Los Angeles Chargers e Baltimore Ravens se enfrentaram neste domingo, às 16h, horário de Brasília, pelo Wild Card Round. A expectativa, para muitos, é que seria um jogo disputado, com uma pequena diferença de pontos, independente do quem fosse o vencedor. Não foi exatamente o que aconteceu. Apesar dos números da partida serem bem parecidos, o Baltimore Ravens só mostrou resistência no final do último quarto, com o time finalmente abrindo mão do jogo terrestre e pondo o quarterback calouro Lamar Jackson para passar a bola.

Nos segundos finais, inclusive, Baltimore deu sinais de que protagonizaria uma virada magnífica tendo a bola final do jogo e com a diferença de apenas uma posse no placar. Porém, a mão salvadora de Melvin Ingram que forçou um fumble em cima do camisa oito acabou com o sonho de prosseguir nos playoffs.

Os fumbles , aliás, foram um dos fatores cruciais para a vitória dos Chargers. Foram três, só nos primeiros oito minutos de jogo: dois do próprio quarterback e um do RB Kenneth Dixon. Isso ajudou a minar as campanhas ofensivas dos Ravens e colocar o momento do jogo nas mãos de L.A. Mas isso foi só uma parte do problema.

Favas Contadas

Com o tape de uma derrota na mão e uma semana para estudar o adversário, a estratégia de Anthony Lynn parecia óbvia e fundamentada em causar um colapso no adversário com uma estratégia bem simples, inclusive comentamos sobre isso em nosso preview: parar o jogo corrido.

A ideia: neutralizar Kenneth Dixon e Gus Edwards a fim de impedir que a principal arma do time funcionasse, e pressionar o quarterback a qualquer custo. Com isso o time ficaria sem sua principal arma ofensiva, não teria a posse de bola e deixaria a defesa cansada.

Prova disso é que os Chargers jogaram com 7 DB’s em 58 dos 59 snaps. Durante toda a temporada regular, o time lançou mão disso cinquenta vezes. Usando a quantidade de snaps desse jogo de média, isso dá cerca de 5%.

A estratégia deu certo. Sem um plano de jogo que pudesse prever esse tipo de situação, os Ravens se viram incapazes de pontuar em boa parte da partida, chegando ao cúmulo de passar o primeiro tempo inteiro sem ao menos ter chegado ao campo ofensivo.

Diga-se de passagem, a primeira oportunidade que Baltimore teve de passar da linha de 50 jardas foi através de um fumble sofrido pelos Chargers na linha de 30 do próprio campo, recuperado por C.J. Mosley

O último quarto

Até os nove minutos finais, o jogo parecia encaminhado para um final vexatório por parte dos Ravens. O time havia marcado apenas três pontos e perdia por uma diferença de vinte. O sempre confiável Justin Tucker perdeu seu primeiro Field Goal em pós temporada, um chute de 50 jardas em uma quarta descida para 1 jarda que o time não quis arriscar.

Foi apenas aí, quando tudo parecia acabado, que Baltimore decidiu que era hora de mudar de estratégia e colocou o calouro para fazer o mais óbvio: passar a bola.

Deu certo. Em uma campanha de quase três minutos e sem nenhuma tentativa de corrida, os Ravens anotaram seu primeiro touchdown no jogo. O lance derradeiro da campanha resultou em um passe de 31 jardas para Michael Crabtree direto para a endzone.

A campanha acabou assim com um possível marca inédita: os Ravens corriam o risco de ser o primeiro time a terminar com quantidade negativa de jardas aéreas em uma partida de pós temporada.

A campanha seguinte se usou da mesma estratégia. Dos 13 snaps, apenas uma única corrida, do próprio Lamar Jackson pelo meio avançando 7 jardas até a linha de 50. O drive terminaria em uma recepção polêmica de 7 jardas para Michael Crabtree. No fim das contas, a arbitragem acabou revertendo a marcação de bola na linha de 1 jarda e confirmou o touchdown.

Baltimore ainda receberia a bola faltando 45 segundos para o fim da partida, com a chance de empatar o jogo com um touchdown e virar a partida caso convertesse o extra point. O fumble sofrido pelo camisa 8 na linha de 29 jardas do próprio campo e recuperado por Melvin Ingram, entretanto, matou essa possibilidade.

O jogo terminou 23 a 17, com Baltimore Ravens eliminado da pós temporada. Os Chargers avançam para a próxima fase e enfrentam os Patriots no Gillette Stadium.

Jogo de defesas

Se engana quem pensa que o ataque dos Chargers teve vida fácil nesse jogo. Aliás, as defesas foram as que mais brilharam.

Claro que, sem querer tirar o mérito da defesa de L.A., especialmente de Melvin Ingram que fez uma de suas melhores partidas, é importante lembrar que a fragilidade da linha ofensiva de Baltimore, que talvez tenha feito uma das piores partidas da temporada, cedendo 7 sacks – e que poderia ser mais, não fosse a mobilidade do QB calouro – e a falta de resposta dos Ravens ao jogo imposto por LA facilitaram a vida do time visitante.

Mas se o ataque coordenado por Marty Mornhinweg não foi capaz de surpreender, se mantendo unidimensional e conservador, a defesa de Don “Wink” Martindale fez o dever de casa e veio agressiva como de costume.

Destaque em especial para C.J. Mosley, com 7 tackles e 4 assistências além do fumble recuperado já mencionado aqui e Patrick Onwuasor, repetindo mais uma atuação brilhante com 6 tackles e 1 assistência, 1 sack e o fumble forçado.

As pontuações mostram como o setor defensivo conseguiu evitar um desfecho pior e deu a oportunidade do ataque poder encostar no quarto final do jogo: os Chargers foram obrigados a se contentar com field goal cinco vezes.

O primeiro touchdown só foi acontecer no começo do último quarto por muita insistência, já que os Chargers, quase na goal line, precisaram das quatro tentativas para pontuar.*

O saldo final

Algumas coisas ficaram bem claras nessa temporada e isso precisa ser abordado:

Primeiro: a partir de agora o futuro da franquia é com Lamar Jackson. Ele já se mostrou capaz de ser um bom passador, e sua mobilidade no pocket e capacidade de ganhar jardas com as pernas traz um fator imprevisibilidade ao setor ofensivo.

Por mais que Joe Flacco tenha feito um começo de temporada excepcional, com números que lhe projetavam para a marca das 5000 jardas se mantivesse o ritmo, agora temos um quarterback mais versátil e que, se bem trabalhado, tem potencial para ser um dos melhores da liga.

Segundo: por melhor que seja, a defesa vai precisar de reforços se quiser manter o ritmo. Na posição de Safety, Tony Jefferson se mostrou inconstante, tendo seus altos e baixos durante a temporada e Eric Weddle está às portas da aposentadoria. Deshon Elliott ainda é uma grande incerteza, não se sabe até onde essa promessa pode ir.

O pass rush também é outro ponto a ser considerado. Apesar do alto rendimento, contar com Terrell Suggs constantemente é arriscado. Matthew Judon e Za’Darius Smith parecem boas opções e fizeram algumas boas partidas. Porém ainda precisam mostrar constância para que a franquia possa confiar de fato neles

Terceiro: o ataque precisa de ajustes urgentes a fim de garantir que Lamar Jackson evolua. Na OL, yanda e Orlando Brown parecem ser as melhores peças que temos e isso ainda é muito pouco. Com os WR’s, Crabtree se mostrou vacilante com seus drops na temporada e John Brown, mesmo sendo nosso maior talento na posição, provavelmente não ficará na equipe depois de ser pouco utilizado.

E claro, a coordenação precisa de sangue novo. Mornhinweg se mostrou limitado e conservador demais, beirando à completa ignorância em algumas chamadas bem duvidosas nessa temporada. Pessoalmente eu não vejo muita escolha: ele aprende e muda de estilo ou pode procurar outra franquia. Em Baltimore, não dá mais.

No fim das contas, apesar do otimismo por tudo de bom que o time apresentou na temporada, o primeiro ano de Eric DeCosta como General manager promete ser bem agitado.


*Nota: há uma polêmica na segunda tentativa de que, na segunda tentativa, a marcação de campo (touchdown) foi erroneamente revertida.

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