Como nós sabemos, o sonho de todo jogador universitário é ir para a NFL, e, quem sabe, ser uma estrela da liga em um futuro próximo. De milhares de jovens, apenas algumas centenas têm realizado seu desejo de fazer parte do roster de alguma franquia. O grupo de “estrelas”, é algo mais difícil e seleto ainda.

O Draft não é uma época muito boa para os Head Coaches do College. Muitos formam um trabalho sólido ao longo dos anos, e nesta época veem algumas ambições desmoronarem, e assim, tem a missão de dar um reset e iniciar tudo novamente.

Para um homem, esse desafio de formar estrelas é um mero detalhe. Nick Saban, um dos maiores treinadores da história do College Football, não se abate com os desafios. Desde de que chegou em Alabama no ano de 2007, elevou os padrões e recolocou o programa de futebol entre os maiores do país, além de formar um dos maiores celeiros de talentos do campeonato universitário.

Desde a chegada de Saban foram 4 títulos nacionais e de conferência, além de 58 jogadores draftados pelas franquias da NFL. Destes, 18 são escolhas de first round e uma certeza: todo ano algum jogador de Alabama vai para a NFL, e pode fazer a diferença.

Isso tudo se deve ao bom trabalho que o Head Coach realiza todos os anos nos recrutamentos de atletas do High School. Este setor é um dos melhores e mais completo de Alabama e desde de 2011 tem sido eleito por sites especializados como o melhor de todos os Estados Unidos.

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Como funciona?

Nick Saban e sua equipe de desenvolvimento rodam o país atrás dos melhores prospectos. É um trabalho difícil, pois o número de jogadores analisados é extremamente alto, mas o processo é simples: a equipe vai pelo país assistindo jogos e realizando treinos. Além das habilidades, também é levada em consideração a parte física e acadêmica de cada jogador.

Outro fator que ajuda Alabama é que o trabalho minucioso. Alguns jogadores já possuem pré-acordos antes mesmo de chegar ao High School. Podemos citar aqui o caso de Najee Harris, denominado por especialistas como o novo Derrick Henry, que recebeu uma proposta de Saban um pouco antes de iniciar sua trajetória no High School.

Outra coisa interessante é a capacidade de Alabama de explorar centros menos tradicionais. Podemos averiguar isso nas propostas que a universidade fez para os irmãos Tagovailoa. Ambos são quarterbacks de destaque em pequenas escolas no Havaí, mas bem avaliados em rankings nacionais.

Saban também outra virtude a seu favor: a tradição. Esta palavra faz com que atletas com acordos verbais em outras equipes repensem ao receber uma oferta de Alabama. Podemos citar A’Shawn Robinson, um dos melhores prospectos defensivos do draft de 2016, que até o National Signing Day de 2012, tinha um acordo verbal com os Texas Longhorns. Quando Saban entrou na jogada, ele fechou com Alabama e deixou o Texas com as mãos abanando. Isto também aconteceu este ano com Mac Jones, quarterback quatro estrelas da classe de 2017, que interrompeu suas conversas avançadas com a Universidade do Kentucky e já fechou nos bastidores com os Crimson Tide.

Quais as principais estrelas recrutadas por Alabama em 2016?

Nesta seleção de 2016, existem 3 jogadores que gosto bastante. Os observei em alguns highlights e trechos de partidas. O primeiro a citar é o Inside Linebacker Ben Davis. Excelente no combate de corridas, faz um bom trabalho no jogo aéreo, uma das necessidades da defesa de Alabama. Possui o biótipo ideal para a posição. Também jogou partidas como wide receiver, mas foi na defensiva que conseguiu destaque e as 5 estrelas para recrutamento

Outro nome que encheu meus olhos foi Jonah Williams. O tackle era um muro intransponível no campeonato californiano. Chegou a integrar até a linha defensiva de sua escola. Muitos analistas o colocam como uma resposta imediata para suprir algumas carências do setor direito da linha ofensiva de Alabama, que nestas duas partidas de início do College tem tido algumas pressões pesadas.

Para finalizar, aponto Raekwon Davis. Que defensive tackle explosivo! Dá gosto de vê-lo em campo, sua força e agressividade o colocariam, para mim, como 5 estrelas, mas sua avaliação principal o colocou como 4 estrelas. Ele é o padrão ideal para a parte interna das linhas defensivas de Alabama que já tiveram Dareus, Robinson e Reed.

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Mais fatores que fazem de Saban um ótimo construtor de times

Construir uma equipe não é apenas o recrutamento eficiente. Saban consegue entender os jogadores e possui uma relação próxima a todos. Você pode pegar nos depoimentos dos jogadores que passaram por lá. Ele conhece e consegue tirar o melhor de cada atleta com sua disciplina. Ele sabe a hora de colocar o talento para jogar. Ele tem a capacidade de passar para estes garotos o espírito da NFL, algo que auxilia no amadurecimento mais rápido e contínuo de cada um.

Outra coisa que vemos ao longo de seu trabalho é a capacidade do coletivo. O técnico consegue transformar jogadores medianos em peças chaves num esquema coletivo. Seus ataques, mesmo não sendo cheios de talentos em todas as posições, possuíam boas peças que juntas funcionavam de forma fulminante. Em compensação, na defesa, sempre teve prospectos arrasadores, que podiam decidir jogos sozinhos, mas Saban conseguia combinar as virtudes de todos e montar times soberanos.

A comissão técnica também o auxilia magistralmente. Sempre saem de Alabama bons profissionais, que quando vão para o mercado fazem uma diferença brutal. O último que podemos citar é Kirby Smart, que ficou anos na coordenação defensiva e no início desta temporada recebeu um convite de Georgia para ser Head Coach.

Sou fã de Saban e creio que a hegemonia de Alabama ainda não chegou perto de seu fim. Este ano ele remodelou sua equipe e é mais uma vez favorito. Repôs as lacunas e desenvolveu talentos como Allen, Jackson, Ridley e Foster. Mesmo com os problemas na posição de quarterback, sua filosofia do coletivo suprirá este obstáculo.