O fim do ano se aproxima, e o futebol americano está chegando em seus momentos decisivos em todos os âmbitos, tanto no universitário e também na NFL. E nós também estamos nessa vibe, e por este motivo, vamos continuar nossa jornada de dissecação sobre os semifinalistas do College. O jogo de hoje é o Playstation Fiesta Bowl – Ohio State vs Clemson, que duelam por uma vaga na ensolarada Tampa em Janeiro. Este confronto se dará na também ensolarada, e ainda mais quente Phoenix, no palco do Super Bowl 50, o University of Phoenix Stadium. Esta partida ocorrerá também no dia 31, só que às 10 horas da noite, no horário de Brasília.

Para estar mais por dentro dos times e o que observar, nos acompanhe nesta análise sobre a melhor e mais equilibrada partida das semifinais da FBS.

Clemson Tigers

Ataque

Antes da temporada se iniciar, eu dizia que, ao lado de Alabama, esta era a candidata ao troféu e que seu quarterback Deshaun Watson era o melhor jogador do College e seria a grande estrela este ano. O favoritismo continua, porém em menor intensidade. Em relação a Watson, ele é um grande jogador, mas não viveu o que eu e os críticos esperávamos dele. Ele realmente é o quarterback mais preparado para o profissional, porém talvez esta expectativa de estar entre os grandes o afetou.

Eu tenho uma outra tese, embora talvez seja uma destas teorias da conspiração que cerca os Illuminatis, mas vamos lá: acho que o medo de ser selecionado pelo Cleveland Browns o fez repensar algumas coisas. Ser first pick e ser triturado em Cleveland talvez não esteja em seus planos, a queda de rendimento pode permiti-lo estar em um ambiente melhor e mais tranquilo como por exemplo, Arizona, e quem sabe, Chicago. Tudo isso foi uma piada, mas não duvido disso. Brincadeiras à parte, Watson é um jogador fenomenal e pode ser o principal fator de desequilíbrio para a equipe da Carolina do Sul.

Dabo Swinney é um grande técnico, e possui uma comissão técnica que talvez não esteja a sua altura. A dupla Elliot e Scott, que são crias de Clemson, precisa melhorar um pouquinho. Acho que o jogo corrido não foi tão eficaz quanto a temporada passada, e isso é inadmissível. Para uma equipe com um excelente corredor e uma linha ofensiva que possui talento e domina a trincheira de uma forma excepcional. Sei que esta OL cometeu alguns deslizes, mas possui muito talento. Mas no geral o ataque, não produziu o que se esperava, não sei se foi por falhas ao chamar jogadas ou talvez pela previsibilidade em alguns pontos.

Além de Watson, o ataque dos Tigers tem um excelente corredor chamado Wayne Gallman. Este running back fez um 2015 excelente, mas seu 2016 não está tão bom. É um corredor forte e que tem uma boa média de jardas por carregada, porém não foi acionado tanto quanto necessário. Isso está visível nos números de Watson, que em 13 partidas este ano fez 329 tentativas de passe, e em 15 partidas em 2015 teve 333. Se mantiver esta média até uma provável final em 2016 pode ultrapassar as 411 tentativas. As interceptações são um outro número que aumentou, no ano passado eram 0,87/jogo, e nesta temporada já chega em 1,15/jogo. Com isso concluímos que para ir longe será necessário um ataque mais criativo e híbrido, que dívida a responsabilidade do QB com seu RB. Gallman tem qualidade e pode ser esta resposta.

Quando Watson tem a bola na mão, sua cabeça mira automaticamente o bom Mike Williams. O WR possui 84 recepções, e 1171 jardas e 10 TDs. É um alvo nos moldes de Martavis Bryant, opção em profundidade e extrema velocidade. Mesmo com 1,93m, é extremamente ágil e possui uma capacidade incrível de se esticar e lutar lá em cima. Outro alvo que gosto bastante e o tight end Jordan Leggett. Apesar de ser o quarto principal alvo, tem mostrado uma desenvoltura na endzone. É o segundo recebedor de Clemson com mais jardas recebidas, além dos famosos passes de segurança que os TE recebem, vimos também ele receber passes mais longos.

A OL é uma das melhores da liga, mas ainda falta alguns ajustes pelo lado esquerdo interno e externo. Mas isso é normal para um setor que é composta por dois sophomores. Desta linha, gosto muito da coragem e da movimentação de Sean Pollard. O RT, é muito ágil e consegue abrir alguns espaços interessantes. Mas talvez a imaturidade de jogo o tem feito perder alguns duelos com as trincheiras adversárias. Na minha visão, o melhor jogador da OL de Clemson é Jay Guillermo. O center tem mostrado uma sintonia gigante com Watson e sua evolução tem sido contínua ao longo dos anos.

Defesa

Meu maior medo para esta defesa era ver se as perdas de Shaq Lawson, Kevin Dodd, T.J. Green e Mackensie Alexander (respectivamente selecionados por Bills, Titans, Colts e Vikings) para NFL seriam superadas. Pelo lado de pass rush, ainda não. Lawson e Dodd fazem muita falta. A agressividade e o domínio têm deixado a desejar, mesmo com um Carlos Watkins jogando bem e melhorando ao longo dos jogos. É necessário mais, muito mais. Mesmo com alguns problemas pressionando o quarterback adversário à tona, trago destaque para Dexter Lawrence, que chegou este ano, e se mantiver a tranquilidade pode tornar-se um excelente nome para o futuro e para o lado interno da DL.

Já pelo lado da secundária, os substitutos de TJ Green e Alexander, tem jogado muito bem. Jadar Johson e Codrea Tankersley tem tido um ano com muitas interceptações e tem ajudado a dificultar a vida dos alvos inimigos. Além de constituir um dos melhores suportes contra o jogo de corridas do campeonato.

Falando em jogo de corridas, gostaria agora de falar com um dos meus jogadores defensivos prediletos desta defesa, Ben Boulware. É um dos cinco melhores valores da posição de inside linebacker. É uma verdadeira máquina de tackles, além de ser intenso no auxílio ao pass rush. Sua maior especialidade é conter o jogo terrestre adversário com extrema maestria. Também tem ganhado destaque ao marcar os recebedores adversários com intensidade. Todas estas qualidades são demonstradas desde o high school. Para mim, o camisa 10 é ao lado de Watkins, o principal destaque desta defesa. Gostaria de parabeniza-lo pela incrível carreira universitária que construiu ao longo dos anos.

Ohio State Buckeyes

Mais uma vez a universidade de Elliott e Bosa está entre os principais programas do futebol americano universitário dos Estados Unidos. Falando nesta dupla, a temporada iniciou com um dilema e uma missão para o lendário head coach Urban Mayer: como seria a vida após a constelação apagada pelo Draft da NFL?

Após o último Draft o treinador perdeu ao todo 12 jogadores. De seu pass rusher, ao running back sensacional, passando por um dos mais consistentes jogadores de linha ofensiva da NCAA. O desafio parecia complicado, e para piorar ainda mais o calendário deste ano, estava pesadíssimo, com confrontos imprevisíveis contra Nebraska, Oklahoma, Wisconsin, Michigan e Michigan State. Para piorar, sua única derrota foi na Pensilvânia para Penn State, que foi crescendo ao longo da temporada. Mesmos com todas estas complicações, Mayer traçou os objetivos, e seus oponentes foram caindo por terra um a um. E a equipe de Columbus, OH, atingiu a segunda posição no AP Poll.

Ataque

O ataque não funcionou da forma correta. Inicialmente, pensei que a culpa fosse de JT Barrett, que começou o ano com certa desconfiança e com problemas comuns a quarterbacks que não possuem um ritmo de jogo adequado. Barrett não tinha uma sequência grande de partidas como titular desde de que perdeu a vaga para Jones, após uma lesão que o tirou dos momentos decisivos rumo ao título do College. Mas aos poucos, o vi crescendo. Mesmo não sendo um passador elite, soube usar as pernas quando necessário. Sua mobilidade era a chave para os maiores pressões e espaços.

Seus alvos também não demostraram muita firmeza e não produziram o suficiente, Curtis Samuel era acionado para médias e longas distâncias e Noah Brown era o target para a redzone. Outra vulnerabilidade deste ataque, é o jogo terrestre. Mike Weber não é nem de longe o que Elliott foi, e sua capacidade de dividir a responsabilidade com Barrett é quase ineficaz. Não sei se a culpa é dele, ou das chamadas. Mas para serem uma equipe vencedora, é de extrema necessidade ter um jogo aéreo consistente e um jogo corrido que administre o relógio e que busque os downs nos momentos certos. Mas sem um running back produtivo e criativo, fica difícil.

Foi ruim ver uma equipe como Ohio State, que ao longo dos últimos cinco anos tinha como principal característica um ataque intenso tanto pelo chão quanto pelo ar. Mas esta herança não se perpetuou, e os Buckeyes formaram um time ofensivo preciso.

Para finalizarmos o ataque, gostaria de mencionar o guard Pat Elflein. Embora Taylor Decker fosse um bom Tackle, um jogador que sempre me encheu os olhos neste setor foi Elflein. Primeiro por sua incrível capacidade de ser um guard excepcional, e center confiável quando preciso. Possui o tamanho ideal para as duas posições, mas por ser esperto e ágil se necessário pode até atuar como tackle pelo lado direito da linha. Foi o principal amigo de Elliott quando este jogador brilhava por lá. Seus bloqueios eram dominantes e sua capacidade em abrir espaços é sensacional. Trago uma lembrança de um bloqueio impressionante, contra Michigan a uns anos atrás. Elliott correu mais de 20 jardas após uma parede que este jogador fez. O coloco como o melhor jogador interno de OL de toda FBS.

Defesa

Vamos a defesa. Bosa, Perry e Lee fazem falta, mas Raekwon McMillan assumiu o protagonismo deixado por eles e virou o principal nome defensivo. Os quarterbacks adversários foram surpreendidos pelo bom desenvolvimento da dupla Nick Bosa e Tyquan Lewis. Estes fizeram muita pressão na OL adversária, e parecem ter amenizado estas perdas tão difíceis. Lewis manteve sua excelente performance desde a temporada passada, quando foi o melhor pass rusher de Ohio State. Jerome Baker é outro a dar mérito. Ajudou muito McMillan no jogo corrido, e se apresentou como opção para um pass rusher secundário.

Talvez a secundária seja o melhor setor da equipe, além de render muitos turnovers, é um dos mais regulares e efetivos da defesa. Uma menção honrosa, ao excelente safety Malik Hooker. Ele é apenas um sophomore e ganhou a titularidade efetiva este ano, mas tem apresentado muita força e um excelente combate aos tight ends, e tem imposto uma dominância ferrenha na profundidade do campo. Sou um grande fã dele.

Outros valores que gostaria de apresentar a vocês, a boa dupla de cornerbacks, Gareon Conley e Marshon Lattimore. Não chegam a fazer arquipélagos, mas tem mantido regularidade, boas coberturas e buscam sempre o contato firme com os alvos inimigos.

O combate

Este será o jogo mais equilibrado das finais, e talvez o que gere maior imprevisibilidade. Não consigo, neste momento, dar vantagem a nenhuma das equipes. Será um jogo de estratégia, com aquele velho clichê de “partida vencida pelos detalhes”.

A chave da vitória de ambas as equipes são os ataques. É impor uma resistência nas trincheiras, e explorarem o jogo terrestre de forma adequada. Talvez esta seja o fator surpresa de ambas as equipes. Por talento Clemson leva uma pequena vantagem, Wayne Gallmann tem mais serviço mostrado, e pode ganhar aquelas jardas decisivas e conservar Watson para bolas mais longas, já que talvez o seu braço seja um dos mais precisos e mortais. Gallmann precisa ser efetivo, para que Swinney possa inclusive ter aquele controle de relógio.

Já por Ohio State, talvez esta seja a hora de Barrett ser um passador. Alvos ele tem, e a linha ofensiva não compromete. Mas Clemson tem um esquema muito interessante contra os quarterbacks móveis, e isso por complicar. Não acredito em Barrett lançando passes de 40 jardas, mas acredito em lançamentos médios e buscando sempre escolhas mais seguras.

Outra solução para Mayer, talvez seja dar mais a bola na mão de Mike Weber e contar com o talento de Elflein abrindo aquelas lacunas ao lado de Carlos Watkins de Clemson. Se Elflein e Elliott foram uma boa dupla, que tal Elflein e Weber? Talvez esse seja o adendo para garantir o triunfo em Arizona.