Escolhido na 16ª escolha geral do Draft de 2003 (último safety escolhido pelo Steelers na primeira rodada), Troy Polamalu se transformou num ícone e um dos maiores ídolos da história do time em pouco tempo.

Californiano, da cidade de Garden Grove, Polamalu, que tem origens na Samoa Americana é o caçula entre cinco irmãos. Nascido no dia 19 de Abril de 1981, ele cresceu em Fountain Valle, perto de Anaheim, e com oito anos se mudou para Tenmile, Oregon. Na verdade, ele havia ido visitar seu tio e acabou implorando para sua mãe que o deixasse ficar e morar por lá. A violência, os perigos das ruas fizeram com que ele se mudasse da California.

Troy acabou encontrando no futebol americano o seu refúgio. E no Estado vizinho da California estudou na Douglas High School, na cidade de Winston. Apesar de ter jogado apenas quatro jogos durante seu ano de sênior, devido a uma lesão, ele foi nomeado para o time Super Prep All-Northwest em 1998. Ali já havia mostras do que viria a ser um dos melhores jogadores de defesa de sua geração. Porém não era só na defesa que ele se destacava, nessa época também foi running back, correndo 671 jardas para nove touchdowns.

Após a seu sucesso na High School, Troy retornaria para seu Estado natal após receber bolsa de estudos pela University of Southern California. Lá ele jogou pelo USC Trojans Football, entre os anos 1999 e 2002. Polamalu chegou a dizer que Deus o nomeou Troy, pois ele havia nascido para jogar lá. Trojans – Troianos em inglês.

Troy, um troiano, um californiano, um exemplo da luta por um lugar ao sol, fez por merecer a bolsa recebida, e honrou muito bem o tempo que ficou na universidade. No seu primeiro ano, ficou na reserva, se revezando entre safety e linebacker. Mesmo assim, ele terminou a temporada com 12 tackles, dois sacks e dois fumbles forçados. Jogando pelo time de especialista, bloqueou um punt contra Louisiana Tech.

Foi em 2000 que Polamalu realmente começou a escrever seu nome no mundo do futebol americano. Logo no jogo de estreia do Trojans, ele teve um interceptação retornada para um touchdown de 43 jardas. Além da sua intensidade nos tackles e das excelentes leituras dos ataques adversários, Troy já começava a se tornar um grande playmaker, forçando turnovers e ajudando o time a pontuar.

2001 foi o auge de sua carreira universitária. Já começou sendo eleito o capitão do time, e teve performances marcantes em praticamente em todos os jogos, tanto na defesa, tanto no special team. Troy ganhou o prêmio de MVP da USC e foi votado para o All-American Team. Em 2002, Polamalu continuou suas ótimas performances e foi novamente capitão do time. Mais uma vez foi votado para o All-American Team, se tornando o primeiro jogador do Trojans a aparecer duas vezes no All-American Team desde Tony Boselli em 1992.

Troy terminou sua belíssima carreira no universitário com 278 tackles, sendo 29 para perda de jardas, seis interceptações, quatro punts bloqueados e três touchdowns.

Entrando em 2003 com uma grande necessidade na posição de safety, o Steelers tinha em Dexter Jackson sua primeira opção para preencher a lacuna. Jackson havia sido o MVP do Super Bowl XXXVII com o Tampa Bay Buccaneers. O time chegou a firmar um acordo verbal, mas no último instante o jogador acabou escolhendo o Arizona Cardinals. Com isso, restou ir ao Draft para tentar algum jogador para ser o dono da posição no futuro.

Na 16ª escolha, Troy Polamalu ainda estava disponível e o Steelers não pensou duas vezes e selecionou o jogador. O Chargers, que tinha a 15ª escolha e também uma gigante necessidade na posição, optou por trocar sua escolha e descer no Draft. O Steelers, porém, não tinha a 16ª escolha, e depois de ver que um jogador como Polamalu ainda estava disponível no board, se movimentou e enviou a sua escolha original (23ª) e mais duas outras de rodadas futuras para o Kansas City Chiefs. O resto é história.

Na primeira temporada, o jogador teve participação limitada, como de costume de um jogador novato. Apesar da necessidade na posição, Troy não foi titular, porém jogou todos os 16 jogos da temporada regular. Já em 2005, o jogador que era muito usado pelo time em jogadas de zone blitz – onde alguns jogadores de secundária avançam para a linha de scrimmge após o snap – conseguiu três sacks em um único jogo, empatando o recorde de sacks em um jogo por um safety. Foi nessa temporada que ele e um jovem Ben Roethlisberger (em seu segundo ano) ganharam o Super Bowl XL contra o Seattle Seahawks. Um ano antes, ele já havia sido selecionado para o Pro-Bowl, após uma temporada espetacular, quando terminou com 96 tackles, 15 passes desviados e cinco interceptações. 

Em 2007 Troy ganhou o maior salário da história do Steelers. O contrato de 30 milhões, com 15 garantidos foi um dos maiores para um jogador de secundária e o maior para um safety da liga na época.

Em 2008, suas performances espetaculares e seu carisma causaram um grande impacto na liga, fazendo do número 43 do Steelers a 15ª camisa mais vendida da NFL. Naquela época, apenas Big Ben estava a sua frente neste ranking, com o 10º lugar. A performance da defesa como um todo foi espetacular, James Harrison foi eleito o jogador defensivo da temporada e o Steelers acabaria levando o sexto título para casa, passando o Dallas Cowboys e San Francisco 49ers e se tornado o maior vencedor de Super Bowls. Foi em 2008 também que Polamalu teve seu maior número de interceptações, com sete. Teve também 17 passes desviados.

Em 2010 o jogador empataria sua performance em interceptações em uma temporada, porém uma delas – contra o Bengals de Carson Palmer – acabaria retornada para touchdown. Em 2008 não deu, porém em 2010 ele levou o prêmio de jogador defensivo da temporada e foi um dos principais responsáveis por levar o Steelers a mais um Super Bowl, porém sem vitória dessa vez.

Infelizmente lesões fizeram parte da carreira de Polamalu, mesmo que de maneira discreta. O ex-jogador só jogou os 16 jogos da temporada em seis de seus doze anos de carreira. Em 2009 ele jogou apenas cinco jogos e em 2012 apenas sete. Em seu retorno em 2013, foi eleito para seu último Pro-Bowl após jogar a temporada completa e terminá-la com duas interceptações, 11 passes desviados e um touchdown.

Em 2014 o peso dos anos jogando intensamente chegou, e as dores apareceram e viraram rotina. Apesar de jogar 12 jogos, sua intensidade já não era a mesma, o que é normal um atleta que passou anos tentando jogar como um garoto de 16 anos (e por vários conseguiu).

Em 2015, Troy Polamalu anunciou sua aposentadoria, possivelmente sentindo que poderia não fazer mais parte dos planos da equipe. Em 12 temporadas, Troy contabilizou 576 tackles, 12 sacks, 100 passes desviados, 32 interceptações e 3 touchdowns. Ao todo, foram oito participações em Pro-Bowls e quatro vezes All-Pro.

Troy, apesar de estar a quase dois anos aposentado, já é parte do time ideal da história do Steelers, e desde então o seu número 43 não foi disponibilizado para uso, e possivelmente nunca será.

Falar do Polamalu, poderia fazer com que o leitor gastasse horas lendo um texto. São inúmeras jogadas que merecem mais do que uma citação, são várias e ótimas situações de sua vida pessoal que mereciam mais destaque. E o cabelo? Uma das marcas registrada do ex-jogador e que ganhou muito destaque na mídia.

Quer matar um pouco das saudades de Troy Polamalu?

Um fã fez um video em homenagem ao ex-jogador, com os melhores momentos de sua carreira. Clique aqui para ver o vídeo.

Hoje, Troy se dedica aos projetos voltados para sociedade. Ele e sua família são responsáveis pela Troy & Theodora Polamalu Foundationorganização criada com a intensão da família Polamalu dar assistência social às comunidades carentes, vitimas de tragédias naturais, além de promover ações que vinculam o esporte à educação.

Quem vestiu a #43 antes de Troy Polamalu?

  • George Jones (97);
  • Steve Avery (94-95);
  • Shawn Vincent (91);
  • Ray Wallace (89);
  • Earnest Jackson (87-88);
  • Tim Harris (83);
  • Frank Lewis (71-77);
  • Erwin Williams (69);
  • Glen Glass (63);
  • Overton Curtis (61);
  • Tom Barnett (59-60);
  • Fay Mitchell (58);
  • William Bowman (57);
  • Jim Hill (55);
  • Jack Hinkle (43).