Antes de partir para o texto, vale uma nota: Este artigo estava pseudo-pronto antes do jogo contra o Eagles, porém, por prudência desta pessoa, resolvi esperar para dar desenvolvimento à ele. Algo que não mudou com relação ao que seria publicado anteriormente foi o título. Simples, se o Steelers ganhasse o jogo, o título seria esse, com um teor do texto puxando para o “ainda temos muito que melhorar apesar do 3-0”, como não ganhou, o teor dele está explícito a partir do próximo parágrafo.

Pois bem, a derrota veio, e de maneira humilhante (não há outra palavra que exemplifique melhor) e acabou com a empolgação de muitos torcedores. Estou dizendo “muitos” e não “todos”, pois sempre tem os extremamente otimistas, assim como os extremamente pessimistas. Torcer é isso, é emoção e não razão. Enfim, e se tentarmos olhar o outro lado da moeda?

Com relação ao calendário e classificação, o fator que não influencia em nada é o fato de termos perdido para um time da NFC. Dos quase infinitos critérios adotados pela NFL para desempatar na classificação, confesso que não encontrei um sequer que diz respeito a jogos com adversários da outra conferência. O Cincinnati Bengals, nosso rival de divisão, por exemplo, perdeu 2 jogos na temporada, um para o próprio Steelers e um para o Denver Broncos, rival dentro da conferência americana. Lá na frente, caso o Bengals termine empatado com o Broncos, vale o confronto direto, caso termine empatado com outro time da AFC e não tenha tido o confronto, basicamente as vitórias dentro da divisão e conferência irão pesar….isso se arrasta até o bom, velho, curto e grosso “cara ou coroa”. Já pensou ficar fora dos playoffs na moeda? É raro (extremamente, absurdamente raro), mas se tem na regra é porque é possível que aconteça.

Ok, perdemos para um adversário que não irá nos afetar nos desempates, mas perdemos por 34 a 03, e isso é terrível, certo? Sim, com restrição. Uma derrota, onde a diferença foi de 31 pontos é um verdadeiro banho de água fria para quem estava realmente empolgado e até considerando um 16-0, por que não? Mas vamos pensar por um outro lado. O Steelers precisa provar que tem um ótimo ataque? Não dá para responder que sim. Nos últimos dois anos estivemos no topo da liga, Big Ben co-liderou a NFL em 2014 com 4.952 jardas (junto com Drew Brees do New Orleans Saints) e em 2015 liderou absolutamente sozinho a NFL em jardas por jogo, com 328, isso tudo completando 68% dos passes tentados. Ben Roethlisberger é muito mais do os 59% de passes completos nesses três primeiros jogos, e sabemos disso. Aos 34 anos não podemos dizer que esteja sentindo o peso da idade, isso seria uma blasfêmia.

Então, considero que com relação ao ataque o jogo contra o Eagles foi um verdadeiro ponto fora da curva. Coisas assim não acontecem com o Steelers o tempo todo, e não devemos nos preocupar com isso. Sério, repito, não devemos nos preocupar com o ataque, que ainda terá Le’Veon Bell de volta no Sunday Night Football, contra o Kansas City Chiefs.

Agora sim vem o setor do time que dá calafrios a qualquer um. O nome desse site é Steel Curtain em homenagem à defesa dos anos 70 que ficou conhecida dessa maneira e o nome é até hoje ligado ao Steelers. Defesa incrível formada por nomes como Dwight White, “Mean” Joe Greene, L. C. Greenwood, Ernie Holmes, Jack Ham, Jack Lambert, entre tantos outros. Nos anos 2000, com a revolução do zone blitz, Dick LeBeau colocou a defesa do Steelers de novo no topo da liga, e por vários anos o time esteve entre os melhores defensivamente. Bate uma saudade dessa época, assistir outros times jogarem tão bem defensivamente nos dá aquela inveja branca. “Também quero ter uma defesa”.

É, o desafio aqui é argumentar que o time ainda é Super Bowl contender esse ano mesmo tendo atuações totalmente bizarras até então. Secundária não é segredo para ninguém, ainda está lutando para ter qualquer impacto na liga, porém o que estamos vendo ao final da terceira semana é uma defesa que é a segunda pior contra o passe, isso mesmo, só perde para o Oakland Raiders no fundamento. Contra a corrida o time é o 4º melhor. Nossa, mas isso é muito bom, né? Sim e não. Sim, pois realmente temos jogadores que sabem parar corridas, mesmo quando o time adversário foca no jogo terrestre. Não, pois o mundo inteiro sabe da fragilidade do nosso jogo contra o passe, e é normal que os quarterbacks passem mais a bola do que façam o handoff para os seus running backs.

Para não me estender muito e entrar no tema já stressado bastante em nossos podcasts, interações no Twitter, nos próprios textos aqui do site, darei apenas uma “pincelada” em dois fatores que contribuem muito para o grande ganho de jardas de nossos oponentes. Um deles, pass rush nulo até então. Pressão inexistente nos QBs adversários contribuem e muito estes consigam achar wide receivers livres de marcação após alguns segundos no pocket. Se não fosse a alma caridosa da NFL nos doar um sack (Arthur Moats teve um contra o Bengals, onde Andy Dalton já estava praticamente no chão encerrando a jogada. Obrigado NFL), o Steelers não teria computado um sack sequer na temporada. Mesmo assim, um sack em três jogos para o time que foi terceiro no fundamento em 2015 é algo extremamente preocupante. O outro são os tackles perdidos, que é rotina do time a muito tempo. Incrível como o time cede jardas após a recepção ou após o primeiro contato em uma corrida. Alguns TDs que tomamos esse ano passaram pelos tackles perdidos.

Ok, mas como conseguimos 11-5 em 2014 e 10-6 em 2015 e duas classificações para os playoffs se o comportamento da defesa pouco mudou? Ataque levou o time nas costas, simples. E para não dizer que não elogiei a defesa, em 2015 fomos um dos times que menos cederam pontos aos adversários e tivemos um excelente aproveitamento defendendo dentro da redzone. Já ouviu muito a gente falando “Enverga, mas não quebra”, correto?

Eu adoro e odeio esse ditado. É uma frase bonita que expôs nossa realidade na última temporada e nos dois primeiros jogos dessa, porém isso é a mesma coisa que brincar com fogo. Uma hora vai se queimar, e o Eagles tinha uma grande labareda de jogadas que não só envergou, como quebrou e estilhaçou nossa defesa. Foram 32 pontos sofridos nos dois primeiros jogos e 34 no último. Tudo tem um limite, e de tanto envergar, a defesa se rompeu.

Após ter soltado os cachorros na defesa nos parágrafos acima, temos vida após essa derrota? É claro que sim. E muita. Até gostaria que o torcedor que falava 16-0, agora solte um 15-1. Por que não?

Juntando os pontos, nosso front office tem motivos e argumentos de sobra para corrigir tudo que falhamos contra o Eagles. Melhor, eles não tem mais desculpas para não mudar esse comportamento do time.

O primeiro grande teste vem domingo, contra o Chiefs, no Heinz Field. Um time que forçou nada mais nada menos que 8 turnovers contra o New York Jets. Só o Fitzpratick foi interceptado 6 vezes. Secundária muito forte, porém sem Justin Houston é um time que também vem falhando em pressionar os QBs. O Eagles se provou um time muito forte para a temporada, independente do futuro deles e o time sofreu muito com isso. Lembrem-se que em 2014 o time terminou com um recorde 11-5, ganhou a divisão e teve a terceira melhor marca da AFC. Alguém lembra das 5 derrotas? Então vamos refrescar: Baltimore Ravens (10-6), Tampa Bay Buccaneers (2-14), Cleveland Browns (7-9), New York Jets (4-12) e New Orleans Saints (7-9). Quatro das cinco derrotas para times com campanhas abaixo de 50%. Perder para o Bucs em casa foi extremamente frustrante, e posso dizer que muito mais que levar 31 pontos de vantagem para o Eagles.

Enfim, independente do placar, todo time tem seu apagão, e esse diante o Eagles acendeu a luz amarela para o comodismo da equipe, porém essa mesma luz é capaz de acordar todo mundo para os 13 jogos restantes. O Steelers tem muitas armas e com o retorno de Le’Veon Bell o ataque tende a ficar ainda mais dinâmico e bagunçar a cabeça de nossos oponentes. A defesa, sinceramente, por pior que seja, é muito melhor do que a que vimos no dia 25 de Setembro.

Então, muita calma nessa hora. Não há motivos para entrarmos em pânico, e nem haveria motivos para comemorações caso estivéssemos 3-0. O campeonato é dinâmico e imprevisível, e uma das coisas que nem o time nem os torcedores devem fazer é deixar a peteca cair. Agora é momento de cabeça fria, a derrota já passou, o peso do vexame está desaparecendo, e o que temos que fazer é focar no restante do campeonato, sempre de olho nos fundamentos onde estamos deixando a desejar. Não podemos entrar na onda do “Fora Tomlin e cia”, e sim acreditar (e não se iludir) que esse time tem condições plenas de chegar ao Super Bowl mesmo tendo sofrido a pior derrota desde 1989.

#HereWeGo