PAC 12: WASHINGTON PODE DESBANCAR STANFORD?

Nesta sexta-feira aconteceu uma contradição do previsível, Washington Huskies venceu Stanford Cardinals por 44 a 6. Este resultado chamou minha atenção para algumas surpresas presentes nesta conferência. Washington, com sua campanha 5-0, tem feito um ano consistente e coloca uma pedra no sapato do Head Coach de Stanford David Shaw e companhia para a temporada 2016 da PAC-12.

Uma conferência que há anos tem sido dominada com facilidade por Stanford e Oregon. Desde de 2009, estas equipes se revezam como campeões desta conferência. O último título fora desta hegemonia foi a USC em 2008. Nesta conquista, o USC Trojans era comandado por Pete Carroll, que tinha a companhia de Mark Sanchez, Malik Jackson, Nick Perry, Jordan Cameron e uma linha ofensiva estrelada com Tyron Smith e Matt Kalil.

Mas nesta temporada, esta supremacia tem sido colocado à prova. Oregon, que não consegue esquecer Mariota há duas temporadas, passou este protagonismo para Stanford, que tem tido problemas no jogo aéreo, mas tem conseguido vencer. Com estas lacunas abertas, algumas equipes tem tentado nivelar a disputa, e cada jogo tem sido o clichê de final antecipada. Mas Washington é a equipe que tecnicamente tem as maiores chances de romper a previsibilidade.

Por este motivo concentrarei meu esforços em analisar as chances da equipe de Seattle frente aos Cardinals e a possíveis concorrentes.

Christian McCaffrey, running back de Stanford
Christian McCaffrey, running back de Stanford

STANFORD: SÓ TEM MCCAFFREY? E OUTRAS QUESTÕES

Antes de falar de Washington, temos que falar de Stanford. Afinal, a ascensão dos Huskies se dará aos possíveis tropeços deste time. Mas vamos agora responder a pergunta central deste tópico.

Sim. Só tem McCaffrey. Mas no meu modo de ver, isso acontece graças ao esquema ofensivo, que é montado ao redor da exploração da versatilidade deste jogador. O jogo aéreo de Stanford ainda não decolou. O QB Ryan Burns assumiu a vaga de Hogan, que hoje está no Cleveland Browns na NFL. Burns até aqui lançou para 553 jardas em 80 tentativas. Ele possui um aproveitamento regular de passes com 66,3% de aproveitamento.

Ele possui alvos confiáveis, porém ainda não mostrou aquele desenvoltura ou até mesmo lançamentos seguros. Ele fez uma partida tranquila contra California. Mas o coordenador ofensivo Mike Bloomgreen, prefere sobrecarregar McCaffrey do que dar mais espaço a Burns.

Outra pergunta que tem sido feita é em relação ao sistema defensivo e sua confiabilidade. A defesa tem tido um bom desenvolvimento no pass rush. Até aqui foram 12 sacks, uma média de 3 por partida. Vale um destaque para Salomon Thomas e o bom Peter Kalambayi. O setor defensivo fará uma campanha segura até o final, porém não possui o nível das defesas de Alabama e Michigan, por exemplo.

Mesmo com a exploração em McCaffrey, defesa segura e derrota vexatória para Washington, Stanford venceu e não comprometeu. Não fez partidas extraordinárias, porém Kansas State, USC e California não fizeram o suficiente para apertar e dificultar a vida dos Cardinals.

Mas o que realmente pode complicar para Stanford, é a sequência que se inicia na próxima semana contra Washington State, Notre Dame, Colorado e Arizona. O time de Washington State está em recuperação e tem Luke Falk, que é um QB incrível e que pode complicar a secundária deficiente. Notre Dame tem tido alguns problemas, mas faz uma rivalidade histórica com Stanford, e esse jogo é chave. Já as partidas com Colorado e Arizona State podem definir as ambições de Stanford, as equipes são suas adversárias na PAC 12 e tem realizado um início de temporada consistente e surpreendente.

Estes são alguns pontos de Stanford que podem facilitar a vida de Washington rumo a uma colocação interessante rumo aos Playoffs. Sei que Stanford só perdeu um jogo, mas a derrota para Washington, somada as vitórias nada convincentes ao meu ver, podem dificultar a continuação deste protagonismo dos Cardinals.

Jake Browning, quarterback de Washington
Jake Browning, quarterback de Washington

WASHINGTON É TUDO ISSO MESMO?

No ranking da AP Poll, os Huskies ocupam a décima posição. Além de Stanford, a equipe de Seattle venceu Rutgers, Idaho, Portland State e Arizona. Até a vitória em cima dos Cardinals, havia muita desconfiança, devido a qualidade das equipes derrotadas.

Porém desbancar David Shaw e cia., moveu os olhos desconfiados, e trouxe os olhos atentos. A equipe conseguiu estabilizar e consertar os erros observados contra Arizona, além de organizar o jogo corrido entre Myles Gaskin e Lavon Coleman.

Mas o grande destaque até aqui desta equipe é o jogo aéreo, liderado pelo sophmore Jake Browning e suas 1114 jardas lançadas. O quarterback dos Huskies tem tido um bom ano, com um bom rendimento em seus passes: foram 17 TD´s com um aproveitamento incrível de 70,7%. Seus recebedores também tem passado segurança e sempre estão disponíveis. Outra coisa que tem me chamado muita atenção é a proteção oferecida a Browning. A linha ofensiva de Washington tem melhorado aos poucos, e tem conseguido corrigir alguns erros cruciais. Mas no geral, tem conseguido dar tempo para Browning alimentar seus recebedores. A pior partida desta linha foi contra Arizona quando cedeu 4 sacks. Mas contra Stanford, por exemplo, a OL de Washington não cedeu nenhum sack e parou Thomas e Kalambayi, e mostrou uma progressão de fundamentos e movimentação.

Após estes dados, digo que Washington é tudo isso sim. É uma boa equipe, tem suas dificuldades defensivas ligadas ao combate ao jogo de corridas e no ataque tem dificuldades na consolidação de corridas. Mas a vejo como favorita na PAC 12 ao lado dos Cardinals. E também concluo que o QB Jake Browning será a esperança rumo ao triunfo nesta conferência. Acho difícil uma classificação para os playoffs, mas não impossível. Apesar de jogos duros nas rodadas finais, uma combinação positiva frente a Utah, California, USC e Arizona State no final de outubro e começo de novembro, pode ajudar a renovar estas esperanças.

Conferência PAC-12
Conferência PAC-12

QUEM MAIS PODE AMEÇAR O WASHINGTON NA PAC 12?

Neste quesito indico três equipes: Utah, Arizona State e Colorado. Estes times são da divisão sul da PAC 12, e estão com quatro vitórias e uma derrota cada um. Deste trio, Washington enfrentará ainda Utah e Arizona State.

Entre estes três, a equipe mais forte é Utah. Que tem como principais destaques o wide receiver Tim Patrick e o defensive end Hunter Dimick. O setor que mais se destaca é o ataque, que tem produzido bem, tanto pelo alto quanto pelo chão. Em seguida podemos apontar a equipe do Colorado, que escorregou frente a Michigan, mas venceu as duas universidades de Oregon e possui um jogo ofensivo produtivo comandado pela dupla de quarterbacks Steven Montez e Sefo Liufau.

Para finalizar, vou falar um pouquinho sobre a surpreendente Arizona State. Esta equipe não conseguirá manter o ritmo inicial, devido à sua defesa vulnerável, que cedeu 2334 jardas, uma média de 466,8 jardas por jogo. O Sun Devils é um time que pode complicar apesar de suas fraquezas, é um time chato de enfrentar graças à alta produtividade do ataque, que já chegou a fazer 68 pontos.

Uma coisa ficou muito clara este ano: para Stanford conseguir o bicampeonato da conferência terá que provar muito, muito mesmo. A vida não será fácil como em 2015, quando foi campeã com uma campanha 12-2, e não foi ameaçada diretamente por ninguém durante a temporada. Naquele ano, a única derrota na conferência foi para Oregon em um jogo duro e apertado, decidido no finalzinho ainda na semana 10.

Mas Washington também não ganhará está conferência com as mãos nas costas. As partidas serão duras, em um calendário que até aqui tem se apresentado difícil. Mas estas batalhas valorizarão esta conferência, que não possuem a representatividade na mídia americana do jeito que ela merece.