Incógnita: p.ext. aquilo que se desconhece e se busca saber.

Incógnita. Esta é sem sombra de dúvidas a melhor palavra para descrever Sam Bradford. Um quarterback que chegou à NFL com status de salvador em 2010. Um prospecto incrível, segundo jogador da história a vencer o Heisman Trophy no segundo ano de College, detentor da maioria dos recordes da Universidade de Oklahoma e com certeza um dos melhores jogadores que vestiram o uniforme alvirrubro dos Sooners.

Chegou em 2010 aos Rams através da 1° escolha geral do draft e de cara foi apontado como um jogador que tinha tudo para se tornar um dos grandes. E ele mostrou que era capaz. Era.

Em sua primeira temporada foram 16 partidas com 3,512 jardas aéreas, 18 touchdowns e 15 interceptações. O recorde da maior sequência de passes consecutivos por um calouro sem ser interceptado (169) e o prêmio de calouro ofensivo do ano empolgaram os torcedores e todos aqueles que ansiavam por mais um grande jogador na liga. Vale lembrar que a essa altura ele já havia assinado o maior contrato já oferecido a um rookie: 6 anos por U$ 78M com U$ 50M garantidos (com bônus e outras garantias o contrato total poderia chegar a U$ 86M).

Em 2011, uma entorse no tornozelo tirou Bradford de parte da temporada regular, o que resultou em uma campanha de apenas duas vitórias para o Rams. 2012 chegou e as expectativas de uma temporada completa com o quarterback salvador eram imensas. 3,702 jardas aéreas, 21 touchdowns e apenas 13 interceptações. Para nível de comparação, Cam Newton lançou 3,379 jardas, 24 touchdowns e 13 interceptações em sua terceira temporada na NFL. A campanha terminou com 7 vitórias, 8 derrotas e um empate.

Começando a ser contestado em 2013, o mais velho e experiente Sam teve um começo de temporada avassalador, mas novamente uma lesão viria para encerrar o bom momento do eterno prospecto de Oklahoma. Ligamento cruzado anterior e mais uma temporada incompleta. As críticas começaram a surgir e a desconfiança se sobressaiu. Este foi o começo do fim para Bradford.

2014 mal havia começado e o quarterback sofreu com o mal do ligamento cruzado anterior novamente. Pela terceira vez em cinco anos na liga, o camisa 8 veria aos jogos nos camarotes do Edward Jones Dome. Se alguma paciência restava aos torcedores e aos dirigentes, ela havia se esgotado. Lembram do contrato milionário que o Rams assinou com Bradford? Completando apenas duas temporadas em cinco que vestiu o uniforme dos bodes, Sam barganhou um total de U$ 65,1M.

Para se reerguer, ele foi trocado com o Philadelphia Eagles em uma das manobras mais ousadas que o técnico Chip Kelly fez na equipe da Pensilvânia. Além de ousada, ela era incerta. Ninguém sabia se Bradford se manteria saudável, tanto que um dos termos da troca era justamente o número de jogos que ele faria (nem mesmo o Eagles acreditava que ele se manteria bem). A temporada não foi das piores: 14 jogos, 3,725 jardas aéreas, 19 touchdowns e 14 interceptações. Vitórias consistentes e até pouco prováveis (vide o 35-28 em cima dos Patriots) deram a impressão de que finalmente o menino de Oklahoma tinha achado seu lugar.

Chegamos a 2016. Mais especificamente em 1 de março de 2016. U$ 36M por dois anos com U$ 26M garantidos. Recapitulando, Bradford entrou na liga em 2010, teve 63 starts (de 96 possíveis), 14,790 jardas aéreas, 78 touchdowns e 52 interceptações. Mesmo sem ter se firmado como um quarterback, o Eagles aceitou parte da pedida salarial de Sam (bem alta por sinal). O Eagles fez um favor a Bradford.

Avançando pouco mais de um mês, no dia 20 de abril, vemos que o tiro saiu pela culatra (ou não). O Eagles negocia com o Cleveland Browns e sobe para a segunda escolha geral do Draft 2016. Todos sabemos que o Eagles quer draftar Carson Wentz ou Jared Goff. Vendo a situação, o “charlatão” Sam Bradford avisa que não se apresentará para a pré-temporada, pois quer ser trocado. Com cálculos feitos por cima, o quarterback ganharia ao menos U$ 11M do caso consiga tal troca, mesmo sem ter pisado em campo pelas águias da Filadélfia na temporada 16/17 (fora os U$ 7M que a equipe que o trouxesse pagaria).

Incógnita. Essa é a melhor palavra para definir Sam Bradford. Um jogador que nunca mostrou de fato ser capaz de jogar em alto nível na NFL, mas se mostrou um ótimo negociador de gigantescos contratos com enormes quantias garantidas. Além de não mostrar suas qualidades em campo, Bradford se mostrou um homem ingrato e inseguro, afinal de contas, é muito mais fácil ser trocado para jogar (ou não) em um time, sem competição e levando milhões de dólares. Sam Bradford, você é uma incógnita que não quer ser resolvida.

  • Eu acho que maior que incógnita que o menino Sam, é o próprio Eagles. Esses são uma grande incógnita.

  • Guilherme Silva

    Acho o Sam Bradford bem meia boca igual ao time do Eagles, e a questão da troca dele é uma via de mão dupla, o Eagles demonstrou claramente que não confia no seu QB, uma vez que subiu no draft para claramente pegar um dos QB’s disponíveis.

  • Pingback: Sam Bradford ataca novamente... - Fumble na Net()