O título da coluna não é exagero. Baylor teve uma pré-temporada realmente apocalíptica e aos poucos têm tentado escalar um abismo.

Este quadro se deu graças a um dos maiores escândalos do futebol universitário, o que rendeu a demissão do Head Coach Art Briles, que encabeçava a coordenação da equipe há oito temporadas. O problema surgiu com o acobertamento da comissão técnica em diversos casos de assédio sexual e estupro realizados por jogadores da equipe.

Só que o problema não ficou apenas no departamento de esportes. Algumas vítimas alertaram a universidade sobre este ocorrido, porém a mesma foi conivente com o problema, e não tomou nenhuma medida corretiva ou até mesmo preventiva para evitar a reincidência de novos casos. Estes episódios aconteceram diversas vezes e grandes nomes da equipe estiverem envolvidos no bolo.

A proporção do caso foi enorme na imprensa americana. Houve duras críticas à reitoria universitária, que teve a filosofia central de Baylor esquecida, já que a universidade é ligada a Igreja Batista.

Após a explosão desta bomba, diversas demissões e dispensas aconteceram, porém, a primeira coisa feita foi trazer um novo técnico e manter os coorenadores Kendal Briles e Phill Bennett. Por fim, estabelecer a sanidade dos jogadores e dos membros do corpo técnico.

No dia 30 de maio a reitoria trouxe Jim Grobe para assumir o cargo de Head Coach. Ex-treinador da universidade de Wake Forest, onde ficou de 2001 a 2013, Grobe está sem dirigir uma equipe há 3 anos, e veio para o cargo cercado de muita insegurança e com a missão de colocar a ordem na casa. Seu perfil disciplinador é a resposta para tudo isso dada pela direção esportiva de Baylor. O treinador passou por alguns episódios em Wake Forest que seu pulso firme teve de ser acionado.

Para piorar toda esta situação, alguns jogadores pediram transferência e outros, recém-recrutados, escolheram equipes diferentes para ingressar no College. Um dos exemplos de desistência a Baylor Bears, foi um dos melhores prospectos recrutados na posição de Wide Receiver da classe de 2016, Devin Duvernay.

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A partida

Baylor iniciou sua jornada com uma vitória em casa por 55 a 7 contra a Northwestern State Devils. O time fez o esperado, porém o adversário foi propício para isso. A equipe de Northwestern State é muito fraca, inclusive este programa integra a “segunda divisão do futebol americano universitário”.

Não era o adversário mais apropriado para uma avaliação técnica, mas este duelo inicial serviu para termos uma noção sobre mudanças de estilo de jogo, teste de novos jogadores, rendimento do novo Head Coach e para ver como a equipe assimilou este turbilhão de problemas.

Outra coisa importante para esta partida foi ver Seth Russel de volta aos campos depois de uma lesão no pescoço que lhe custou a sequência de jogos no final do ano passado.

Defensivamente

Baylor teve como esquema central o 4-2-5. Com 2 sacks durante a partida, o time defensivo tinha muita facilidade para chegar até o quarterback. Sem alternativas seguras de alvos e uma pressão liderada pelo linebacker Taylor Young, o quarterback de Northwestern State acertou apenas 26% das tentativas de passes.

Os Devils eram presas fáceis, não conseguiam estabelecer uma sequência de campanhas vitoriosas. Foram apenas 9 First Downs durante a partida. Sem êxito no jogo aéreo, a equipe tentava alavancar sem sucesso o jogo corrido (em 40 tentativas conseguiram apenas 47 jardas).

Foi muito bom ver que o padrão da temporada passada foi mantido. A defesa mescla experiência e fôlego. Agora, sem Andrew Billings (seu principal talento nos últimos três anos) no miolo defensivo, a renovação é necessária em alguns setores, mas a base continua a mesma.

A liderança de KJ Smith, que preencheu o lado esquerdo da linha defensiva, é o ponto de equilíbrio deste time e do esquema de pressão ao Quarterback. Taylor Young é outro jogador que obteve muita importância nesta partida, e creio que será um dos principais defensores da equipe. Além de pressionar o QB, como já mencionado, ajudou muito no suporte ao combate do jogo corrido e possui um físico excelente para a função de Pass Rusher.

No ataque

O ataque é todo moldado em Spread Offense, ou seja, Russell tem muitas opções para recepção e espaço para read option. Em uma situação de passe, quatro jogadores no mínimo se elegem como alvo.

O setor ofensivo mais produtivo no jogo foi o jogo terrestre. Durante a partida foram utilizados quatro Running Backs, que juntos atingiram a marca de 275 jardas e 2 TDS. O grande jogador deste rodízio foi Terrence Williams.

Seth Russell fez um jogo seguro. Não foi uma exibição de grandes highlights, mas se portou bem e tomou decisões sólidas. Com 163 jardas e um aproveitamento de 70% fez o que necessitava para vencer uma equipe tão frágil.

Outro jogador que foi prejudicado com a opção por baixo, foi o bom recebedor K.D. Cannon. Fez seu TD, mas recebeu apenas 5 bolas e atingiu 46 jardas. É um excelente nome e com a saída de Corey Coleman deve ser mais acionado durante o ano.

A linha ofensiva também fez um bom trabalho. Mesmo com a perda do versátil Spencer Drango na proteção ao QB e composição das zonas, a equipe se portou muito bem e conseguiu romper o Pass Rusher adversário com facilidade. O novo titular do lado direito interno da linha é o freshman Blake Blackmar que apesar de não ter muita experiência, mostrou que sabe jogar e abriu bons espaços para o jogo corrido.

No fim das contas…

No quesito estilo de jogo, foi mantido o padrão da temporada. Isso aconteceu devido à permanência dos coordenadores mencionados anteriormente e da base. A reposição das posições afetadas pelo draft da NFL, ainda creio que estão em aberto. Provavelmente para o próximo jogo contra SMU podemos ter mudanças nas posições antes ocupadas pelo WR Coleman, o OT Drango e o DT Billings.

Outro ponto positivo foi a volta de lesão de Seth Russell. O QB perdeu alguns jogos após sua lesão no pescoço. Foi substituído em alguns snaps, mas fez o esperado e não foi pressionado.

Grobe chega ao Texas em um momento nada bom e tem o dever de fazer a equipe uma das forças da Big 12. Apesar do pouco tempo de convivência, mostrou uma interação bacana com a comissão técnica e o time.

O elenco por enquanto não transpareceu as dificuldades herdadas da pre-season. O jogo foi o mais ideal possível, além da vitória e da facilidade, foi quase um treino de luxo. A equipe entendeu o que foi proposto e em nenhum momento a seriedade deixou de frequentar os snaps de Baylor.

O futuro

O futuro para Baylor ainda é uma incógnita. Não vão vingar nos playoffs, porém creio que a equipe tem condições de superar TCU e Oklahoma State, e consolidar-se na segunda posição da BIG 12 atrás de Oklahoma. Também abrem-se precedentes para um caminho difícil até o final da temporada, com tantas mudanças de curto prazo e um calendário que pode complicar.

A defesa não é brilhante, assim como todas as outras da conferência. Possui alguns talentos que podem decidir jogos. No ataque têm um dos melhores QBs do College, recebedores de bom valor e um jogo terrestre que mostrou-se produtivo desde a temporada passada.

Baylor estará entre as 25 melhores equipes do país, se jogarem focados e explorando as pérolas existentes no meio de toda esta lama que afetou um time tão vitorioso.

Highlights: