Depois de diversas especulações, finalmente chegou a hora de conhecermos os calouros que farão parte do elenco do Baltimore Ravens na temporada de 2017. Ao longo desse período pré-Draft, o podcast Casa do Corvo realizou diversas análises dos melhores jogadores disponíveis, principais necessidades e os encaixes mais interessantes. Agora, com o evento finalmente em nossa porta, é hora de consolidarmos esta análise. Assim, eu (João Gabirel) começaria passando pelas posições que mais precisam de reforços em nosso elenco. Em seguida, o Giba (Perez) citará alguns atletas para se ficar de olho em cada uma delas e terminaremos expondo quais seriam nossas estratégias para os próximos três dias.

As necessidades:

EDGE

Durante esta offseason, Ozzie Newsome cortou o experiente Elvis Dumervil, deixando apenas Terrell Suggs como pass rusher de produtividade comprovada no elenco do Ravens. Com Matt Judon e Za’Darius Smith sendo os outros dois principais jogadores da função e Suggs já se aproximando do final de sua carreira, é prudente adicionar um ou mais atletas para a posição neste Draft, preparando a passagem de guarda que deve acontecer no curto prazo e deixando os jovens com Suggs como mentor.

WR

Com a aposentadoria de Steve Smith, Joe Flacco perdeu sua principal arma no ataque aéreo. Agora, os melhores recebedores restantes no plantel são Mike Wallace, Breshad Perriman e Michael Campanaro. Wallace é um especialista em rotas em profundidade e usa muito sua velocidade, Perriman também tem agilidade e aceleração acima da média e uma árvore de rotas um pouco mais completa, mas ainda não alcançou seu potencial e parece ter dificuldades de concentração. Enquanto isso, Campanaro não consegue se manter saudável. Dessa forma, selecionar um jogador capaz de mover as correntes, trabalhando pelo meio do campo e servindo como alvo de segurança para Flacco em terceiras descidas é um complemento necessário ao ataque.

OL

A saída de Ricky Wagner para o Lions na free agency e a troca de Jeremy Zuttah para o 49ers deixaram dois buracos na linha ofensiva titular do ano passado nas posições de RT e C. O Draft pode não ser o melhor em termos de bloqueadores, mas é possível encontrar boas opções para atacar estas necessidades, uma vez que o não-draftado e inexperiente Stephane Nembot não parece a solução do lado direito e a posição de center é de suma importância e precisa ser cuidada com atenção.

DL

Uma necessidade inesperada foi a de ter que escolher um novo jogador para a linha defensiva após a troca do DE Timmy Jernigan. Com a posição aberta, existem opções de reposição no elenco e não se trata de uma urgência selecionar um atleta na função, podendo-se esperar um pouco até a parte final do Draft, focando em DE que consigam atuar de maneira disruptiva, principalmente contra o passe, pressionando o quarterback adversário.

LB

Outra surpresa dessa offseason foi a aposentadoria precoce de Zach Orr, que teve uma temporada excelente, sendo escolhido para o segundo time All-Pro. Assim, outro espaço se abriu no time titular, com algumas peças já no elenco podendo disputar o posto. Contudo, selecionar mais um jovem para a posição e apostar em seu desenvolvimento também pode ser uma ideia interessante.

Os prospectos:

EDGE

Para o primeiro round, acredito que o LB de Temple, Haason Reddick, seja o principal candidato neste setor. Podendo alinhar como ILB ao lado do CJ Mosley ou como OLB junto com Suggs/Smith/Judon, Reddick seria uma adição interessante para a defesa de Baltimore. Charles Harris, pass rusher de Missouri, e T.J. Watt, de Wisconsin, também são prospectos que eu gostaria, mas não na 16. Em rounds mais baixos destacaria Tyus Bowser, de Houston, Deashon Hall, de Texas A&M, e Derek Rivers, de Youngstown State.

WR

As escolhas de primeiro round são óbvias: Corey Davis, de Western Michigan, e Mike Williams, de Clemson. Eu, particularmente, gosto mais do Davis. As tapes dele me chamam a atenção e a execução nas rotas é fantástica. Mas acredito que o front office dos Ravens prefira ficar com o Mike Williams na primeira rodada. Em mais para baixo, há outros bons nomes como opção, o principal deles para mim é o WR Chris Godwin, de Penn State. Prospecto mais subestimado dessa classe, Godwin tem talento de primeira rodada e poderia ser titular no Ravens ainda nessa temporada, talvez não na semana 1. Carlos Henderson, de Louisiana Tech, é outro bom valor no segundo dia do draft, que além de acrescentar como recebedor também é um excelente retornador, uma necessidade no Under Armour Performance Center. Amara Darboh, de Michigan, Isaiah Ford, Virginia Tech, e Josh Reynolds, Texas A&M, são outros que eu gostaria de ver no time.

OL

Diferentemente do ano passado, essa está longe de ser a melhor classe da história para jogadores de linha ofensiva. Poucos talentos são confiáveis o suficiente para apostarmos que vão contribuir ainda nesta temporada. Para a primeira rodada, temos algumas opções, mas nenhuma delas mereceria a 16ª escolha: Forrest Lamp, de Western Kentucky, Ryan Ramczyk, Wisconsin, e Cam Robinson, Alabama, são os três melhores atletas de linha desta classe. Uma troca para baixo, ganhando mais picks, para pegar um deles seria a melhor opção. A segunda rodada ainda reserva alguns bons valores, como Antonio Garcia, de Troy, e Taylor Moton, Western Michigan. Os melhores centers poderão estar disponíveis quando estivermos no relógio durante a terceira rodada: Pat Elflein, de Ohio State, e Ethan Pocic, LSU. Eu sou fã do Pocic, apesar o tamanho, ele é veloz e consegue abrir espaços para os corredores, além de proteger bem o QB. Escolheria ele na 78 sem dúvidas, se estiver lá.

DL

Apesar das perdas recentes que tivemos, Lawrence Guy e Timmy Jernigan, acredito que a comissão técnica confia nos (muitos) atletas que temos para o setor já no elenco. Isso não impede que o Ozzie busque um jogador, mas seria entre a 4ª e a 6ª rodada. Ryan Glasgow, de Michigan, é uma boa opção nesse intervalo. Além de ser um bom atleta, o John Harbaugh certamente já tem todas as informações sobre ele e certamente saberá como utilizá-lo. Jarron Jones, de Notre Dame, e Jaleel Johnson, Iowa, também são outras opções.

LB

Não se espantem se o Ozzie escolher o LB Reuben Foster na primeira rodada. Apesar de eu acreditar que o Foster não estará disponível na escolha 16, Newsome adora jogadores de Alabama e o LB é bastante talentoso. Se ele estiver lá, eu ficaria chocado se passasse. A chegada de Reddick numa possível primeira rodada conseguiria suprir essa necessidade, apesar de eu acreditar que ele alinharia mais como OLB do que com ILB. Com Kamalei Correa e Patrick Onwuasor já no elenco, essa é outra posição para buscar uma peça que brigue pela vaga em rodadas mais baixas. Kendell Beckwith, de LSU, é um dos atletas que eu gosto bastante. Alex Anzalone, de Florida, também é um talento interessante para a posição. Gosto muito do Jalen Reeves-Mabin, mas acredito que ele será calouro não-draftado e seria muito bem-vindo dessa forma.

A estratégia:

João Gabriel – O Draft de 2017 tem uma classe notoriamente defensiva, com a secundária e os pass rushers apresentando uma grande profundidade de talentos disponíveis. Já no lado ofensivo, existem bons recebedores e um grupo diverso e grande de RBs, mas a linha ofensiva não possui muitos jogadores de destaque. Assim, para tentar adequar a filosofia de melhor atleta disponível que Ozzie costuma adotar com as necessidades da equipe, o ideal na primeira rodada talvez seja trocar para baixo, caso nenhum dos principais WRs esteja livre ainda, e cair na faixa na qual os melhores bloqueadores devem começar a sair, a partir da vigésima escolha.
Ao longo das três rodadas iniciais serão quatro escolhas, com todas elas entre 78 primeiras do Draft. Combinando isto ao fato de ser um recrutamento profundo, existe a oportunidade de sanar diversas necessidades da equipe no curto prazo. Para isso, a sugestão seria selecionar um recebedor para trabalhar no meio do campo, um pass rusher atlético e acostumado a jogar de OLB em um esquema 3-4, um jogador de linha ofensiva e um cornerback para servir como um projeto para a comissão técnica evoluir aos poucos, sem a pressa de colocar diretamente em campo. Por fim, as escolhas restantes devem ser dedicadas aos melhores jogadores disponíveis, buscando acumular o máximo de talento e potencial para o roster. Caso possível, o ideal seria tentar trazer um RB mais ágil e bom de corridas pelas laterais e jogadores de linha defensiva e um linebacker. Também pode-se pensar em um outro pass rusher ou mais um linha ofensiva, mas estas já serão prioridades menores.
Giba – Com muitas necessidades no elenco e o menor número de picks desde 2010, a estratégia melhor se encaixaria para o Ravens seria fazer um trade down, pegar uma pick de 3ª rodada, e escolher um dos 3 melhores OL ou um dos pass rushers de final de primeira rodada (T.J. Watt/Harris), mas isso depende muito de quem estará disponível no board no momento em que a franquia estiver no relógio. Não ficaria triste em descer algumas posições, ganhar mais uma escolha entre as 3 primeiras rodadas e ainda sair com o T.J. Watt ou Ryan Ramczyk de lambuja. Caso Corey Davis e Mike Williams ainda estejam disponíveis, a melhor opção é pegar um deles (como já disse, prefiro o Davis).
Trocando pra baixo e saindo com T.J. Watt ou Ramczyk, a segunda rodada é hora de olhar para Chris Godwin. Esse será o grande steal desse draft, como foi Michael Thomas para o Saints no ano passado. Inexplicavelmente desvalorizado, Godwin é um talento que pode acrescentar muito ao nosso ataque e se tornar titular rapidamente. Com excelente execução de rotas e boas mãos, Godwin teve produção razoável mesmo enfrentando as melhores universidades do país e tenho quase certeza que será um grande WR a nível profissional.
A terceira rodada é o momento de olhar para a secundária e para a linha ofensiva. Na escolha 74, eu pegaria o melhor DB disponível, quem sabe o Sidney Jones ou Fabian Moreau (dois lesionados que podem cair, apesar de eu não acreditar que estejam tão embaixo). A 78 tem nome e sobrenome: Ethan Pocic. Se estiver disponível eu não pensaria duas vezes. Pocic seria meu C titular pelos próximos anos. Ele preenche os requisitos definidos pelo time para a nova linha ofensiva: grande, forte e ágil. Com a escolha final, a recebida na troca da primeira rodada, seria hora de buscar um pass rusher ou um OT.