Ano novo na NFL, jogadores novos e um março maluco na corrida pro free agents. Entretanto, nem tão maluco assim pro Indianapolis Colts de Chris Ballard. Ainda que o time tivesse o maior valor disponível no cap space para ser gasto, não vimos o time fazer splashes logo no início do ano novo da NFL. Buscando auxílio para uma das posições mais fracas do time na temporada passada, o time foi atrás de Devin Funchess para complementar o corpo de WRs. Hoje falaremos do primeiro reforço para a temporada, desde a sua chegada ao futebol americano de high school até seu desempenho no Carolina Panthers.

 

HIGH SCHOOL

Natural de Farmington Hills, Michigan, Devin Funchess participou do programa de futebol americano da Harrison High School. Pela escolha jogou como tight end, tendo capitalizado em seu junior year um total de 709 jardas em 34 recepções. Além disso anotou cinco touchdowns nos seus 12 jogos na temporada de 2010-2011. Suas atuações lhe renderam boas avaliações nos sites de scouting: pelo rivals.com foi considerado um prospecto três estrelas, o 9º jogador melhor ranqueado da posição no estado. Já pela avaliação do College Football Recruiting da ESPN recebeu quatro estrelas e nota 80.

Devin Funchess em ação pela Harrison High School

Recebeu nove diferentes propostas de bolsas de estudo e escolheu a Universidade de Michigan como sua nova casa. Desde que se comprometeu com os Wolverines era um jogador considerado magro para um tight end. Possuía a altura necessária para a posição, mas já era visto como um jogador que poderia realizar a transição para a posição de wide receiver uma vez que já era considerado bom recebedor. A avaliação do scouting report da ESPN também via a possibilidade de ser um playmaker para o nível universitário. Sua capacidade de receber bolas no alto e controle do corpo também eram considerados bons atributos, com solidez quanto a velocidade, mas nada especial.

 

COLLEGE: MICHIGAN WOLVERINES

John Herrington, técnico da Harrison High School lembra que o jogador sempre foi um jovem que amava o jogo, entretanto destaca que apesar das “expectativas altas que nós [comissão] tínhamos, ele nunca levou o jogo muito a sério até o momento em que percebeu que ele tinha uma chance de ser muito bom” jogador. E foi exatamente no seu ano de junior que o jogador despertou maior interesse da universidade de Michigan. Se comprometeu com os Wolverines antes mesmo do seu último ano de high school e já chegou impressionando desde os treinos na primavera de 2012.

Devin Funchess em campo em jogo pelos Wolverines

Logo em seu primeiro jogo na universidade, Funchess atingiu uma marca de quatro recepções para 106 jardas e um touchdown. Era o primeiro TE a conseguir a marca pelo time em 15 anos, não podemos negar que o jogador chegou já impressionando. Seu colega de time na época e hoje OT do Tennessee Titans, Taylor Lewan, fez questão de dizer que Devin “não parecia um calouro enquanto estava jogando”. Também citou que estava muito animado com o que o novo TE de Michigan poderia fazer em campo. Outros companheiros de time, como o C Elliott Maeler destacou que o jovem já havia mostrado o que poderia fazer nos treinos antes da temporada e apenas consolidou-se no campo de jogo.

Entretanto, o restante da temporada de Devin não seguiu o padrão de seu primeiro jogo. Terminou a temporada com cinco touchdowns e 15 recepções para 234 jardas nos seus 10 jogos. Já a sua segunda temporada foi muito mais prolífica. Mais regular e jogando mais jogos (13), Funchess teve 748 jardas em 49 recepções e sua produtividade de touchdowns se manteve boa, com seis. Manteve o nível de produção em seu terceiro ano e anotou mais quatro TDs, ainda que com algumas oscilações na produtividade comparando o desempenho jogo a jogo. Novamente teve mais de 700 jardas em 62 passes recebidos. Entretanto, no seu último ano no nível universitário fez a transição para a posição de wide receiver, algo projetado alguns anos antes pelos scouts dadas as suas características físicas.

 

AVALIAÇÕES PRÉ-DRAFT

Ainda que fosse o top receiver da universidade, Funchess decidiu se declarar para o Draft após três anos de universitário. Depois de jogar dois anos como TE e fazer a sua transição para WR, Devin não teve um fim de carreira na universidade que o possibilitasse ser escolha de primeira rodada. Mel Kiper, comentarista de Draft da ESPN considerou-o um jogador de segunda rodada. Também destacou alguma inconsistência no seu jogo, especialmente com relação aos drops, mas fez questão de elogiar seu talento como recebedor e seus atributos físicos lhe dando um rótulo de “big target”.

Participação de Devin Funchess no NFL Combine

Seus 1,93 m de altura e 104 quilos eram parte do pacote que fazia Devin ser visto como um recebedor versátil e um prospecto atrativo. Desde cedo foi avaliado como um “pesadelo” para os jogadores que poderia enfrentar, na visão de Mike Mayock, então analista de futebol americano. O jogador brilhou no Pro Day de Michigan, conseguindo, inclusive, números melhores no 40-yard dash comparados ao Combine.

Era um prospecto em que se via grande capacidade de se sobressair contra cornerbacks na red zone. Possuía capacidade de transicionar com facilidade entre os momentos de recepção e o ganho de jardas após a recepção, além de usar bem o corpo contra marcação pressão dos CBs. Uma característica pouco comum para seu tamanho era o controle de corpo e o movimento de seus quadris, bons para o seu porte físico. Considerado um alvo interessante correndo rotas de média distância, por sua naturalidade no momento de execução.

Entretanto os seus pontos negativos já eram evidentes. Precisava já trabalhar mais o processo de recepção da bola e por vezes usava o corpo para realizar a recepção, o que lhe gerava alguns problemas. Poderia ter problemas com as 50/50 balls e por vezes não atacava a bola, tendo também problemas de aceleração ao executar algumas rotas. Com os prós e contras era cotado para sair na segunda ou terceira rodada do Draft e considerado um jogador com potencial para ser starter na NFL. Por fim, foi escolhido na 41ª escolha geral pelo Carolina Panthers.

 

CARREIRA NA NFL

O início de Funchess pelos Panthers não foi tão bom quando se imaginava. É importante destacar que o jogador chegou para ser no máximo WR2 e o coaching staff de Ron Rivera usou o jogador de forma restrita. Sua média de jardas por jogo foi baixa e teve oscilações consideráveis entre um jogo e outro, mas um aspecto importante pode ser destacado: Devin conseguia aparecer livre para as recepções. Em seu primeiro ano de liga teve alguns problemas para realizar recepções, talvez esse o motivo para o tempo reduzido de campo na primeira metade da temporada. Já na segunda metade, teve a concentração da maior parte de sua produção, chegando a uma média de 42,6 jardas por jogo.

Devin Funchess do Carolina Panthers com recepção contra o New Orleans Saints. Mandatory Credit: Jeremy Brevard-USA TODAY Sports

O potencial era visível no jogador, e por isso os Panthers deram uma escolha de terceira e sexta rodadas para subir no Draft e selecionar Funchess. Durante a temporada Devin mostrou sua capacidade de usar o corpo para proteger a bola e avançar no campo em situações importantes de terceira descida. Na temporada totalizou 31 recepções para 473 jardas e cinco touchdown.

Tudo indicava que seu segundo ano de liga fosse o ano para explodir de vez e formar uma parceria notável com Kelvin Benjamin. Alguns analistas, como Peter King, projetaram que seu ano seria até melhor que o do parceiro. Esperava-se um ano com uma média de jardas similar ao fim da temporada anterior, que totalizariam 642 jardas em 16 jogos.  O que aconteceu foi o completo oposto, os números do jogador foram, inclusive, piores que os do ano de calouro (23 recepções, 371 jardas e quatro TDs). Mas, por incrível que pareça, não foram apenas os números que assustaram na baixa produção de Devin. O jogador conseguiu apenas 39,7% de sucesso na recepção de passe, além de não conseguir ser dominante usando o corpo nas jogadas. Outro problema foram os drops, tendo 5,2% (via Sporting Charts) de passes que foram em sua direção dropados.

Considerando que o ano do Panthers não foi exatamente um dos melhores e Devin sendo um jogador jovem, um passo a frente na temporada de 2017 seria algo provável. Como na temporada anterior, iniciou como o segundo wide receiver do time, atrás de Kelvin Benjamin mas com a lesão de Greg Olsen logo na segunda semana da temporada, Devin teve que assumir um papel ainda maior no time. Além de ser mais envolvido no jogo, o WR também melhorou sua porcentagem de passes recebidos, chegando a 63% no início da temporada. Teve maior produção, maior comprometimento, a confiança renovada e o mais importante: conquistou a confiança da franquia e dos torcedores num momento em que Kelvin Benjamin se despediu do time de Charlotte. No fim da temporada, computou 840 jardas em 63 recepções e 8 TDs.

Seu bom ano se traduziu ao assumir uma posição de confiança e produzir números. Além disso alguns aspectos de seu jogo pareciam ter melhorado, entrando no Top 10 da Liga em porcentagem de bolas contestadas recebidas. Nesse aspecto jovem figurou ao lado de recebedores considerados de primeira linha, como Antonio Brown (Steelers) e Keenan Allen (Chargers). Mas como a carreira do jogador foi uma montanha-russa, a temporada seguinte mudou completamente o cenário de Devin no elenco…

Quando as coisas pareciam que iriam engrenar de vez, a temporada de 2018 veio como um balde de água fria. O jogador até teve um bom início, mas as coisas se perderam com o tempo. O ponto determinante para decretar um péssimo ano foi o jogo recheado de drops contra o Detroit Lions, na Semana 11 da temporada regular. Mais problemas com drops, rendimento caindo, problemas físicos, confiança diminuindo e cada vez menos espaço no plano de jogo dos Panthers. Terminou a temporada com 44 recepções convertidas em 549 jardas e 4 TDs.

 

CHEGANDO A INDIANAPOLIS

Os recebedores dos Colts não foram dos melhores na temporada de 2018/19, a menos que você se chame T.Y. Hilton. Como mencionado em texto da offseason anterior, Eric Ebron veio para ser uma arma a mais no jogo aéreo, reforçando o grupo de TEs do time. Não à toa, apenas com Hilton tendo um nível elevado de qualidade, nosso jogo passou muito pela presença dos tight ends, que ficou comprometida com as lesões do Jack Doyle. Depois do ano com show de drops de Chester Rogers, a inexperiência de Zach Pascal e a quase inexistência em campo de Ryan Grant, os Colts foram atrás de um WR físico para ser seu jogador número dois na posição, como complemento a T.Y.

Apresentação oficial do jogador. Fonte: colts.com

Funchess chega para ser o segundo recebedor mais bem pago do elenco e com o status de “big target” que sempre precisamos para a posição. Com Hilton sendo indiscutivelmente nosso WR1, Devin deve figurar a frente de Deon Cain na rotação, calouro que não conseguiu mostrar serviço no seu primeiro ano de liga após romper o ligamento cruzado anterior (ACL) na pré-temporada.

Como a grande maioria dos contratos que Ballard oferece aos FAs, Funchess terá um ano para se provar, e daí ganhar ou não uma extensão. Convenhamos que ser melhor que Grant, Rogers e Pascal não deve ser uma tarefa difícil. Após o sucesso de Eric Ebron na temporada passada, não podemos negar também que Devin tem grandes chances de usar o time como uma vitrine para conseguir um contrato mais “gordo” nas próximas temporadas. Entretanto, Ballard não parece preocupado com isso, firmando um contrato curto que segue o padrão de não comprometer o time no longo prazo com jogadores que não cresceram dentro de casa.

Marcelo Aragão, colaborador da Rede Fumble na Net no Podcast Do Your Job, conheceu Funchess bem cedo, desde sua chegada a Michigan. Destaca que “acredita que [o jogador] complementaria bem os Colts. O time já tem um jogador que estica o campo [T.Y. Hilton] e ele não vai precisar de fazer isso. [Funchess] é um jogador extremamente ‘possession’ e se você tem um QB que é bem preciso como é o Luck isso será bom, por que é muito difícil marcá-lo”. Do ponto de vista tática ainda podemos destacar que “nos highlights ele executa várias crossing routes no meio do campo, onde o marcador pode até estar bem, entretanto tem um corpo muito grande, usando-o para ficar à frente do marcador, e assim ele consegue receber o passe”.

Além disso tem boa “capacidade de ‘tracking the ball’, expressão comumente usada para descrever defensive backs, conseguindo achar a bola no ar, brigando e ganhando no alto muito facilmente, fazendo dele um excelente alvo na red zone e eventualmente até em situações de goal line”.  Assim, não podemos negar que seu “tamanho e o tempo de bola fazem dele bem perigoso. Então, se os Colts souberem utilizar isso, e já tendo o Eric Ebron que foi muito bem utilizado nesse sentido ano passado, podem ter uma arma muito importante no ataque”. Um dos pontos negativos destacáveis é que o recebedor “pode melhorar as mãos um pouco, ele não tem uma excelente catch, as vezes tendo drops em bolas fáceis”.

 

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