Pois é, mais conhecido como Big Ben, nosso camisa 7 é chamado assim na liga até pelos rivais que não simpatizam com ele. Talvez o apelido que virou nome dentro da liga…é comum os narradores chamá-lo apenas de Big Ben nas transmissões. E nós, torcedores, sabemos como é bom tê-lo em nosso time, ter essa geração e vê-lo lançando bolas desde 2004.

Nascido no dia 02 de Março de 1982 em Lima, Ohio (não no Peru), Big Ben chegou ao Steelers em 2004, quando foi escolhido na 11ª escolha geral daquele Draft. Foi o terceiro QB a ser draftado, atrás de Eli Manning (1ª escolha – Chargers) e Phillip Rivers (4ª escolha – Giants).

Além de nascido, Ben foi criado no Estado de Ohio, onde estudou pela Findlay High School. Lá ele não só jogou futebol americano, basquete e beisebol, como foi capitão dos três times. No seu ano de Senior, Big Ben deu espaço para o filho do treinador na posição de quarterback, jogando sua última temporada como wide receiver. Segundo o treinador, seria melhor para o time ter a dupla Ryan Hite (filho do técnico) e Roethlisberger atuando juntos do que um sendo backup do outro.

Isso não atrapalhou o futuro do nosso QB, que viria a jogar pela universidade de Miami (não é Florida) em Ohio. Agora definitivamente como QB, ele ficou como backup em seu primeiro ano (2000) para pegar mais experiência. Em 2001, estreou contra Michigan, lançando 193 jardas e 2 touchdowns. Ainda em seu primeiro ano como titular, jogando contra Hawai’i, Ben quebrou o recorde da universidade em passes tentados, completos e jardas ao acertar 40 passes de 53 para 452 jardas.

Já era um indício do poder ofensivo que o jovem Big Ben carregaria. Em 2002 ele continuou suas ótimas atuações, até deu um punt de 59 jardas – um recorde pessoal – no jogo de estreia contra North Carolina. Jogos com dois ou três touchdowns e 300 jardas eram comuns para o garoto. Chegou a ganhar como Jogador da Semana para o time de especialistas ao dar três punts que pararam dentro da linha de 20 jardas. O ano terminou e ele quebrou o recorde da universidade em jardas lançadas em um temporada, com 3.238.

Em seu terceiro e último ano no College, ele continuou fazendo suas mágicas e quebrando recordes. Foram 4.486 jardas lançadas, 37 touchdowns e apenas 10 interceptações com um aproveitamento de 69,1% nos passes. Ao todo em sua carreira universitária, foram 10.829 jardas, 80 touchdowns e 65,5% de aproveitamento nos 1.304 passes tentados.

Em 2007, seu número 7 foi aposentado pela Universidade de Miami. Ele foi apenas o terceiro atleta da universidade a ter o número aposentado. Fazia 34 anos que a universidade não fazia tal homenagem.

Bom, além de Ben Roethlisberger, que se elegeu para o Draft de 2004, outros QBs também vinham fazendo sucesso em suas universidades, como citado acima, Eli Manning (Ole Miss) e Phillip Rivers (NC State) eram seus principais concorrentes entre os top quarterbacks do Draft.

Com seus 109 kg, um braço muito forte e um atleticismo incomum para seu tamanho, Big Ben ganhou notoriedade no Draft. O Steelers vinha de uma campanha 6-10 na temporada 2003 (última vez que o time ficou abaixo de 50% de aproveitamento) e esses atributos chamaram muito a atenção da comissão técnica de Pittsburgh, que precisava renovar a posição de QB. Basicamente o encanto do então técnico Bill Cowher com Big Ben foi tanto, que a escolha seria ele, não importasse o que… Para quem viu o filme A Grande Escolha (Draft Day), poderíamos dizer que acharam um papel na casa de Bill com a frase “Ben Roethlisberger, no matter what”.

Isso foi confirmado, pois antes do então manda chuva da liga, Paul Tagliabue anunciar a escolha de Big Ben, ele já havia recebido uma ligação de Bill Cowher antes dos anúncios, ligação que foi mostrada ao vivo pela ESPN. Ben Roethlisberger escolheu o número 7, que usou na universidade. O número também é uma pequena homenagem ao jogador que tem como seu grande ídolo: John Elway, ex-quarterback que fez história com o Denver Broncos.

Tudo deu certo, e Roethlisberger chegava para ser parte de uma grande renovação na posição, que já havia recebido inúmeros jogadores, sem tanto sucesso, desde Terry Bradshaw, que se aposentou depois da temporada 1983. Já como calouro, assinou um contrato de 6 anos que beirava os US$ 40 milhões, entre salários, bônus e incentivos.

Como é normal para vários novatos, a titularidade não veio de início, e Ben teve que ficar na sideline como terceiro reserva aprendendo o máximo que pudesse para posteriormente assumir a titularidade, que era de Tommy Maddox. Outro QB do time a sua frente era Charlie Batch.

Ben não teve muito trabalho para ganhar a posição de reserva imediato, visto que Batch se machucou na pré-temporada. No inicio da temporada, Maddox era o dono da posição, porém se machucou no segundo jogo, na derrota para o Baltimore Ravens. O plano do Steelers, que era manter Big Ben aprendendo durante toda a primeira temporada foi por água abaixo, porém as pretensões do time aumentaram com o então novato em campo, visto que após assumir a titularidade, o jovem Roethlisberger ganhou todos os 13 jogos que jogou. A única derrota do Steelers foi a da semana 2 e o time terminou a temporada com um grande recorde 15-1. Na última semana, contra o Buffalo Bills, Ben nem chegou a pisar em campo, sendo poupado para os playoffs. Na pós-temporada o jovem QB sofreu muito, lançando mais interceptações que TDs, o Steelers ainda conseguiu bater o New York Jets no Divisional Game, porém caiu em casa na final da AFC para o New England Patriots de Tom Brady. Big Ben sentia na pele a dura vida de jogar na NFL e de ser cobrado por ótimas atuações também em playoffs. Mesmo assim, como titular, o QB terminou a temporada com um incrível recorde 14-1, contando os dois jogos de pós-temporada, e foi eleito de maneira unânime o novato do ano. Foram 2.621 jardas, 17 touchdowns e 66,4% de aproveitamento de passes para o jovem QB de 22 anos.

Em 2005, já como titular da posição, vieram grandes momentos para sua carreira e para a franquia, momentos históricos, falados até hoje e que serão discutidos sempre. Após a ducha de água fria na temporada anterior, o Steelers conseguiu uma vaga nos playoffs, com um recorde 11-5, ficando atrás do Cincinnati Bengals na divisão. Os times se enfrentariam no Wild Card, com o Steelers levando a melhor com um placar de 31 a 17. O próximo jogo, um dos mais históricos do time em playoffs aconteceu no RCA Dome, em Indianapolis contra o Colts. Num jogo muito apertado, com possibilidade de vitória para qualquer um dos lados, o Steelers tinha a bola na linha de 2 jardas com 1 minuto e 20 segundo para acabar o jogo. Ao tentar correr para o touchdown da vitória, Jerome Bettis sofre o fumble e o Colts recuperam a bola que seria retornada para o TD da virada, e possivelmente da vitória do time de Indianapolis. Big Ben entra em ação e faz o tackle salvador. Ainda é um dos momentos mais lembrados da carreira dele… e não foi lançando a bola. A história pode ser melhor lida na coluna que publicamos sobre Jerome Bettis. Lá, também é possível acessar o link para assistir o lance.

Passado o susto, o Steelers estava na final da AFC para enfrentar o Broncos, em Denver. Com mais uma bela atuação do time, e mesmo jogando fora, o jogo foi vencido por 34 a 17 e o Steelers voltava ao Super Bowl depois de 10 anos.

Como foi 6º colocado na temporada regular, o Steelers foi obrigado a jogar todos os jogos fora de casa, e após as três vitórias, escolheu o a cor branca para jogar o Super Bowl XL, contra o Seattle Seahawks. Apesar de uma atuação ruim (9 passes completos de 23 tentados e duas interceptações, sem nenhum touchdown), o Steelers venceu o Seahawks por 21 a 10 e voltou a ganhar um Super Bowl desde a temporada 1979, empatando com Dallas Cowboys e San Francisco 49ers com cinco anéis. Big Ben contribuiu com um polêmico TD corrido.

Em sua segunda temporada, e com 23 anos de idade, Ben Roethlisberger se tornou o quarterback mais jovem a se consagrar campeão do Super Bowl.

Em 2006 Big Ben assustou todo mundo ao ficar seriamente ferido em um acidente de moto. O jogador conseguiu se recuperar e retornar na segunda semana, contra o Jacksonville Jaguars, porém com uma atuação muito ruim na derrota por 9 a 0. Com algumas distrações, 2006 não foi um bom ano para o nosso QB e para o time. O Steelers terminou a temporada com uma campanha 8-8 e ficou de fora dos playoffs. Ben terminou a temporada com 18 touchdowns e 23 interceptações (seu maior número em uma temporada) e 59% de aproveitamento nos passes. Em 2007, o QB se recuperou e teve uma ótima temporada, o time voltou aos playoffs, mas caiu em casa diante do Jaguars. Foram 32 touchdowns e apenas 11 interceptações na temporada.

Em 2008, tudo parecia estar alinhado para o Steelers se tornar novamente campeão da liga. A defesa estava jogando de maneira espetacular, James Harrison foi eleito o jogador de defesa do ano, o ataque estava funcionando bem, mesmo que ofuscado pelo sucesso da defesa. O time terminou com um recorde 12-4, Big Ben não teve uma temporada espetacular, mas conseguiu na medida do possível manter o alto nível do ataque. Pela primeira vez, o quarterback jogava os 16 jogos da temporada regular. O time ganhou a divisão e ficou em 2º na conferência. Após passar por San Diego Chargers (35-24) no Divisional Game, o time recebeu o rival de divisão Baltimore Ravens, que se classificou em 6º na AFC para fazer a final da AFC. Num jogo duro, o Steelers venceu por 23 a 14 e seguiu para mais um Super Bowl.

Bom, o Super Bowl XLIII é um dos mais emocionantes da história e merece seu próprio texto. Tentando resumir ao máximo até chegar no momento decisivo de Big Ben: o Steelers abriu 10 a 0 no placar, o Cardinals chegou perto com um touchdown e teve a chance de virar no fim do segundo quarto, porém James Harrison interceptou Kurt Warner na endzone e retornou 100 jardas para o touchdown. O lance pode ser conferido no texto sobre Harrison no inicio da série Contagem Regressiva. O Steelers tinha a vantagem, mas o Cardinals conseguiu uma bela reação, e virou o jogo após um TD de 64 jardas de Larry Fitzgerald faltando apenas dois minutos e meio para o fim da partida.

Enfim, com um drive praticamente perfeito e em sintonia com o WR Santonio Holmes, Big Ben liderou o Steelers a uma virada sensacional, faltando apenas 35 segundos para o fim da partida. Foram 78 jardas em dois minutos para a virada que entrou para a história. Holmes segurou a bola e nas pontas dos pés garantiu a vitória do Steelers e o sexto anel de Super Bowl da franquia. Big Ben, além do passe perfeito para o TD da virada (com marcação dupla em Holmes, diga-se de passagem), teve 256 jardas, em 21 passes certos de 30 tentados. O TD da vitória foi o único lançado por nosso QB nesse jogo, mas foi talvez o mais memorável de toda a sua carreira.

No ano seguinte, Ben quebrou seu recorde pessoal em jardas na temporada, com 4.328 e aproveitamento, com 66,6%. Apesar da boa temporada individual, que terminou com 26 touchdowns, o Steelers ficou mais uma vez fora dos playoffs, apesar de terminar com recorde positivo (9-7).

Em 2010, Ben Roethlisberger começou o ano suspenso por um caso onde foi acusado de estupro (que não será dado atenção aqui). O jogador perdeu os 4 primeiros jogos do time, porém se manteve saudável no restante da temporada. Novamente contando com uma forte defesa, onde Troy Polamalu foi eleito o jogador de defesa do ano, o Steelers voltaria para o Super Bowl. Foram 12 vitórias na temporada regular, porém uma dolorida derrota no Super Bowl XLV, contra o Green Bay Packers de Aaron Rodgers. Foram 2 touchdowns e 2 nterceptações na partida para o nosso signal-caller.

Os anos seguintes continuaram bons para Big Ben, pelo menos individualmente falando. Em 2011, outra dura derrota na pós-temporada, para o limitado Broncos de Tim Tebow na prorrogação do Wild Card. O time que repetia a campanha 12-4 da temporada que foi ao Super Bowl, caiu em Denver para um time que quase não se classificou. Coisas do esporte.

Se para a torcida a posição de QB não era uma preocupação, a famosa história defensiva da franquia estava indo por água abaixo. A defesa estava envelhecendo e perdendo seu poder de fogo. Em 2012 e 2013, apesar dos esforços, o time fez duas campanhas 8-8 e ficou de fora da pós-temporada por dois anos seguidos. Era a primeira vez que isso acontecia desde as temporadas 1999 e 2000.

Com um ano brilhante em 2014, Big Ben liderou o agora poderoso ataque de Pittsburgh (já que a defesa não estava indo bem) de volta aos playoffs. Na temporada regular, liderou a NFL em jardas, com 4.952, rigorosamente empatado com Drew Brees, do New Orleans Saints. Foram 32 touchdowns e apenas 9 interceptações, e para a felicidade da torcida, 16 jogos saudáveis (coisa rara na carreira do jogador). Infelizmente o time caiu no primeiro jogo da pós-temporada, para o rival Ravens, perdendo em casa para o time de Baltimore. De qualquer maneira, o jogador se destacou individualmente com o melhor ano de sua carreira.

Além do recorde de jardas, o jogador empatou seu maior número de TDs e quebrou o recorde pessoal de tentativas, com 608 passes tentados. Ainda assim, foram incríveis 67,1% de aproveitamento. Foi também em 2014 que ele lançou 6 touchdowns em dois jogos consecutivos, contra o Colts na semana 8 (vitória por 51 a 34) e contra o Ravens na semana seguinte (vitória por 43 a 23). No jogo contra o Colts, o QB completou 40 de 49 passes para 522 jardas, se tornando assim o primeiro – e ainda único – quarterback a lançar para mais de 500 jardas em dois jogos diferentes.

Em 2015 o time sofreu com altos e baixos, e muitas lesões. O próprio Big Ben jogou apenas 12 jogos, sendo que na maioria não estava com 100% de suas condições físicas. Mesmo assim, o time conseguiu a sexta vaga para os playoffs. Enfrentou o rival de divisão Bengals, num jogo maluco, avançando para o Divisional Game contra o Broncos. O time caiu em Denver, mas caiu de pé, e a torcida e o nosso QB sabem disso. O time viajou até Denver para enfrentar a melhor defesa da temporada sem suas principais armas. Antonio Brown, Le’Veon Bell e DeAngelo Williams estavam fora da partida. O time ainda deu muita canseira para a defesa do Broncos, que venceu por uma posse de bola (23-16). Denver posteriormente comemoraria seu terceiro título do Super Bowl. Com 328 jardas por jogo, o QB liderou a NFL no fundamento em 2015.

Big Ben, com contrato renovado em 2015, está no auge de sua maturidade e liderança. Apesar de estar bem mais magro do que de costume, está faminto por mais um Super Bowl, e chega mais forte do que nunca para 2016, porém ainda enfrenta dificuldades em reunir suas principais armas, o que aumenta o desafio do jogador.

Ainda em atividade e com bons anos pela frente, Big Ben é o líder da história do time em jardas, com 42.995 (até o fim da temporada 2015) e é o 13º da história da NFL no mesmo fundamento. Se o jogador mantiver a média de suas últimas temporada, tem tudo para passar três nomes (Dan Fouts, Drew Bledsoe e Vinny Testaverde) e entrar no Top 10 de todos os tempos. Dos jogadores em atividade, está atrás de Drew Brees (60.903), Tom Brady (58.028) e Eli Manning (44.187), e é seguido de perto por Philip Rivers (41.447).

Além das estatísticas em jardas, o jogador, que entrará em sua 13ª temporada em 2016 também coleciona 3.476 passes completos, com 64,1% de aproveitamento e 272 touchdowns. Big Ben Roethlisberger ainda tem muita gasolina no tanque para liderar o Steelers ao topo da NFL novamente. Com quatro seleções ao Pro-Bowl, ele já é um dos maiores ídolos da rica história da franquia e digo com muita confiança que deve ser o último jogador a vestir o número 7 em Pittsburgh.

Quem vestiu a #7 antes de Ben Roethlisberger?

  • Pete Gonzalez (98-99);
  • Reggie Collier (87);
  • Jack Kemp (57);
  • John Lyle (56);
  • James Finks (51-52, 54-55);
  • Leroy Zim-merman (43);
  • Reggie Coldagelli (40);
  • Joseph Reznichak (35)