Não vou esperar até a semana 4 para cravar se a dinastia acabou ou se ela está no seu ápice. Na verdade, nem vou entrar no tema. O fato é que a dinastia se encontra em alta velocidade sem saber quando vai parar (talvez numa derrota para o Kansas City Chiefs).
Existe algum produto não perecível na NFL? Provável que não. Mas se existe um que tenha um prazo de validade indeterminado com garantia estendida, esse produto se chama Bill Belichick, Head Coach do New England Patriots.

De 1960 – quando nasceu o então Boston Patriots – até 1999 quando não existia Belichick em Foxborough, os Patriotas computavam um aproveitamento de 47% em temporada regular (275 vitórias e 312 derrotas). Em 2000, o time cortou relações com Pete Carroll e foi buscar dentro da divisão um técnico substituto. Na época uma simples movimentação do Front Office, que via no então assistente técnico do Jets uma oportunidade de colocar o time na briga por playoffs novamente. Carroll ficou três temporadas em Boston, com campanhas 10-6, 9-7 e 8-8 (seria a próxima 7-9?), e apesar de não ter tido nenhuma temporada com recorde inferior a 50%, o time decidiu seguir adiante com uma nova filosofia. Pois bem, 16 temporadas já se foram desde que Bill Belichick fez o check in em Boston. De lá para cá, o time do marido da Gisele contabiliza 187 vitórias e apenas 69 derrotas, o que pelas contas que a tia Maria nos ensinou nas aulas de matemática no ensino fundamental, geram um aproveitamento de 73%, de longe o melhor desde 2000. Além disso, são 9 participações em finais de conferência, 6 participações em Super Bowls, com 4 títulos (Eli Manning ainda está engasgado na garganta do torcedor).

Em 2007, o time foi perfeito praticamente a temporada toda. Ganhou todos os 16 jogos da temporada regular e caiu apenas diante do New York Giants de Eli Manning…o famoso 18-1 se contabilizarmos as duas vitórias nos playoffs antes do Super Bowl.

É exatamente nesse ponto que quero chegar: 2016 começou, e muito bem para o Patriots. O time não era favorito para a abertura da temporada, jogando em Glendale, Arizona, contra a poderosa – será? – defesa do Cardinals. E mais, sem suas duas principais estrelas, Tom Brady, que está suspenso para os 4 primeiros jogos da temporada e Rob Gronkowski, machucado. O substituto da grande estrela do time, o QB Jimmy Garappolo, não convenceu muito durante a pré-temporada e gerou muita desconfiança. Mesmo assim, o time continuou no topo das bolsas de apostas em Las Vegas para ganhar o próximo Super Bowl e na estréia o jovem QB fez uma partida sólida e segura, ajudando seu time a bater os donos da casa por 23 a 21.

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Considerando a força do elenco, que passa diretamente pelas grandes negociações desse senhor chamado Bill, é normal que mesmo sem algumas estrelas o time continue sendo considerado um dos melhores na liga e após a vitória no primeiro Sunday Night Football da temporada, o trem do Hypeness passou em Foxborough para dizer que um novo 16-0 é realidade.

O time tem um calendário extremamente possível dessa nova façanha. Olhando superficialmente os jogos, Cardinals (já era), Pittsburgh Steelers (semana 7) e Denver Broncos (semana 15), todos fora de casa, são naturalmente os times mais competitivos pelo caminho. Steelers e Broncos vêm sempre enfrentando o Patriots desde a chegada de Belichick, visto que são os três melhores times da AFC (são 13 títulos em 24 Super Bowls jogados pelos três). São jogos que possivelmente o Patriots não entrará como favorito (assim como na semana 1), mas ao mesmo tempo não seria surpresa alguma ver o time saindo vitorioso dos dois confrontos.

Como isso tudo é possível? Bill Belichick. O head coach tem o poder de manter o time competitivo de tal forma, que todo ano alguém arrisca dizer que a equipe vai voltar a vencer todos os jogos da temporada. Além da suspensão de Brady, o time perdeu uma escolha de primeira rodada do último Draft, mesmo assim conseguiu fazer boas movimentações para buscar manter o time em alto nível. Para isso as vezes é necessário abrir mão de grandes jogadores, como foi o caso de Chandler Jones, que foi para o Arizona. Por outro lado, o treinador buscou peças fundamentais para a rotação do elenco, que é o caso da chegada do TE Martellus Bennett, ex-Bears.

Bill Belichick e o New England conseguiram reunir todos os ingredientes para mais uma temporada invicta, o plano está redondo, o primeiro passo foi perfeito, e agora resta o time trilhar o longo caminho sem tropeços. Brady está mais próximo da aposentadoria e ainda vem jogando em alto nível, os olhos já começam a olhar mais adiante. Com ou sem Brady, o time tem em seu técnico o verdadeiro MVP (Most Valuable Product) e o futuro próximo da franquia dentro de campo depende diretamente da continuidade de sua genialidade fora dele.
Definitivamente não existem produtos não perecíveis na NFL, mas Bill Belichick é o mais próximo disso, e um novo 16-0 só é possível graças ao seu trabalho.