Sabe aquele plano de 4G de 10GB/mês pelo qual você paga uma fortuna e mal usa 30%? A lógica aplicada nessa situação seria diminuir o plano para evitar o gasto desnecessário, correto? É basicamente essa a explicação para cap casualty. Basta substituir o plano pelo jogador que já não rende o esperado pelo salário.

O ano de 2018 já começou com alguns cortes curiosos. O Carolina Panthers liberou o S Kurt Coleman e o DE Charles Johnson, que estavam na equipe há respectivamente sete e dez anos. Oakland Raiders dispensou o CB David Amerson, que assinou com o Kansas City Chiefs em sequência. O Chiefs, por sua vez, se livrou do veterano CB Darrelle Revis. Após picos muito altos e depressões muito baixas, o RB Doug Martin foi mandado embora pelo Buccaneers. E, depois de algumas suspensões por anabolizantes, o Houston Texans dispensou o LB Brian Cushing.

Recentemente realizadas

QB Mike Glennon (Chicago Bears)

Todos foram surpreendidos na offseason passada quando Glennon assinou por US$45 MI em Chicago. O espanto foi maior ainda quando, além disso, o Bears draftou Mitch Trubisky na 2ª escolha geral. Após más atuações, Glennon se viu substituído pelo calouro. Apesar de não contar com um elenco recheado, Trubisky jogou razoavelmente bem. Espera-se uma evolução em 2018, ajudado por um elenco mais robusto. Glennon foi dispensado na quarta (28), o que resultará numa economia de US$11,5 MI nessa temporada e US$ 14 MI na próxima.

O desempenho de Glennon aliado a seu alto salário resultaram em sua saída

DE Muhammad Wilkerson (New York Jets)

Após impressionar durante seu contrato de calouro, a 30ª escolha de 2011 assinou, em 2016, um contrato de US$86 MI válido por cinco anos. Apesar do impacto dentro de campo (que renderam duas eleições ao segundo time do All-Pro), as indisciplinas fora dele foram aumentando. Surgiram boatos de que Mo se atrasava diversas vezes para reuniões da equipe e isso foi, ao longo do tempo, suplantando seu desempenho. O defensive lineman não conseguiu anotar 5 sacks sequer tanto em 2016 quanto em 2017. Com o corte, o Jets poupa US$ 11 MI em cap space enquanto carrega um dead cap¹ de US$6 MI.

RB Jonathan Stewart (Carolina Panthers)

Depois de uma década, o casamento Stewart-Panthers também se encerrou nessa semana. Muito respeitado na franquia, Stewart recebeu o mesmo tratamento de vários running backs na casa dos 30. Com o desempenho na descendente e seu sucessor já no roster, Stewart se viu fora da equação. Carolina Panthers acaba economizando US$ 3.7 cortando o líder da franquia em jardas corridas.

Stewart foi um dos maiores nomes da franquia da última década

Previsões

RB DeMarco Murray (Tennessee Titans)

A temporada de estreia de Murray em Tennessee foi fantástica. Passou das 1200 jardas corridas, anotou 12 TDs totais, quase levou a equipe aos playoffs. No entanto, 2017 foi o extremo oposto. Marcada por lesões, foi estatisticamente uma das piores de sua carreira. Enquanto isso, o segundo-anista Derrick Henry teve médias muito superiores e pode muito bem ser o sucessor do veterano de 30 anos. Cortando Murray, o Titans não teria nenhum dead money, economizando um total de US$ 13 MI nas próximas duas temporadas.

WR Michael Crabtree (Oakland Raiders)

O wide receiver de Oakland é mais um exemplo de “trintão” que teve uma queda no desempenho. É bem verdade que o Raiders como um todo regrediu em 2017, o que inclusive resultou na demissão de Jack Del Rio. Ainda assim, Crabtree pode ter deixado o front office receoso quanto a dar um total de US$ 15,9 MI nos dois próximos anos. Amari Cooper se mostrou muito inconstante, mas tem todo o potencial para ser o WR1 da equipe com sobras.

Numa temporada mediana, o destaque vai para a segunda briga com o cornerback Aqib Talib

WR Tavon Austin (Los Angeles Rams)

De todos os erros do passado recente do Rams, o maior foi pagar tanto na renovação de Tavon Austin. Oitava escolha geral em 2013, o receiver nunca passou das mil jardas (pasmem) de scrimmage. Ainda assim, recebeu um contrato de US$ 42 MI por quatro anos. E vocês aí tirando sarro dos terraplanistas. Surgiram boatos ontem (1º) de que o time estaria disposto a trocá-lo e, caso não o fizesse, o cortaria. Austin deixaria um dead cap de US$ 5 MI na temporada, fazendo com que a economia fosse de apenas 3 MI.

WR Jeremy Maclin (Baltimore Ravens)

O corte de Jeremy Maclin em 2016 pelo Chiefs pegou a todos de surpresa. Caso isso aconteça agora, a reação será bem diferente. Maclin conta US$ 7,5 MI contra o cap dos Ravens e vem de duas temporadas muito decepcionantes. Somadas as jardas de 2016 e 2017 não chegam a 1000. No fim das contas, o Ravens pode contar com uma economia de US$ 5 MI caso opte pelo corte.

Visto como um lampejo de esperança, Maclin desapontou a muita gente em Baltimore

WRs Jordy Nelson OU Randall Cobb (Green Bay Packers)

Já se foi a época em que Cobb e Nelson eram símbolos da franquia de Green Bay. Os dois, junto obviamente de Aaron Rodgers, tiveram temporadas fantásticas com jogadas memoráveis. Contudo, mesmo com Tom Brady tentando vencê-lo, o “pai tempo” acaba por derrotar a todos. Com a ausência de Rodgers por boa parte da última temporada, pudemos ver um declive acentuado na performance de Jordy Nelson. O recebedor, que liderou a liga em TDs no ano retrasado, terminou 2017 com míseras 482 jardas e 6 TDs. Cobb, por sua vez, mescla atuações impressionantes com outras muito apagadas. O fato é que sua relevância na equipe vem minguando a cada temporada. Somado a tudo isso, o Packers é o time que mais gasta com wide receivers atualmente. O valor passa dos US$ 38 MI, 10 milhões a mais em relação ao Cowboys, segundo da lista.

TE Eric Ebron (Detroit Lions)

Seguindo na NFC Norte, temos o nome de Eric Ebron. O tight end ainda conta com alguns defensores, mas já é visto por vários outros como bust. Décima escolha geral em 2014, Ebron chegou com bons atributos físicos. No entanto, eles nunca se traduziram em bom desempenho. Marcado por péssimas atuações, Ebron tem um cap hit de US$ 8,25 MI e nenhum dead cap no caso de ser cortado. A opção não seria surpresa nenhuma nem para a própria torcida quanto para a dos rivais.

¹Dinheiro que as franquias devem aos jogadores cortados e que contam no cálculo do salary cap.