“WITH THE ELEVENTH PICK OF THE 2017 NFL DRAFT THE NEW ORLEANS SELECT: MARSHON LATTIMORE!”

Com essa frase o comissário Roger Godell anunciou uma das esperanças do torcedor do Saints para o início de uma revolução defensiva no time. Com a 31°/2015 e 32°/2016 jardas aéreas concedidas da NFL, a secundária era uma das prioridades do Head Coach Sean Payton para essa offseason.

Depois de 2 temporadas perdidas por sérias e repetidas lesões da musculatura posterior da coxa (hamstring) o cornerback de Ohio State Buckeyes jogou todos 13 jogos de sua temporada de Redshirted Sophomore (3° ano) produzindo 4 interceptações sendo 1 delas para touchdown e 9 pass breakups. De acordo com o site Pro Football Focus, Lattimore permitiu apenas 2 recepções em rotas longas e um passer rating de 30,2 em passes lançados na sua cobertura. Ao final da temporada se declarou para o draft de 2017 sendo considerado o principal prospecto da posição para grande maioria de analistas.

Mas, afinal, o que ele tem de especial? Quais as características que fazem dele um prospecto cotado para as primeiras escolhas do draft? Quais seus defeitos? E como as habilidades e características dele podem ser transferidas para o próximo nível?

QUALIDADES:

VELOCIDADE

Com o terceiro melhor 40 DASH no combine de 2017, Lattimore correu 4,36 segundos, tempo suficiente para empolgar os Head Coaches e General Managers em Indianapolis. No tape a velocidade funcional é vista principalmente ao acompanhar passada a passada os wide receivers em rotas longas como na jogada abaixo contra Penn State:

No terceiro jogo da temporada, ainda um desconhecido, contra Baker Mayfield quarterback do Oklahoma Sooners, Lattimore mostrou que estava disposto a compensar as duas temporadas perdidas. Na jogada abaixo alinhando em marcação pressão ele apostou corrida e em nenhum momento deu chance para o wide receiver, finalizando a jogada com uma interceptação revertida para passe incompleto após revisão da equipe de arbitragem:

EXPLOSÃO E ACELERAÇAO

Ainda contra o time de Oklahoma ele entrou no radar dos analistas na conversa para o draft de 2017, na interceptação abaixo mostrou aceleração em curto espaço e explosão para fazer a jogada:

Contra o time de Nebraska, Lattimore usou essas características do seu jogo para fazer a jogada em um belo esforço final. Após permitir separação do wide receiver, no topo da rota ele usa dos seus atributos físicos para explodir em um último impulso forçando o passe incompleto na jogada:

AGILIDADE E TROCA DE DIREÇÃO

Principalmente contra rotas curtas e intermediárias é essencial a fluidez e mobilidade de quadril para acompanhar os wide receivers espelhando a rota e se mantendo em posição para fazer a jogada na bola. Contra rotas slant, Lattimore permitiu um absurdo 2,8 passer rating aos quarterbacks adversários. Na jogada abaixo percebe-se a capacidade de se manter junto do adversário em posição para desviar a bola, permitindo a interceptação retornada para touchdown do companheiro de secundária:

O coordenador defensivo Dennis Allen teve a oportunidade de avaliar essa habilidade do jogador durante os drills do NFL Combine 2017 e Pro Day do Ohio State Buckeyes:

FISICALIDADE E TACKLING

Alinhando em marcação pressão na grande maioria das vezes pelos Buckeyes, o tape de Lattimore mostra um jogador com força física, boa técnica nos tackles e bastante empenho contra o jogo corrido. Contra Clemson, na jogada abaixo, após diagnosticar o Jet Sweep ele mostra atleticismo para escapar do bloqueio do wide receiver além de muita técnica e força com tackle seguro na altura da cintura para interromper o ganho de jardas:

Além do apoio ao jogo corrido, Lattimore também é um fator em blitz. Nesta jogada contra Penn St marcando pressão na linha de scrimmage ele parte rapidamente em blitz surpreendendo e sacando o quarterback adversário:

DÚVIDAS:

POSIÇÕES E VERSATILIDADE

Durante seu período em Ohio State, Lattimore foi usado quase que exclusivamente como Right Outside Cornerback, sendo poucas vezes utilizado no lado esquerdo e raramente na posição de Slot Cornerback. Apesar de mostrar a agilidade e fluidez necessárias para marcar os Slot Receivers da NFL, é uma questão não vista em seu período de College Football.

USO DE MÃOS

Apesar de extremamente eficiente na marcação homem a homem com pressão na linha de scrimmage, poucas vezes se observa o uso de mãos aproveitando as primeiras jardas de contato com o wide receiver. Em alguns momentos o uso tecnicamente deficiente prejudica o equilíbrio no prosseguimento da jogada:

No jogo contra Michigan o wide receiver Amara Darboh, draftado pelo Seahawks, aproveitou a ausência de contato durante o release, com uma finta forçou comprometimento de Lattimore para lateral e recebeu passe para o touchdown com rota cruzada para o meio do campo:

LESÕES E ONE YEAR WONDER

Como já mencionado no início do artigo, Lattimore surgiu como one year wonder após ter jogado apenas 6 jogos nos primeiros 2 anos de college. Em 2014 teve uma ruptura da musculatura posterior da coxa esquerda em que passou por cirurgia e perdeu todos os jogos da temporada, e em 2015 teve a temporada abreviada por nova lesão de posterior da coxa, dessa vez na direita e sem necessidade de cirurgia.

CONCLUSÃO

Inquestionavelmente talentoso e com atleticismo natural acima da curva, Marshon Lattimore definitivamente merece todos elogios e reconhecimento como melhor prospecto da turma de cornerbacks de 2017. Jogando em uma posição com transição difícil e gradual para o próximo nível, deve ter sua responsabilidade aumentada precocemente pela escassez de talento na secundária do New Orleans Saints. A esperança é que tenha uma rápida evolução técnica e absorção do playbook para que possa assumir, ainda durante a primeira metade da temporada de 2017, a posição de outside cornerback do time que enfrenta uma divisão com wide receivers do calibre de Julio Jones, Mike Evans e Kelvin Benjamin.