O futebol americano apareceu na minha vida em meados de 2010. Uma colega de escola me falou para assistir um jogo entre Jets e Giants. Ironicamente, eu escolhi torcer pelo Giants naquela ocasião, porém, nunca assisti a aquela partida. Perdi o horário da transmissão e deixei passar. Uma semana depois, salvo engano, zapeando os canais na TV, passei pela ESPN e estavam transmitindo Green Bay Packers vs Indianapolis Colts.

Era a pré-temporada de 2010. O jogo não valia nada, mas algo me chamou atenção naquele time de verde e amarelo. A primeira coisa que pensei foi “esse cara parece o Steve Carell…”. Esse cara era o Aaron Rodgers. Logo depois desse devaneio, Rodgers lançou o passe que me fez escolher aquele time como o meu.

Desde então, foram anos e anos acompanhando semanalmente o Packers e a NFL. A paixão pelo esporte só crescia. Finalmente eu tinha encontrado algo que me dava prazer e emoção ao assistir. Um esporte onde eu me encaixava.

O amor pelo futebol americano foi tão grande que a vontade de jogar não demoraria a aparecer. No fim de 2012 tive meu primeiro contato com a modalidade em uma equipe, o saudoso Krakens. Ali dei meus primeiros passos como jogador e entusiasta. É engraçado pensar no futebol americano eu ganharia o nome pelo qual sou mais conhecido hoje: Bethânia. Meses se passaram, o Krakens se fundiu ao Brasil Devilz, equipe que defendo com vários dos mesmos amigos daquela época até hoje.

Sou o penúltimo cara abaixado, do lado direito.

Acompanhar a NFL, jogar todos os domingos… Não era o suficiente. Eu precisava de mais. Sinceramente, não sei o que aconteceu comigo, mas eu estava fora de mim. Tudo o que eu pensava era futebol americano. A sede de saber mais, conhecer, aprender sobre o passador, entender o jogo… Eu precisava de mais.

Foi então que decidi fazer jornalismo, pensando em transformar todo aquele amor pelo esporte em profissão. Fazer o que eu amava e ainda ganhar por isso! É, infelizmente a vida não é tão simples assim. Em 2013, comecei na faculdade. Pouco mais de 1 ano depois, no fim de 2014, tive a chance de me reunir com três pessoas que deixaram de ser meros conhecidos digitais e se tornaram irmãos. Irmãos que tenho orgulho de ter e que me ajudaram a criar o maior projeto da minha vida.

O Fumble Na Net surgiu assim, da reunião de três malucos e adoradores do futebol americano e que queriam fazer algo diferente. Já existiam alguns podcasts sobre o esporte no Brasil, mas nada da forma como nós queríamos. Chegamos naquela situação do “se você quer algo bem feito, faça você mesmo”. E olha, graças a Jah, nós fizemos.

Nosso primeiro episódio teve 30 downloads. Eu fiquei extremamente feliz com o resultado. Eu mal conhecia 30 pessoas que gostassem de podcast e de futebol americano. Na semana seguinte, 50 downloads. Na terceira edição, acho que batemos 100 downloads e aquilo foi um ápice para mim. Graças ao Fumble, eu pude finalmente me dedicar àquilo que eu tanto amava. Foram inúmeras horas editando artes para as vitrines, criando pautas e gravando com meus irmãos, interagindo com nossos ouvintes e seguidores…

Essa era a qualidade gráfica do Fumblinho lá atrás…

Me formei. Não foi aos trancos e barrancos, confesso, mas também não foi fácil. Infelizmente, aquele sonho de trabalhar na televisão e viver falando do esporte que eu tanto amo, não aconteceram. A vida não é tão simples assim. Acho que na maioria das vezes, nossa maior dificuldade é começar. Saber aonde ir, o que fazer, como e quando. Ficamos confusos e quase sempre não temos as respostas, mas a vida nos obriga a continuar em frente.

Anos se passaram e o Fumble só cresceu. Junto com isso, as responsabilidades na vida. Meu trabalho me consumia quase todo o tempo e eu quase larguei mão do projeto que tanto me deu frutos positivos. Graças aos meus irmãos, que seguraram e seguram às dificuldades, o projeto se manteve firme e forte.

Ontem, quase cinco anos depois de esse projeto começar, pude realizar um dos meus sonhos: entrevistar um jogador da NFL. De quebra, não foi um jogador qualquer. Pude entrevistar o primeiro brasileiro a jogar oficialmente na liga.

O Cairo é um cara incrível. Um ídolo para mim e para muitos que acompanham esse esporte. Uma história de vida linda, de superação. Alguém que, assim como eu, almejou algo e correu atrás para conquistar. Ele teve suas dificuldades e empecilhos, mas nunca abaixou a cabeça e hoje está onde mereceu chegar.

Tenho orgulho de pode contar minha história e ver que as decisões que tomei me trouxeram até aqui. O futebol americano, o Fumble Na Net, e tudo que este esporte e este projeto me deram, nunca poderão tirar. Fiquei a centímetros do troféu Vince Lombardi, pude conhecer um jogador profissional, participar de eventos, conhecer pessoas que eu só via pela televisão e admirava, construir uma carreira como comentarista… Isso tudo é incrível.

Obrigado. Essa é única coisa que posso dizer. Obrigado por tudo, futebol americano. Obrigado por tudo, Fumble Na Net. Vocês me tornaram uma pessoa melhor e me ajudaram a realizar sonhos. Que nossa relação não termine agora e que possamos juntos, construir muito mais e realizar muito mais.

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