Já fazia umas três semanas que gostaria de escrever sobre o West Virginia Mountaineers. Porém precisa de mais algumas partidas convincentes desta equipe. Porém as vitórias contra Texas Tech e TCU ontem, me incentivou a escrever sobre eles.

Outro fator, que me deu forcinha em fazer uma análise mais de perto, foi a sequência de jogos extremamente difícil que começará na próxima semana, com o jogaço contra o bom Oklahoma State. Além dos desafios, que ocorreram na semanas seguintes diante de Texas e Oklahoma, e na última semana a partida contra outra equipe que vem me deixando muito surpreso e curioso, Baylor.

Atualmente West Virgina, é a segunda na Big 12, com uma campanha 6-0. Ela está atrás de Baylor. Os Mountaineers estão em décimo segundo no ranking AP, classificação que determina os programas que vão participar dos Playoffs e brigar pelo título nacional.

Além das vitórias contra TCU e Texas Tech. A equipe do norte da Virgínia Ocidental também triunfou sobre Missouri, Youngstown St. (FCS), BYU e Kansas State. Sei que tirando TCU e BYU, que também possuem qualidade discutível, nenhuma das equipes derrotadas possuem uma qualidade relevante. Mas a qualidade do jogo apresentado por West Virgina tem me chamado muita atenção.

Os Mountaineers tiveram seu apogeu em 2012, ao ganharem o Orange Bowl, aplicando uma vitória maíuscula em Clemson por 70-33.  Naquele time de West Virgínia, tínhamos como destaque Tavon Austin (WR, LA Rams), Geno Smith (QB, NY Jets) e Bruce Irvin (OLB, Oakland Raiders). Daquela temporada para esta a equipe dirigida por Dana Holgorasen namorou com o fracasso e a mediocridade. Sem times consistentes e muitas vezes com poucos talentos, impediam a progressão e o desenvolvimento deste programa. Mas nesta temporada, as coisas começaram diferentes. E é isso que começaremos a ver agora!

West Virginia Mountaineers offensive center Tyler Orlosky (65) prepares to block for quarterback Skyler Howard (3) in the game with the Texas Tech Red Raiders at Jones AT&T Stadium. West Virginia defeated Texas Tech 48-17. Mandatory Credit: Michael C. Johnson-USA TODAY Sports
West Virginia Mountaineers offensive center Tyler Orlosky (65) prepares to block for quarterback Skyler Howard (3) in the game with the Texas Tech Red Raiders at Jones AT&T Stadium. West Virginia defeated Texas Tech 48-17. Mandatory Credit: Michael C. Johnson-USA TODAY Sports

Dana Holgorasen e sua equipe

Quando chegou a Morgantown, West Virgínia, Dana era tratado como um jovem e promissor técnico, muitas vezes inserido na categoria de gênio. Após bons trabalhos como coordenador ofensivo e treinador de quarterbacks e wide receivers em Texas Tech, Houston e Oklahoma, existia muitas expectativas sob sua mentalidade e empatia com os jogadores. Afinal, de seu esquema Air Raid, um playbook que coloca quatro WR e um RB, se revezando em jogadas de linha de funda e slot, além de muitas trick plays. Este esquema incentiva a proliferação de QB´s medianos, que erroneamente podem ser transformados em Elite. Comparação que se encaixa como uma luva para seu trabalho com o “fantástico” e “First Rounder” Brandon Weeden.

Estas credenciais e playbook logo garantiram seu sucesso na temporada de estreia em West Virginia. Onde ele deu sobrevida nos snaps a Geno Smith, que tinha liberdade e um leque gigantesco de opções. Outra característica deste time em 2011, era a utilização constante de Tavon Austin. A versatilidade tanto para carregadas e recepções em Slot, colaboravam para a consolidação deste trabalho.

Após um ano de Cinderela, a abóbora chegou. E de lá para cá, tudo estava indo para o ralo. Ele formou times com jogadores interessantes como Charles Sims, Mario Alford, Kevin White e Karl Joseph, mas o restante não ia.

Mas nesta temporada as coisas conseguiram entrar nos eixos. Com a assimilação do ataque do Spread, que não havia se encaixado nos últimos anos. Isso dado graças a chegada nesta temporada do coordenador ofensivo Joe Wickline, com quem Holgorasen já havia trabalhado no Oklahoma State. Porém o êxito chamada de jogadas, ainda passam pelo headphone de Dana Holgorasen.

A defesa é outro setor, que teve uma boa evolução. Com um esquema 3-3-5 chefiado por Tony Gibson. Gibson assumiu o cargo a três temporadas, e montou secundárias muito boas propiciados por seu playbook que congestiona os fundos de suas defesas, e possui um bom suporte a corridas. Existia algum receio se a continuidade da supremacia da secundária após a saída de Karl Joseph para a NFL, mas o trabalho se manteve firme e forte.

Oct 4, 2014; Morgantown, WV, USA; West Virginia Mountaineers offensive linemen Mark Glowinski (64) and Tyler Orlosky (65) block at the line of scrimmage against the Kansas Jayhawks at Milan Puskar Stadium. West Virginia won 33-14. Mandatory Credit: Charles LeClaire-USA TODAY Sports
West Virginia Mountaineers offensive linemen Mark Glowinski (64) e Tyler Orlosky (65)

Principais Valores

Mesmo com um QB questionável lançando bolas como Skyler Howard, que flerta com o baixo aproveitamento em passes e as interceptações, isso não parece ter afetado Shelton Gibson. Sua velocidade vertical, entendimento das rotas, ganho de jardas pós recepção e recepções em profundidade, criam as comparações com Tavon Austin. A evolução e confiança de sua temporada de sophomore para esta, tem sido excelente. Se optar pelo Draft em 2017, pode contribuir no slot de alguma franquia.

Outro destaque deste ataque é Russel Shell nas carregadas. O forte RB já correu 465 jardas nesta temporada para 5 TDs. Se manter esta média poderá alcançar facilmente as 1116 jardas e os 10 TDs. Após anos dividindo o backfield com Wendell Smallwood (RB, Philadelphia Eagles), esta é sua vez de brilhar.

Não sou expert em linhas ofensivas, mas existe um prospecto que me deixa muito ansioso em vem no interior das OLs da NFL, este jogador é Tyler Orlosky. O center tem sido o grande responsável pelo equilíbrio desta linha. Seus bloqueios e movimentações tem aberto muitos espaços para as infiltrações dos RBs. Outra coisa que me impressiona é sua colocação na proteção ao QB, em 2015 foram 10 pressões cedidas durante a temporada.

Já pelo lado defensivo, um jogador que curto muito é Noble Nwachukwu. Líder de sacks na temporada passada de West Virginia, sua agressividade e velocidade são de extrema utilidade na pressão ao QB. O Defensive End é o melhor jogador desta linha.

Com as saídas de Joseph e Worley, a secundária se tornou uma incógnita. Mas durante a temporada boas supresas apareceram. Existe muitos fundamentos de cobertura a melhorar, mas o CB Rasul Douglas, que durante muitos anos não teve oportunidades suficientes de mostrar seu talento, começou o ano de forma satisfatória. O remanescente e sombra desta boa secundária nestes últimos anos, o safety Jeremy Tyler ganhou as chances e a titularidade, e vem sendo um dos pontos de regularidade do setor.

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Quais realmente são as chances de West Virginia?

Não vou ser louco, em dizer que dá playoffs, pois além de não acreditar, vejo que existem pontos a se melhorar tanto na estabilidade da posição de QB, quanto no pass rush e combate ao jogo de corridas que já cedeu 951 jardas.

Mas o que vem favorecer, além dos fatores já mencionados aqui, é a má fase dos concorrentes de conferência. Oklahoma e Oklahoma State tem passado por problemas e irregularidade. Conseguiram perder jogos para equipe inferiores e passaram sufoco com equipes como Texas Tech e Iowa State.

As Oklahomas tem um calendário complicado pela frente, assim como West Virginia. Além de que West Virgínia tem confronto direto com ambas, e está em fase melhor, e os fãs podem acreditar em vitórias da equipe da costa oeste americana. Texas que inicia a temporada como bicho papão, tem se mostrado frágil e creio que não ameaça o time de Dana.

Acredito em uma campanha 10-2, com derrotas para Baylor e Oklahoma. Baylor vence, porque está muito acima do restante da Big 12. Como tenho como certo a não ida aos playoffs para West Virginia, mas ganhar um Bowl é algo real e concreto.