Nesta quinta-feira (27) se inicia o Draft 2017 da NFL (se você não sabe o que é ou como funciona o Draft, leia a coluna da Ana Beatriz que explica direitinho), e algumas coisas muito singulares já aconteceram em alguns anos do recrutamento. Vamos a algumas curiosidades do Draft:

O ano em que só deu Jets na primeira rodada

No Draft do ano 2000, os Jets, após uma campanha 8-8 em 1999, ficaram com a escolha 18 da primeira rodada, mas com a 4ª colocação da AFC East (eram 5 times na época, os 4 atuais, mais o Colts). Então resolveram trabalhar para acumular mais escolhas de primeiro round, e fizeram transações para isso: trocaram o wide receiver Keyshawn Johnson, primeira escolha geral de 1996 (e 2x Pro Bowler até então) por duas escolhas na primeira rodada: a 13ª e a 27ª. Além disso, o New England Patriots contratou, em Janeiro de 2000, o head coach Bill Belichick, recém-anunciado pelo Jets, e a NFL decidiu que isso deveria dar ao time de Nova Iorque a escolha de 1º round de New England daquele ano (a 16ª). Com ela em mãos, os Jets subiram para a 12ª escolha do San Francisco 49ers, e acabaram com quatro escolhas na primeira rodada:

  • 12ª – Shaun Ellis, defensive end: 11 anos jogando pelo Jets e duas seleções para o Pro Bowl
  • 13ª – John Abraham, defensive end: 6 anos jogando pelo Jets (3x Pro Bowler e 2x All-Pro no período)
  • 18ª – Chad Pennington, quarterback: 8 anos jogando pelo Jets (líder em passer rating da NFL em 2002 e 2x Comeback Player of the Year, o que mostra o quanto sua carreira foi marcada por lesões)
  • Anthony Becht, tight end: jogou no Jets por apenas 5 anos, foi titular mas sem grande destaque.
Da esquerda para a direita: Becht, Pennington, Abraham e Ellis

O time com mais escolhas

Desde que o Draft foi reduzido para sete rodadas, em 1994, a franquia que selecionou mais vezes em um mesmo ano foi o Miami Dolphins, que teve 14 escolhas em 1997. Pra isso contou com ajuda da NFL, que lhe premiou com três escolhas compensatórias, com o San Francisco 49ers (que trocou uma escolha de 4a rodada pelo running back Terry Kirby – escolha que foi trocada por mais três do Oakland Raiders), com o St. Louis Rams, que trocou uma escolha de 4a rodada por três posteriores, com o Kansas City Chiefs, que trocou o kicker Pete Stoyanovich por uma escolha de 5ª rodada. No final do processo, o Dolphins recrutou os seguintes jogadores:

  • 15ª – Yatil Green, wide receiver, Miami
  • 44ª – Sam Madison, cornerback, Louisville (Pro Bowler)
  • 73ª – Jason Taylor, defensive end, Akron (recém adicionado ao Hall da Fama)
  • 92ª – Derrick Rodgers, linebacker, Arizona State
  • 93ª – Ronnie Ward, linebacker, Kansas
  • 96ª – Brent Smith, offensive tackle, Mississippi State
  • 121ª – Jerome Daniels, offensive tackle, Northeastern
  • 149ª – Barron Tanner, defensive tackle, Oklahoma
  • 157ª – Nick Lopez, defensive end, Texas Southern
  • 166ª – John Fiala, linebacker, Washington
  • 170ª – Brian Manning, wide receiver, Stanford
  • 173ª – Mike Crawford, linebacker, Nevada
  • 177ª – Ed Perry, tight end, James Madison
  • 203ª – Hudhaifa Ismaeli, safety, Northwestern
Jason Taylor (dir), o jogador de Hall da Fama da classe de 97 do Dolphins

O ano prolífico em Hall of Famers

O Draft do ano de 1964 foi o que “gerou” mais jogadores que hoje fazem parte do Hall da Fama da NFL. Naquele ano, a seleção foi feita em doze rodadas de quatorze picks cada (e corria em paralelo com o draft da AFL, liga que só alguns anos depois se fundiria com a NFL). 11 jogadores recrutados nesse ano tem o seu busto imortalizado em Canton, Ohio:

  • 2ª – Bob Brown, tackle, Nebraska, selecionado pelo Philadelphia Eagles
  • 3ª – Charley Taylor, running back, Arizona State, selecionado pelo Washington Redskins
  • 6ª – Carl Eller, defensive end, Minnesota, selecionado pelo Minnesota Vikings
  • 11ª – Paul Warfield, wide receiver, Ohio State, selecionado pelo Cleveland Browns
  • 17ª (2º round) – Mel Renfro, defensive back, Oregon, selecionado pelo Dallas Cowboys
  • 18ª (2º round) – Paul Krause, safety, Iowa, selecionado pelo Washington Redskins
  • 29ª (3º round) – Dave Wilcox, linebacker, Boise Junior College, Oregon, selecionado pelo San Francisco 49ers
  • 88ª (7º round) – Bob Hayes, wide receiver, Florida A&M, selecionado pelo Dallas Cowboys
  • 89ª (7º round) – Bill Parcells, offensive tackle, Wichita State, selecionado pelo Detroit Lions (entrou no Hall da Fama como técnico, não como jogador)
  • 110ª (8º round) – Leroy Kelly, running back, Morgan State, selecionado pelo Cleveland Browns
  • 129ª (10º round) – Roger Staubach, quarterback, New Mexico Military, Navy, selecionado pelo Dallas Cowboys

A NFL até produziu um documentário a respeito dessa classe do Draft

A melhor classe de draft da história

É comum dizer nos dias de hoje que se um time transformar 3 de suas 7 escolhas em jogadores que são titulares sólidos, foi um recrutamento bem sucedido. O que dizer então do Pittsburgh Steelers, que em 1974, selecionou 4 jogadores que hoje fazem parte do Hall da Fama (e foram tetra campeões do Super Bowl pelo Steelers)? O número fica ainda mais surpreendente quando lembramos que naquele ano, cinco jogadores selecionados foram para o HoF (o não-Steeler é Dave Casper, TE selecionado pelo Oakland Raiders).

  • 21ª (1º round) – Lynn Swann, wide receiver, USC
  • 46ª (2º round) – Jack Lambert, linebacker, Kent State
  • 82ª (4º round) – John Stallworth, wide receiver, Alabama A&M
  • 125ª (5º round) – Mike Webster, center, Wisconsin
Os quatro selecionados, da esquerda para a direita: Swann, Lambert, Stallworth e Webster