Infelizmente acabou o período em que os jogadores de futebol americano universitário são selecionados em um super evento como o draft. Nesse texto irei avaliar as movimentações de Mickey Loomis e Sean Payton, dando notas a cada uma das escolhas, incluindo um breve comentário sobre as aquisições de undrafted players. O critério das avaliações não é apenas dos jogadores escolhidos, mas também é levado em conta a disponibilidade de outros atletas que poderiam se encaixar melhor na equipe. Antes de começar o texto já adianto, não existe o draft perfeito, e levando em conta os rumos que poderiam ter sido tomados, irei mostrar que este foi um draft que nos permite ficar otimistas.

11ª Escolha – Marshon Lattimore – Cornerback – Ohio ST

Em meu penúltimo texto classifiquei Lattimore como o “Jogador ideal” dizendo que seria improvável ele estar disponível na altura em que o Saints estivesse no relógio. Mas surpresa! O melhor cornerback de uma classe muito profunda caiu para a Who Dat Nation, e seria um desperdício sem tamanho se o deixassem passar. Em Ohio, Lattimore se mostrou um cornerback completo, que possue muita velocidade, uma ótima impulsão e uma ótima técnica. Apesar de ele ter alguns pontos de interrogação como a falta de experiência e algumas lesões que o afetaram na sua carreira universitária, acredito que ele chega já para ser titular em seu primeiro ano.

Nota: 9,5

32ª Escolha – Ryan Ramczyk – Tackle – Wisconsin

Passado o susto inicial e analisando mais friamente essa escolha, conclui-se que está longe de ser o desastre que muitos falaram. É claro que é frustrante ter Reuben Foster, o melhor linebacker do draft tão perto e vê-lo ser selecionado uma escolha antes. Mas como ninguém viu uma troca entre Seahawks e 49ers, não havia nada que Loomis & Cia pudessem fazer. Falando sobre a escolha, o Saints adotou novamente o método de BPA (melhor jogador disponível), e draftou possivelmente o melhor tackle dessa classe. Ramczyk é visto, em longo prazo como o substituto de Zach Strief, mas eu acredito que ele já possa contribuir este ano, ou como o 6º jogador de linha ofensiva, ou até como o right tackle titular, dependendo do seu desempenho nos treinamentos.

NOTA: 8,0

42ª Escolha – Marcus Williams – Safety – Utah

Williams se tornou, nesse processo de mocks, um de meus jogadores favoritos, e antes quando comentava sobre ele, o via sendo escolhido no 3º Round. Mas pensando em seu jogo, a segunda rodada também é bem justa para o jogador de Utah. Ele é um dos jogadores que melhor se encaixa na defesa de Dennis Allen, que poderá usar a formação de 3 safeties que deu certo na temporada passada. Williams jogará como free safety e, em minha opinião está atrás apenas de Malik Hooker nessa função, ambos mostraram ótimos alcances e instintos, apesar de Hooker ser melhor dando tackles. Uma secundária com Vaccaro e Vonn Bell perto da linha de scrimmage podendo voltar para a cobertura e Williams no último setor do campo irá assustar bastante os ataques adversários.

NOTA: 8,5

67ª Escolha – Alvin Kamara – Running Back – Tennessee

Quando Kamara foi escolhido, com Ingram e Peterson já no elenco, confesso que pensei que a escolha tenha sido desnecessária, porém Kamara traz um elemento diferente para esse ataque, ele terá o papel que Reggie Bush e Darren Sproles tiveram e fizeram desse ataque imprevisível e perigoso. Apesar de ter minhas dúvidas quanto ao custo dessa escolha (o Saints cedeu uma escolha de 2ª rodada de 2018 e 7ª rodada de 2017), estou animado para ver o jogador de Tennessee assustando os linebackers adversários como running back ou no slot.

NOTA: 7,5

76ª Escolha – Alex Anzalone – Linebacker – Florida

Minha principal ressalva quanto a essa escolha, foi em relação aos outros jogadores disponíveis nessa posição, para mim um pass rusher como Tim Williams seria ideal. Falando do jogador em si, Anzalone tem como principais virtudes sua versatilidade e seu atletismo. A maior preocupação é em relação a sua situação médica, o jogador sofreu com lesões durante a carreira universitária, mas o ponto positivo é que as lesões foram diferentes, portanto não parecem ser crônicas. Se Anzalone conseguir se manter saudável, ele tem condições de ser titular da equipe, ainda mais com nada definido no corpo de Linebackers.

NOTA: 7,0

103ª Escolha – Trey Hendrickson – Defensive End – Florida Atlantic

Hendrickson foi outro jogador que citei em meu penúltimo texto, e apesar de tê-lo classificado como Reach, o vejo como uma boa adição para uma equipe que sofreu para pressionar o quarterback adversário. O EDGE Rusher que, apesar de baixa concorrência durante a carreira universitária apresentou ótimo desempenho em Florida Atlantic e, mesmo com braços pequenos para a posição, coletou muitos sacks. Acredito que Okafor ou Kikaha irão ocupar a posição de Defensive End oposto a Cameron Jordan, porém se Hendrickson for bem desenvolvido, pode ser um ótimo contribuidor para a equipe.

NOTA: 7,5

196ª Escolha – Al-Quadin Muhammad – Defensive End – Miami

As rodadas finais do draft são as que oferecem menos riscos aos times, por isso Loomis pôde arriscar em um jogador com problemas extracampo. Dos últimos três anos, Muhammad jogou em apenas um, sendo suspenso na temporada passada devido a um escândalo de aluguel de carros. No combine e nos momentos em que esteve em campo, ele mostrou ser dotado fisicamente, com muita força e um Bull rush impressionante. Se estiver com a cabeça no lugar Muhammad poderá ser um verdadeiro steal da equipe de New Orleans, caso não dê certo, sem problemas, foi uma escolha de sexta rodada de qualquer maneira.

NOTA: 7,0

Undrafted Rookies

   Após o término das sete rodadas, começa a correria pela aquisição de jogadores que não foram selecionados, e este ano, como de costume, o Saints contratou muitos atletas. Porém, os jogadores de destaque, e que eu acredito que tem uma chance real de chegar ao elenco de 53 atletas são: o wide receiver de LSU Travin Dural, e o cornerback de Memphis Arthur Maulet. Acredito que Dural foi prejudicado por lesões, mas se saudável pode acrescentar bastante ao ataque do Saints, já Maulet caso entre no elenco final, pode ter um papel como o que era pensado para Ken Crawley, ajuda em special teams e depth como corner.

Opinião Final

Como disse no início do texto, esse foi um draft que traz otimismo aos fãs, muito pela lucidez nas escolhas de Loomis, que reforçou de vez a secundária da equipe, e investiu na melhora do jogo terrestre, na seleção de um jogador de linha ofensiva e um running back. Apesar de uma das principais necessidades da equipe, defensive end, ter sido reforçada apenas no final da terceira rodada, considero que este foi um ótimo draft, com uma boa de injeção de talento no time, tanto no ataque como na defesa.

NOTA GERAL: 8,0