A temporada do futebol americano universitário está entrando na reta final. E após esta enxurrada de Bowl Games, vamos voltar nossas atenções para sabermos quais equipes que se qualificarão para a disputa da grande final que será realizada em Tampa na Flórida. Para iniciarmos esta saga, vamos a uma análise sucinta da primeira partida destas semifinais. Nosso olhar se voltará para o Chick-Fil-A Peach Bowl – Washington vs Alabama, no lindíssimo Georgia Dome em Atlanta. As trincheiras se colidem no dia 31/12, ás seis da tarde. Vamos aos trabalhos.

Washington Huskies fullback Myles Gaskin

Washington Huskies

Com uma campanha 12-1, com apenas uma derrota para USC em Novembro e o título indiscutível da PAC 12. Vai a Atlanta com um dos times mais sólidos e surpreendentes que este vimos este ano.

O ano de 2016 veio para salientar e qualificar o trabalho do head coach Chris Petersen. Após 7 temporadas como treinador de Boise State, chegou a Seattle com a missão de substituir Steve Sarkisian, que foi assumir USC. Petersen, além de ter que montar uma equipe competitiva, também recrutou uma das melhores comissões técnicas atuais do futebol universitário. Trouxe o spread estruturado de Jonathan Smith, com quem já havia trabalhado em Boise State. E para a defesa convidou seu ex-colega Pete Kwiatkowski, que desde 2014 tem feito um trabalho primoroso no setor defensivo, que revelou jogadores como o excelente cornerback Marcus Peters, o linebacker Shaq Thompson e o defensive lineman Danny Shelton. Este ano também entregou um dos linebackers mais interessantes deste draft e que ainda busca espaço no roster dos Saints, Travis Feeney.

Ataque

Para ganhar o título da Pac 12, que não vencia desde de 2000, Smith montou um ataque vertical no qual contou com a produção crescente de um dos melhores quarterbacks deste campeonato, Jake Browning. Com um braço fortíssimo e tranquilidade no pocket, vimos um QB que ultrapassou as 3000 jardas e que alcançou incríveis 42 TDs. Browning é protegido por uma das 20 melhores linhas deste campeonato, que começou com algumas dificuldades para abrir espaços nas trincheiras, mas aos poucos foi se ajustando. Nesta OL, gostaria de fazer uma menção honrosa a Trey Adams, que tem se portado muito bem como Left Tackle e que aos poucos tem se mostrado um excelente prospecto para o futuro.

John Ross fez um excelente campeonato. Com 1122 jardas recebidas em 76 recepções, e excelentes 17 TD´S, foi o principal alvo de Browning. Suas rotas longas eram cheias de segurança e velocidade, acho que a mídia norte americana não o valoriza este excelente wide receiver, que vem entrado em um nível de desenvolvimento interessante, vejo esta melhoria inclusive em seu trabalho de cortes e movimentação para se desvencilhar dos defensores.

Outra boa opção foi Dante Pettis. Este WR fez um trabalho importante na redzone. Sua movimentação em slant era constante e sempre enganava a secundária adversária. Myles Gaskin correu, e correu bastante. Após um excelente ano como freshman, sua temporada de sophomore tem sido melhor ainda. Ganhou a companhia de Lavon Coleman, que não havia feito dois anos anteriores muito bons, mas neste ano Petersen encontrou um espaço e anexou o camisa 22 entre as opções.

Defesa

A defesa não foi tão dominante quanto nos anos anteriores. Kwiatkowski, este ano, ganhou a companhia de Jimmy Lake para a formação deste setor. O 3-4, é composto por uma DL muito jovem, tendo como uma das principais deficiências o pass rush, que precisa melhorar para conter Alabama. Psalm Wooching e o versátil Joe Mathis, são os jogadores que mais se destacaram na pressão ao quarterback, mais isso não é o suficiente, já que Mathis não jogará em Georgia por uma lesão no pé.

O setor defensivo de Washington merece dois destaques: o primeiro é pela evolução contra o jogo corrido. Azeem Victor e Budda Baker cresceram demais, e seus tackles foram firmes e decisivos. O fantástico running back de Stanford e merecedor do Heisman em 2015, Christian McCaffrey, correu apenas 49 Jardas, mesmo tendo um playbook ofensivo montado todo ao redor de si.

O outro destaque fica por conta da secundária: o craque do setor é o cornerback Sidney Jones. Sua leitura e sua agressividade são impressionantes, é outro nome que merecia mais destaque na mídia. Não está no nível de Desmond King de Iowa, mas pode ser uma excelente opção de segundo round para o Draft de 2017, se não optar por jogar mais um ano no College. O safety Taylor Rapp, é outro fenômeno, não apresentando em suas atuações a insegurança comum de um freshman.

Alabama Crimson Tide Head Coach Nick Saban

Alabama Crimson Tide

Já falei demais de Saban e cia., mas terei que falar deles novamente: os atuais campeões do College demonstraram o favoritismo com muita regularidade e superioridade. Não importa o tamanho do adversário, Alabama joga com autoridade, como uma máquina, parece que tudo é automático e não tem erros. Ganhar a SEC era um mero detalhe para esta equipe.

Saban quer premiar sua décima temporada em Alabama no melhor estilo. Embora existam rumores de sua volta à NFL, acho que sua permanência para 2017 é quase certa. Lane Kiffin, seu coordenador ofensivo, se despede ao final desta temporada. Em 2017 será o novo head coach de Florida Atlantic University. Foram três anos de trabalhos consistentes e vencedores. Este ano ele teve um desafio, planejar as jogadas para um quarterback calouro. Jeremy Pruitt também tinha seu próprio desafio, continuar fazendo a defesa de Alabama uma das melhores e manter esta tradição. Mas no geral, foi muito bem, manteve o alto nível, e conseguiu fechar algumas lacunas.

Ataque

A linha ofensiva é a melhor parte deste ataque. Sob liderança do melhor OL do próximo Draft, Cam Robinson. Muita desconfiança esteve sobre esta linha ofensiva após a saída de Ryan Kelly para NFL, mas caíram por terra ao longo da temporada. Em comparação com as temporadas passadas, o ataque produziu muitos pontos, porém ainda não convenceu tanto pelo alto, quanto por terra. Talvez isso melhore ano que vem, já que Jalen Hurns terá mais experiência e mais familiaridade com o esquema.

Calvin Ridley foi prejudicado, o WR tem muito potencial, mas não obteve mais volume devido algumas escolhas efetivadas. Mas quando acionado teve alguma dificuldade. O.J Howard e Ardarius Stewart, foram outros excelentes alvos de Hurns. Poderiam produzir muito mais. Ambos foram os targets para passes de segurança e médias distâncias.  

O jogo corrido decepcionou, após um Derrick Henry que ganhou um Heisman por correr mais de 2200 jardas em 2015, os running backs do elenco não conseguiram produzir juntos o que ele fez. Sei que houve um revezamento entre quatro jogadores, mas ainda não foi o suficiente.

Defesa

Jonathan Allen, Reuben Foster, Tim Williams, Minkah Fitzpatrick, Marlon Humphrey e Eddie Jackson. Uma galáxia de estrelas nesta forte defesa. Pruitt manteve a intensidade e a pressão dos anos anteriores no front seven, e conseguiu fortalecer ainda mais o fundo do campo. Inclusive, acho que a secundária de Alabama deste ano seja uma das mais fortes dos últimos cinco anos em termos de talentos. Precisam melhorar muito, além de buscar o amadurecimento, mas talento para Fitzpatrick e Humphrey não faltam.

Um pass rush mortal e a contenção a corridas efetiva, é um setor quase perfeito, porém precisa de algumas melhorias no interior da linha defensiva, que as vezes perde alguns duelos nas trincheiras. Mas de resto, é um excelente setor.

O duelo

Acho que a chave deste jogo é o duelo entre o ataque produtivo de Washington contra a defesa quase perfeita de Alabama. Jonathan Allen será a chave para a intensidade imposta a linha ofensiva. Além de explosão, a velocidade de Allen pode romper a proteção deficitária, ainda mais na área interna. Em compensação, o QB de Washington precisa manter o baixo número de turnovers, coisa que fez durante toda a temporada, além de botar esta bola para jogo muito rápido. Aliar estes dois fatores pode ser complicados e até mesmo arriscados.

Gaskin terá um duelo particular com Foster. O RB dos Huskies tem um desafio extremamente complicado contra este miolo de linha, já que a média de jardas cedidas pelos Crimson Tide era de mais de 63 jardas por partida.

A resposta de Alabama é forçar turnovers. Ao longo da temporada conseguiu 24, dos quais 14 são só em interceptações. Pensando individualmente, acredito que Allen, Foster e a secundária, devem vencer seus duelos individuais. Em um contexto geral, acredito que Alabama vença com folga. Mesmo com a qualidade do ataque de Washington.