou, mas vem fazendo um fraco 2019/2020. Tem médias de 10.3 pontos e 3.8 rebotes.
  • RJ Barrett com a terceira escolha de 2019: Com a pior campanha de 2018/2019, os Knicks tinha (juntamente com Suns e Cavs) a maior probabilidade de ganhar na loteria do Draft e realizar o sonho de draftar Zion. Resultado? Os Knicks cairam para a terceira escolha e tiveram que se contentar com RJ Barrett. Com hype alto por ser um torcedor novaiorquino e ter feito um ótimo college, os fãs estavam satisfeitos. Porém, comparado a Zion Williamson (que voltou de lesão há poucas semanas e já mostra o porque de ser o maior prospecto desde LeBron James) e Ja Morant, que está levando os Grizzlies para os playoffs até o momento; um sabor amargo aparece na boca dos torcedores de Nova York. É sua temporada de calouro, então é necessário paciência. Fez algumas boas apresentações e poderá ser um pilar nessa Knicks em eterna reconstrução. Sua médias até o momento: 13.6 pontos, 5.1 rebotes e 2.4 assistências.

TROCAS CONSTANTES DE COMANDO E PLAYOFFS DE 2013

Desde 1999, foram oito general managers e treze head coaches que passaram por Nova York. Desde renomados como Phil Jackson, Donnie Walsh e Mike D’Antoni até as apostas David Fizdale e Steve Mills (esse demitido semanas atrás). No entanto, nenhum deles conseguiu trazer os holofotes de volta a Nova York.

O que deu pequenas esperanças ao torcedor novaiorquino foi a trade por Carmelo Anthony em 2011. Envolvendo muitos jogadores, muitas picks e três times, Melo foi fazer dupla com Amar’e Stoudemire em Nova York. Após sete anos fora dos playoffs, os Knicks voltaram a pós-temporada em 2011 e 2012, mas foram eliminados logo no primeiro round.

Em 2013, todos pensavam que seria o ano dos Knicks pelo menos voltar às finais de conferência. Raymond Felton, Tyson Chandler, J.R. Smith, Jason Kidd, Amar’e Stoudemire, Rasheed Wallace voltando da aposentadoria e, é claro, o cestinha da temporada regular de toda NBA: Carmelo Anthony. Desde os titulares, até a segunda unidade, era um time renomado e que fez uma ótima temporada regular.

Foram 54 vitórias e 28 derrotas, o primeiro lugar na divisão do Atlântico e o segundo lugar na Conferência Leste atrás apenas do Heat de LeBron James e Dwayne Wade. Com a classificação aos playoffs, a equipe enfrentaria um de seus maiores rivais, o Boston Celtics, que já estava sem seu big three. E após onze anos, voltaria vencer uma série de playoffs por 4-2.

Pela frente, na semi, o principal rival dos Knicks, o Indiana Pacers das batalhas com Reggie Miller e de sua estrela em ascensão, Paul George. A série ficou marcada pela cobertura da imprensa novaiorquina, que travava o jogo como uma revanche particular após as várias batalhas travadas nos anos 90. Mesmo com a vantagem de quadra, os Knicks pipocaram e viram um aguerrido Pacers, mesmo sem tantos grandes nomes, vencer a série por 4-2; parando por ali o sonho novaiorquino de desafiar o Miami Heat. O time se desmanchou e desde 18 de maio de 2013, não sabe o que é jogar playoffs.

SEM ESTABILIDADE, SEM “ATRATIVIDADE”

Marcado por ter um front office que não consegue fazer boas escolhas, é difícil criar uma estabilidade quando seu emprego depende de James Dolan. O dono do Knicks desde 1999 comete erros atrás de erros e simplesmente não consegue fazer com que seja um time atrativo de fato.

Só um pequeno exemplo: Durante a offseason passada, os Knicks tinham cap suficiente para trazer dois contratos máximos. O maior sonho? Kevin Durant. E um longo “namoro” entre torcida, Knicks e Durant foi-se desenhado pela imprensa americana. E adivinhem: Durant em Nova York, porém no outro time da cidade, o Brooklyn Nets. Durante uma entrevista no ano passado, ele respondeu porque disse não aos Knicks:

“Eu acredito que muitos fãs olham para os Knicks e esperam que os jovens, que nunca viram esse time ser bom, escolham eles. Eu vi os Knicks irem para as finais, mas os jovens ainda não viram isso. Toda essa marca do New York Knicks não é tão legal quanto o Golden State Warriors, o Los Angeles Lakers ou até mesmo os Nets. Eles não são tão legais agora”.

Nem Durant, nem Irving, nem D’Lo, nem Leonard, nem Kemba. Ninguém quis assinar com os Knicks. Ou seja, o atual fracasso dos Knicks, faz com que o time se torne menos atrativo; apesar de estar situado em Nova York, a maior cidade dos Estados Unidos e com uma base de fãs apaixonada.

Steve Mills foi demitido no início de fevereiro deste ano, já visando a próxima temporada. Cabe agora a Dolan fazer escolhas certas, criar um projeto e focar nele. Afinal, é inadmissível uma equipe do tamanho do Knicks continuar dando vexames dessa forma e estar tanto tempo fora dos playoffs.

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